sábado, 21 de março de 2026

Memórias de Vila Nova

 


Campo Grande, Zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, completou mais um aniversário no mês de novembro. Com mais de 400 anos de história, o bairro, o mais populoso do Rio (segundo algumas pesquisas, do Brasil), que já foi Sertão Carioca, Zona Rural, hoje é considerado um subúrbio ou um subcentro com ritmo frenético, com vai e vem incessante de pessoas e veículos, além do comércio, dos shoppings, das indústrias e do setor imobiliário, mas que ainda preserva bolsões agrícolas, como Mendanha, Rio da Prata, entre outros.
O bairro que já foi da cana de açúcar, dos cafés, da laranja, dos bondes, atualmente é atrelado às transformações socioespaciais, ditadas pelo progresso na região.
No bairro de Campo Grande, entre outros vários chamados sub bairros, está o de Vila Nova. Atravessado pela estrada Santa Maria, com saída para a Estrada do Campinho, muito movimentado, principalmente pelo comércio e pelos serviços, Vila Nova desperta muitas memórias afetivas de seus moradores, como o antigo supermercado Valente (antes, Formigão), cujo espaço, mesmo ocupado por outros estabelecimentos, ainda tem o nome lembrado pelos moradores; há também nas memórias o Armarinho do Seu Júlio, que "vendia de tudo", segundo os moradores, numa época em que existia certa dificuldade em encontrar determinados produtos; a Peixaria Central de Vila Nova, fundada em 1982, pelos senhores Joaquim, Adão e Agostinho, também ainda é uma referência, muito procurada, principalmente na Semana Santa, assim como a Confeitaria Central da Vila Nova, fundada em 1980, sendo um grande destaque do comércio local até hoje.
Vila Nova também do futebol, das "peladas " entre times locais, disputadas num campo no qual hoje encontra-se uma praça, com um coreto no centro; do tradicional Carnaval de rua, no centro da região, muito badalado nos dias de folia, com shows, desfiles de mascarados, entre outros, e que sempre atraiu muitas pessoas; do antigo Centro Pró-Melhoramentos de Vila Nova, que servia a localidade, oferecendo ensino de 1°e 2° graus, cursos técnicos, clínicas, entre outros serviços, com o local hoje sendo ocupado pela Escola Santa Bárbara. Vila Nova que já possuiu uma igreja católica brasileira (diferente da católica Romana), que localizava-se em frente à escola Embaixador Araújo Castro.
Vila Nova que já possuiu uma feirinha própria, hoje reduzida a alguns piucos vendedores. A localidade também tem como referência a sorveteria Sobel, desde 1991 sendo uma “marca” quando se lembra de Vila Nova. Segundo pesquisas, até um cinema a localidade já possuiu, na verdade uma pequena sala de projeção. 
E ultimamente, até uma Corrida de Rua vem sendo organizada com o nome do sub bairro, resgatando e mantendo o sentimento de pertencimento local.
E assim, Vila Nova se propaga na memória do bairro de Campo Grande, tendo sua própria corrida, com suas próprias histórias, seus espaços, seguindo seu caminho.


Ilustração: Elder Veríssimo Sodré. 
Algumas informações: Instagram cgmaiorbairrodoBrasil.


terça-feira, 17 de março de 2026

O Quilombo Dona Bilina

 

Espaços de resistência históricos, os quilombos foram formados por africanos e afrodescendentes no Brasil colonial e imperial. Atualmente, tratam-se de comunidades com forte identidade cultural e tradicional. 
Acima, um mapa dos roteiros do Quilombo Dona Bilina, no bairro de Campo Grande. 
O Quilombo Dona Bilina localuza-se na região conhecida como Rio da Prata, bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O local possui uma intensa relação com a comunidade situada ao sul do Maciço da Pedra Branca, devido a um grande contato comercial e social entre os moradores, formando laços parentescos.
O nome Dona Bilina homenageia uma rezadeira e parteira local, negra, lavradora, moradora do Vale da Virgem Maria. 
Desde o século XVI, a região presenciou a formação de grandes e pequenas propriedades rurais, relacionadas à agricultura de subsistência. Daí surgiu uma espécie de campesinato, de origem negra e mestiça, de relações interraciais, oriundos de condição escravizada, livre ou aforriados. Faziam parte também colonos de origem europeia e grande quantidade de indígenas. 
Através dos séculos, a comunidade foi formando uma identidade local, com ancestralidade, muito relacionada à terra e aos saberes passados de geração pra geração. 

