quinta-feira, 15 de maio de 2025

O maestro Roberto de Regina na Desterro

 

A foto acima é de uma apresentação do maestro Roberto de Regina, em 2017, na Igreja Matriz de Campo Grande, Nossa Senhora do Desterro. Roberto Miguel de Barros de Regina nasceu em 12 de janeiro de 1927, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Regina foi artesão, pintor e formado em medicina. Porém, foi na música que Roberto de Regina despertou um destaque muito relevante no cenário nacional desde a década de 1940, atuando como regente, além de ser o primeiro construtor brasileiro de cravo, um instrumento muito popular na Europa, entre os séculos XVI e XVIII, período Barroco. O cravo, que possui uma estética parecida com um piano, é dono de uma sonoridade bem particular, com palhetas puxando cordas em seu interior, proporcionando um som diferenciado.

Como já mencionado, Roberto de Regina foi também artesão e pintor. Em seu sítio, no bairro de Guaratiba, criou o Museu Ronaldo J. Ribeiro, o qual possui miniaturas e cenários históricos, de sua autoria. No local também se encontra a Capela Magdalena, na qual o mesmo se apresentava tocando cravo, com recitais à luz de velas.

O músico, entre apresentações, em diferentes lugares, esteve muito presente nas comemorações de aniversário do bairro de Campo Grande, como mostra a foto acima, numa exibição com seu instrumento preferido, dentro do templo de Nossa Senhora do Desterro.

Roberto de Regina nos deixou em 25 de abril de 2025, mas seu legado é eterno, com uma vasta contribuição à cultura brasileira.  


Foto: Helcio Peynado.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Dia mundial do livro

 No dia 23 de abril é comemorado o dia mundial do livro. Criada pela UNESCO, a data tem como objetivo celebrar o livro, o incentivo à leitura, além de homenagear autores e refletir sobre seus direitos legais. 

Uma curiosidade é que essa data foi escolhida com relação a tributo em homenagem a escritores que morreram em 23 de abril, como Miguel de Cervantes, Inca Garcilaso de la Vega e William Shakespeare.

Nesse dia é importante a reflexão sobre a importância da leitura, estímulo de acesso à mesma, discussão de obras importantes, incentivo e valorização aos novos autores e suas obras e defesa dos direitos do autor.

Abaixo, algumas obras que publiquei, com duas sendo exclusivamente sobre a região do bairro de Campo Grande, uma infanto-juvenil que também aborda o bairro e uma sobre memórias afetivas.


A EVOLUÇÃO ECONÔMICA E POPULACIONAL DE CAMPO GRANDE


"Do período colonial até os dias atuais, enfocando o fim do século XIX a meados do século XX, o livro apontará que, sempre que a sociedade sofre uma mudança, a totalidade da mudança cria uma nova organização espacial.

Com isso, através de uma leitura histórica do bairro, interligando com a história do Rio de Janeiro, com imagens, dados e estatísticas, mostrando algumas 'eras' importantes, como a da cana de açúcar e a da laranja, será analisada a passagem de uma área rural para urbana, com o bairro ganhando novos aspectos e estruturas, atingindo diretamente a sua população".

 

A CRIAÇÃO DE UM SUBCENTRO EM CAMPO GRANDE

 


"Dando continuidade ao livro 'A evolução econômica e populacional de Campo Grande', o presente livro propõe uma sequência desta verdadeira metamorfose ao qual o bairro passa, afetando suas estruturas socioeconômicas, comerciais e populacionais. Pode-se afirmar que o bairro começa a sua passagem do rural para o urbano no século XX, principalmente com a inauguração do calçadão comercial no centro de Campo Grande, e com a chegada das indústrias. No final do século citado, surge uma nova perspectiva estrutural para o bairro, que se expande até os dias atuais: o West Shopping, formando um verdadeiro subcentro na região, alterando assim a dinâmica deste local. Com o shopping, surgem os investimentos, aumento do tráfego, constantes deslocamentos populacionais, transformando esta área, até então sem grandes atrativos, num verdadeiro polo comercial".

