Espaços de resistência históricos, os quilombos foram formados por africanos e afrodescendentes no Brasil colonial e imperial. Atualmente, tratam-se de comunidades com forte identidade cultural e tradicional.
Acima, um mapa dos roteiros do Quilombo Dona Bilina, no bairro de Campo Grande.
O Quilombo Dona Bilina localuza-se na região conhecida como Rio da Prata, bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O local possui uma intensa relação com a comunidade situada ao sul do Maciço da Pedra Branca, devido a um grande contato comercial e social entre os moradores, formando laços parentescos.
O nome Dona Bilina homenageia uma rezadeira e parteira local, negra, lavradora, moradora do Vale da Virgem Maria.
Desde o século XVI, a região presenciou a formação de grandes e pequenas propriedades rurais, relacionadas à agricultura de subsistência. Daí surgiu uma espécie de campesinato, de origem negra e mestiça, de relações interraciais, oriundos de condição escravizada, livre ou aforriados. Faziam parte também colonos de origem europeia e grande quantidade de indígenas.
Através dos séculos, a comunidade foi formando uma identidade local, com ancestralidade, muito relacionada à terra e aos saberes passados de geração pra geração.
Ilustrações: Carmen Paixão. Gibi "A aventura do jovem Apoema no futuro".
Imcentivado por esse aspecto de identidade local, a Associação de Agricultores Orgânicos da Pedra Branca (AGROPRATA) solicitou um pedido de reconhecimento do território como terra remanescente quilombola, comunidade mantedora de antigas tradições. Assim, o Quilombo Dona Bilina recebeu o certificado da Fundação Cultural Palmares, em 2017.
Famílias descendentes ainda hoje residem no território, produzindo, plantando, cuidando da terra, mantendo a cultura, sendo sinal de resistência, além de preservar a mata nativa com uma produção de base agroecológica.
Informações, mapa e foto: Ecomuseu Quilombo Dona Bilina.




Como é maravilhoso ter um blog tão relevante e procedente.
ResponderExcluirO trabalho de Carlos Eduardo de Souza, sobre a região de Campo Grande, é utilizado em pesquisas escolares, tanto por alunos, como por professores.
A importância dos Quilombos deve ser divulgada, pois faz parte de nossa identidade também.
Não sei se procede, ouvi dizer que existe um Quilombo em Barra de Guaratiba, que também já pertenceu a Campo Grande, principalmente, por conta do Cartório.
Outra informação interessante comprovada é a presença do Caminho da Fuga, que iniciava no Morro Luiz Bom e percorria parte da Serrinha da Posse, e que pode ser vista na Estrada da Posse.
Os escravizados que fugiam cruzavam, por dias, esse trecho, descendo por onde hoje abriga o Residencial Vitória, cruzava o Bairro Ipatinga, seguindo pelo caminho do que hoje é a Avenida Campina Grande, passando pela atual Avenida Brasil, até chegar na divisa com Nova Iguaçu, onde havia um Quilombo.
Essa informação obtive através do saudoso Professor Historiador Moacyr Barros Bastos.
Por amar Campo Grande, despretensiosamente, compus várias músicas para essa terra tão abençoada. Caminho da Posse é uma dessas composições, que transcrevo abaixo, apenas para dividir com os amigos o meus afeto pela história do bairro:
CAMINHO DA POSSE
(Will Tom)
Na Serrinha da Posse
Tem um caminho de fuga
Fugi do senhor
Fugi do chicote
Fugi da Senzala
Se eu não me cuido
Capitão do Mato
Me enche de bala
Descansei no caminho
Escondido no Bambuzal de Oyá
Água da fonte
Me encheu de forças para caminhar
Desci lá do pico
Caminho da Posse eu cruzei
Na velha encruzilhada
Muito charutei e marafo tomei
Padê saboroso
Me fez tão veloz
E ao quilombo cheguei
Sou grato a Oyá
Porque aqui estou
Eu me libertei.
Boa Noite, meu querido amigo. Como é bom ter um amigo com tanta memória pra compartilhar. Muito grato pelas informações e pela composição. Só enriquecem o artigo. Muito obrigado por valorizar e divulgar o blog. Gratidão infinita!
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