Ilustrações: Carmen Paixão. Gibi "A aventura do jovem Apoema no futuro".

Imcentivado por esse aspecto de identidade local, a Associação de Agricultores Orgânicos da Pedra Branca (AGROPRATA) solicitou um pedido de reconhecimento do território como terra remanescente quilombola, comunidade mantedora de antigas tradições. Assim, o Quilombo Dona Bilina recebeu o certificado da Fundação Cultural Palmares, em 2017.
Famílias descendentes ainda hoje residem no território, produzindo, plantando, cuidando da terra, mantendo a cultura, sendo sinal de resistência, além de preservar a mata nativa com uma produção de base agroecológica. 

Informações, mapa e foto: Ecomuseu Quilombo Dona Bilina.


terça-feira, 10 de março de 2026

Estrutura geomorfológica do Maciço Gericinó-Mendanha

 

Imagem: Rio Memórias 

O relevo da cidade do Rio de Janeiro tem ligação direta com sua formação e ocupação de território. Inclusive, as zonas ou regiões que dividem o município têm um relevo como referência: o Maciço da Tijuca, que divide a cidade.
Acima temos um outro maciço importante: trata-se do Maciço Gericinó-Mendanha. Localizado na Zona Oeste do Rio, além de outros municípios, o maciço possui três alinhamentos serranos: Serra de Madureira, Serra do Mendanha e a pequena serra do Marapicu. A Serra de Madureira localiza-se do lado do município de Nova Iguaçu, enquanto a Serra do Mendanha ou do Gericinó, no município do Rio.
O Maciço é formado por rochas ígneas (magmáticas) intrusivas, e subvulcânicas, numa espécie de antiga câmara magmática exposta pela erosão, rica em minerais alcalinos e potássicos, com uma estrutura rochosa alcalina.
No maciço Gericinó-Mendanha encontra-se o Vulcão (ou suposto) do Mendanha, ou Vulcão de Nova Iguaçu. Alvo de estudos e especulações, por muito tempo se tratou de um vulcão extinto, que esteve em atividade há milhões de anos, com muitas grutas produzidas pela explosão de bolhas de gases na vertente da cratera, apresentando em seu interior, veios de pedra-pome, basalto e fonolitos, com um desfiladeiro aberto pela erosão das águas do Rio Guandu do Sapê.
Porém, depois de anos de debate, alguns geólogos constataram que não se trata exatamente de um vulcão, mas sim uma estrutura geológica externa que lembra um vulcão. Atestaram que havia erupções vulcânicas explosivas nesta região, com formação de edifícios vulcânicos em tempos remotos, mas que, com as transformações  do tempo, erosão e soerguimento, houve uma mudança que eliminou completamente a morfologia e os depósitos eruptivos daquela era geológica. Mas pra maioria da população local, há um vestígio de vulcão na região. 
Abaixo, uma imagem de uma reportagem do Jornal Patropi, de 1983, associando a Serra do Mendanha com as antigas transmissões VHF/ FM e UHF.

Imagem: Jornal Patropi, outubro de 1983.


Placa indicando o suposto local do Vulcão, citando Alberto Lamego, quem descobriu vestígios do suposto Vulcão. 
Imagem: Blog Sharkeugenio.

Fonte consultada: Jornal Patropi, outubro de 1983.



sábado, 7 de março de 2026

Inauguração do primeiro túnel de Campo Grande

 

No dia 06 de março de 2026 foi inaugurado o primeiro túnel do bairro de Campo Grande: Túnel professor Moacyr Sreder Bastos. O nome homenageia uma figura muito importante da região, ligada à educação. 
O túnel faz parte de um projeto do anel Viário, iniciado em 2023, que inclui ainda a construção de um segundo túnel, duplicação de vias, viadutos e um Mergulhão, além de outras intervenções, com previsão de término para 2028.
Alvo de protestos por parte de alguns moradores locais, por se sentirem prejudicados, o túnel, que contou com a presença do prefeito Eduardo Paes e do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em sua inauguração, conta com 515 metros de extensão, amplia a capacidade de tráfego, reduz o tempo entre as estradas da Posse e da Caroba e oferece uma alternativa ao eixo Estrada do Mendanha - Estrada das Capoeiras.
Abaixo, um mapa com acesso ao Túnel de Campo Grande. 