 

A LENDA DO VULCÃO DO MENDANHA

 


 "As atividades vulcânicas sempre despertaram nas pessoas, medo e, ao mesmo tempo, curiosidade, e, em alguns, fascínio. No mundo, há diversos lugares onde a vida se constrói ao redor de vulcões e, curiosamente, alguns, inclusive, em atividade. Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, é um local de muitas histórias e lendas. O mais incrível disso tudo é saber que, assim como esses lugares do mundo, a vida se construiu ao redor do 'Vulcão do Mendanha'. O que se sabe sobre ele? Quais mistérios e lendas ele carrega? Como seria se o Vulcão do Mendanha entrasse em atividade? Estas e outras questões serão descritas e ilustradas, de forma divertida e leve, neste livro".

 

COMO UMA CONCHA NO MAR

 


 "A vida é uma viagem com passagem só de ida. A obra 'Como uma concha no mar' nos leva a refletir e degustar como encaramos a passagem do tempo em nossas vidas, no ir e vir dos acontecimentos, nas memórias que ficam, eternizando o que é passageiro, guardando em nossas mentes tudo o que vivenciamos e presenciamos, momentos que não voltam, mas que ficam para sempre guardados e, vez ou outra, relembrados com muito carinho. Então, mergulhemos em nossas memórias afetivas".

domingo, 23 de março de 2025

Os "xarás" do Campusca

 Fundado em 13 de junho de 1940, o Campo Grande Atlético Clube, o Galo da Zona Oeste, o Campusca é um tradicional clube da cidade do Rio de Janeiro. Campeão da taça de Prata de 1982, a segunda divisão do brasileirão, o Campo Grande já contou com grandes jogadores em seus elencos, como Dadá Maravilha, o goleiro Barbosa, Roberto Dinamite, Eloi, Claudio Adão, entre outros. 

Porém, muitos não sabem que o clube carioca possui alguns xarás pelo Brasil. Sim. Existem outros "Campo Grande" espalhados pelo território nacional.  

Esse é o Esporte Clube Campo Grande, do extenso município de Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, terra de clubes tradicionais como Americano, Goytacaz, Campos, além do Rio Branco. O Campo Grande de Campos possui o escudo muito parecido com seu xará carioca, porém disputa apenas competições amadoras de sua cidade.

 

 

Acima está o Aliança do Campo Grande Esporte Clube, do bairro de Campo Grande, Zona Sul de São Paulo. Fundado em 2004, o clube se apresenta como categoria amadora.

 

 

Situado  na cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, encontra-se o Esporte Clube Campo Grande. Fundado em 14 de fevereiro de 1993, o clube disputou seu primeiro campeonato profissional  em 2001, a série B do campeonato sul-mato-grossense. O Campo Grande azul e branco manda seus jogos no estádio Jacques da Luz, e possui a arara Canindé como mascote.

 

 

A associação Esportiva Campo Grande Futebol Clube localiza-se no município de Juazeiro do Norte, no estado do Ceará. O clube foi fundado em 23 de fevereiro de 1985, disputando um campeonato profissional pela primeira vez em 2015, participando do campeonato cearense da terceira divisão.

 

Fontes: Blog historiadofutebol;

Wikipédia;

Face primos pobres do futebol do RJ. 

 

 


domingo, 16 de março de 2025

A Nossa Senhora da Penha de Cosmos

 Localizada na estrada de Paciência, no bairro de Cosmos, região Administrativa de Campo Grande, no alto de um morro, encontra-se a capela de Nossa Senhora da Penha. 

Foto: Autor


A mesma possui uma história repleta de mistérios, envolvendo abandono, deterioração, décadas em ruínas, com muitas versões que tentam explicar o motivo que levou a capela passar por um grande período desativada e destruída. Alvo de vandalismo, crime, assassinato de padre, incêndio, difícil acesso que culminou com o abandono são algumas histórias associadas ao período em que o templo era conhecido apenas como "as ruínas da Igreja de Cosmos".