Passando por dentro do morro Luis Bom, o primeiro túnel de Campo Grande promete tentar diminuir os impactos do caótico trânsito de Campo Grande, gerando mais fluidez para os veículos e população. 


Fonte consultada e imagens: Jornal Extra, 07/03/2026.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Memórias de Cosmos

 


Acima encontram-se duas imagens do passado do bairro de Cosmos, pertencente à Região Administrativa de Campo Grande.
Na primeira, a Igreja de Santa Sofia, situada na praça Sofia Moreira. Segundo informações, a mesma foi construída e doada à Cúria Metropolitana pelo Comendador Serafim Sofia, figura muito importante na região, e presente na fotografia. 
Na segunda, trata-se da Escola primária Rosita Sofia, no dia de sua inauguração, na rua Guarujá. Ainda sobre a escola e sua inauguração, esteve presente o chefe de polícia, abraçado ao Comendador Serafim Sofia, além de um ministro, um promotor e dois desembargadores, como mostra a imagem abaixo. 

Nessa última foto, está a própria Rosita Sofia, ao lado de outras pessoas, como um professor e um treinador do Rosita Sofia, clube tradicional de Cosmos à época.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Rua Viúva Dantas, Campo Grande, década 1970

 A Rua Viúva Dantas, localizada no centro do bairro de Campo Grande, no Calçadão, é uma das mais  conhecidas da região. 

Rua que já acolheu a primeira sede do Clube dos Aliados (hoje localizado na estrada do Mendanha), atualmente continua com seu ritmo frenético, intensificado com a chegada do Passeio Shopping, no ano de 2000.

Abaixo, duas imagens da Rua Viúva Dantas na década de 1970:


A imagem acima é do Edifício Antônio Coelho, construído por Antônio Coelho Engenharia.


A segunda imagem é do Edifício Olímpica, onde funcionava a Olímpica Imóveis, no 6° andar, também construído por Antônio Coelho Engenharia. 

Ao lado, décadas depois, foi construído o já citado Passeio Shopping. 

Fonte de imagens e informações: Tricentenário de Campo Grande  - Serafim Sofia. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

As antigas frotas de ônibus de Campo Grande

 O bairro de Campo Grande, assim como os demais bairros da cidade do Rio de Janeiro, possuem uma tradição quando o assunto é frota de ônibus. Algumas linhas, inclusive, são lembradas até hoje, marcando gerações, assim como as cores das empresas, entre outros detalhes.

Até o ano de 1993, foi considerado o auge das empresas de ônibus no Rio de Janeiro. Porém, a partir do ano de 1994, nota-se um processo de mudança no transporte de ônibus carioca, como as transformações no padrão do layout e nas pinturas, além de um processo de cisões das linhas, sendo criadas duas ou mais empresas.


Acima encontra-se as empresas/ frotas de linhas de ônibus no bairro de Campo Grande até 1993: a viação Jabour, de Jacob Barata; a Expresso Pégaso, também de Jacob Barata; e a Santa Sofia, de Agostinho Maia. As duas primeiras nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz, e a última atuando em Campo Grande. 
Em outro bairro da Zona Oeste, em Bangu, as frotas disponíveis eram as seguintes;
Um detalhe é que dois donos de empresas de Campo Grande também aparecem nas de Bangu: Jacob Barata e Agostinho Maia. Aliás, Jacob Barata aparece como dono também em outras frotas de outras regiões da cidade, como a Viação Alpha, no Rio Cumprido, a Auto Viação Tijuca, a Transportes Estrela, no Méier, entre outras.

Imagens e fonte de pesquisa: Robson de Souza, Face Memorial das Linhas de Ônibus de todos os tempos.