Imagens: Arquivo da capela.


A história da capela remonta ao século XIX, com, segundo algumas pesquisas, aparecendo em mapas locais da época, uma capela de Nossa Senhora da Penna (ou Pena). Alguns apontam que o nome pode ter ligação com a estrada da Pena, próxima ao templo. Porém, o título "Penha" remete a penhasco, pedra, morro, montanha, ou algo do tipo, relacionando a sua localização, bem no alto de um morro, com uma subida bem íngreme, com escadarias, e com uma visão panorâmica da Zona Oeste e de outros municípios. Essas características a associam com a outra e mais famosa Igreja da Penha do Rio, localizada no bairro de mesmo nome, atual Basílica Santuário Mariano Arquidiocesano.

Há alguns anos, as ruínas da Igreja serviram de inspiração para fotos do encarte de um CD musical de um Ministério de Louvor, Efata, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, de Campo Grande. E o título do álbum não poderia ser mais sugestivo: Mudanças. 



Capa do CD



Fotos do encarte do CD. Fotografia: Fernanda Lobato.

E parece que as mudanças realmente aconteceram na capela. Pouco depois, em 2015, por iniciativa do padre da Paróquia Santa Sofia, responsável pela capela de Nossa Senhora da Penha, houve um início de restauração do templo e do entorno, com a ajuda de fiéis e moradores, concretizado em alguns anos depois.

Padre celebrando no período de restauração do templo.  Arquivo da capela. 

Capela pouco depois de reformada.  Foto: Pascom Santa Sofia.




Templo por dentro atualmente.  Foto: Autor.


Pedra fundamental restaurada. Foto: Autor


Pintura no interior da capela. Foto: Autor.

Depois de 45 anos abandonada, restaurada, contendo uma escadaria, um cruzeiro reformado, uma boa iluminação e uma área ao entorno do templo, a capela de Nossa Senhora da Penha em Cosmos já foi "palco" de casamentos, festa junina, Réveillon, e é constantemente visitada por fiéis, grupos de igrejas (inclusive de outras paróquias) e curiosos, todos a fim de contemplar o local e sua peculiar história de ressurgir dos escombros.

Assim, na Pedra fundamental da capela, restaurada, foi posta uma passagem bíblica que resume bem a história: " Deu-nos bastante vida para podermos reconstruir o templo do nosso Deus e restaurar suas ruínas e concedeu-nos um abrigo seguro." Esd 9,9.



Vista de frente da igreja, com um panorama de boa parte da Zona Oeste. 
Foto: Autor.








sábado, 8 de março de 2025

Reportagem sobre o Campo Grande no Globo Esporte 2025


 No dia 07 de março de 2025 foi exibida uma reportagem no Globo Esporte sobre o Campo Grande Atlético Clube, o Campusca. Na matéria é entrevistado um ex goleiro do clube, Paulo César, mais tarde treinador de futebol, o PC Gusmão. A reportagem cita as conquistas do clube, melhor colocação no estadual e a atual situação.
Clique e assista na íntegra a reportagem. 


segunda-feira, 3 de março de 2025

Sereno no carnaval 2025

 


E mais uma vez a escola de samba Sereno de Campo Grande representou a região no Carnaval carioca. A agremiação desfilou pela série Prata na Intendente Magalhães e segundo critérios, encantou o público. 
Segundo reportagem da Super Rádio Tupi, a escola foi marcada por uma apresentação com emoção, mostrando cultura popular e um belíssimo espetáculo visual.
O enredo foi "no Sertão, se onde tem Sereno, têm corujas...Onde existem profetas... têm chuvas!", destacando figuras muito tradicionais do Nordeste, ligadas às previsões de fenômenos da natureza. 
Abaixo, um link com uma matéria completa sobre o assunto da Super Rádio Tupi. 

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Paisagem ontem e hoje do centro de Campo Grande

 Geografia, fotografia e paisagem


Centro de Campo Grande, década de 1960


 Centro de Campo Grande, 2025.
 
    Por muito tempo a geografia foi conhecida como a ciência de descrição e diferenciação dos locais e das paisagens. Desde a época das grandes expedições, executavam-se tarefas de mapeamento e descrição das terras "descobertas". As tarefas ficavam a cargo de profissionais ligados à geografia, além de pintores/desenhistas, responsáveis por capturar as imagens. O próprio termo "paisagem" remonta ao século XV, vinculado às representações artísticas ligadas à natureza. Daí muitas pessoas associarem paisagem a algo bonito. 
     Até o surgimento da fotografia, a descrição da paisagem era algo muito difícil, basicamente pela dificuldade em descrever as formas de relevo. Porém, com o advento fotográfico no século XIX, iniciou-se o registro, com maior facilidade, das diferenças entre as pessoas e as paisagens, incorporando a fotografia à geografia como instrumento de trabalho.
    O conceito de paisagem, para a geografia, não é apenas um belo panorama natural, mas sim um conjunto dos elementos naturais e culturais que podem ser vistos, percebidos e interpretados em uma localidade. E as fotografias são representações que podem registrar aspectos visuais da paisagem, que por si revela um determinado momento de integração entre a sociedade e a natureza, exibindo origem, evolução, permanência e/ou transformação.
    E assim temos a paisagem transformada no bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, revelada nas imagens acima. As imagens em questão são do centro do bairro, cortado pela linha férrea, presente ali desde 1878. A primeira imagem, da década de 1960, nos revela um Campo Grande ainda com poucos aspectos de urbanização, saindo do rural, antigo sertão carioca. Do lado esquerdo da estação de trem, a rua Campo Grande. Nota-se quanta diferença no fluxo de automóveis. No lado direito da linha de trem, na primeira imagem, ainda um esboço do que seria o Calçadão de Campo Grande, inaugurado em 1976, com menos movimento na Rua Coronel Agostinho, em contraste com o movimentado espaço dos dias atuais.
    Percebe-se também a Rua Viúva Dantas, outrora abrigando o Clube dos Aliados, hoje com seus edifícios e o Passeio Shopping. A Praça Dr. Raul Boaventura, que já foi a Praça Três de Maio, se faz presente nas duas imagens, sendo palco dos Correios, da extinta Casa Dux, dos pontos de ônibus e de táxis, de um antigo bar, na esquina com a já citada rua Coronel Agostinho, onde se conseguia, além de um bom café, informações sobre a região.
    A Rua Augusto Vasconcelos, com a Saudosa Silbene, o Cine Palácio (hoje Igreja Universal), a Casa Cruz, o mercado São Braz, entre outros elementos da paisagem.
    A Rua Ferreira Borges, com a primeira Igreja Batista de Campo Grande, e ao fundo, o que hoje seria a Rodoviária de Campo Grande. Entre a Ferreira Borges e a Coronel Agostinho, onde hoje é a saída (ou entrada) do túnel, por muito tempo esteve presente a Luzes Shopping, mas que antes, no local, existiu a padaria Adelaide, entre outros pontos importantes do local.
    E assim, o verde foi dando lugar ao concreto, com um cenário urbano predominante, a população aumentando, o comércio se consolidando e as mudanças marcadas na passagem do tempo no bairro de Campo Grande, fincadas nas transformações da paisagem.
   

Fonte consultada sobre o conceito de paisagem: Ciências humanas, 6° ano/obra coletiva - 1° edição - São Paulo: SIEDUC, 2021.

Primeira imagem: Cartão Postal, Edições Ambrosiana;

Segunda imagem: Instagram @altodecg

Agradecimentos especiais a Vinicius, do Instagram Campo Grande do Alto, autor da belíssima fotografia atual de Campo Grande, gentilmente cedida ao meu blog. Gratidão infinita!