sábado, 20 de junho de 2026

Campo Grande tem população de Copa do Mundo

 

Que o bairro de Campo Grande é o mais populoso do Rio de Janeiro, muita gente sabe. E segundo algumas pesquisas, também é o mais populoso do Brasil. O bairro, segundo o IBGE de 2022, possui 352.356 habitantes. Mas há uma curiosidade que talvez nem todos saibam: Campo Grande tem mais população que alguns países que participam de Copa do Mundo. 
Na Copa de 2026, Curaçao, um país caribenho, localizado nas Pequenas Antilhas, parte do Reino dos Países Baixos, possui uma população de aproximadamente 158 mil habitantes. A pequena nação da América Central é estreante em Copas, e tem o beisebol como esporte mais popular.
Na Copa de 2018, um outro país com menos população que Campo Grande também disputou a competição: a Islândia, país nórdico europeu, com aproximadamente 322.000 habitantes. 
Além disso, Campo Grande possui população maior que muitos outros países, como Vaticano, Mônaco, Tuvalu, Nauru, Palau, San Marino, Andorra, entre alguns também da América Central, continente de Curaçao. 
Assim, podemos dizer que o bairro de Campo Grande possui população de país de Copa do Mundo. Não é mesmo?

A nova estrada do Tingui (passado e presente)

 

No dia 11 de janeiro de 2026 foi inaugurada a nova estrada do Tingui, um novo trecho ligando a estrada à Avenida Brasil. Parte do plano de mobilidade de Campo Grande, a continuação da estrada do Tingui corta a localidade conhecida como Salim, que possui uma paisagem com aspectos de algumas ruralidades, ou pequenos bolsões e resquícios rurais dentro da expansão urbana. 


Ainda é possível encontrar na localidade um casarão antigo que, segundo moradores, pertencia ao "Seu Salim", um antigo proprietário de terras no local que viveu por muitos anos nessas bandas,  hoje dando nome ao local. Falecido nos anos 1980, Salim Hanna Alzuguir era conhecido como "turco", porém, era comum à época na região, descendentes de árabes/sírio-libaneses serem chamados assim. 

Casarão do "Seu Salim "

Um fato curioso é que, nesse mesmo trecho novo da estrada do Tingui, num tempo distante, "corridas de cavalo" eram disputadas, mexendo com a localidade e atraindo pessoas de várias partes do Rio, inclusive. 
Com uma paisagem de muito verde, animais e árvores, há também uma moradia que outrora foi uma escola, segundo informações. 


Além da estrada, o trecho é contemplado também com uma ciclofaixa, muito utilizada por pessoas que praticam caminhadas, corridas e ciclismo.



Paisagem com animais na localidade ainda é comum, mesmo com a urbanização. Acima, alguns cavalos pastam bem próximos à Avenida Brasil que, nesse trecho, já foi chamada de Avenida das Bandeiras.
E assim a vida segue com o progresso, mas contando ainda com as raízes pretéritas, fazendo uma junção da urbanização com o bucólico, "entre a solidão e a cidade"

Todas as fotos: autor do artigo.




terça-feira, 19 de maio de 2026

Figurinhas do Campusca

 Época de Copa do Mundo, e uma tradição que atravessa décadas continua muito viva: colecionar figurinhas e completar o álbum da Copa. É uma atividade que passa de geração, reunindo desde crianças até os mais velhos. Quem nunca brincou de "bafo" com os colegas?

Bom, no bairro de Campo Grande não é diferente, o colecionismo e a febre por compras e trocas de figurinhas continua a mesma, com alguns pontos de encontros de colecionadores espalhados pelo bairro.

E se tivéssemos figurinhas com a história do Campo Grande Atlético Clube, o nosso Campusca!? Seria bem legal, não é!?

Abaixo, algumas imagens em formato de figurinha de alguns ex jogadores do clube, e de algumas formações importantes da história do Galo da Zona Oeste:


LUISINHO DAS ARÁBIAS- 13/11/1957 - 08/05/1989. Luis Alberto Duarte da Costa. Atacante.  Campeão da Taça de Prata de 1982.



BRAZ - 29/05/1960 - Luiz Braz de Araújo.  Volante. Campeão da Taça de Prata de 1982.


PINGO - 02/08/1960 - Paulo Rogério da Silva. Meio-campo. Campeão da Taça de Prata de 1982.


ROBERTO DINAMITE  - 13/04/1954 - 08/01/2023. Carlos Roberto de Oliveira. Atacante. Maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro 


Equipe de 1962, no ano de estreia do clube no campeonato carioca, com o goleiro Barbosa e Décio Esteves no elenco.


Uma das formações do time campeão da Taça de Prata de 1982.


Time que conquistou a melhor colocação do clube em campeonato carioca, no ano de 1991, contanto com jogadores como Roberto Dinamite, Elói, Cláudio Adão, entre outros.


E aí? Seria legal as figurinhas do nosso Campo Grande, não é? 

sábado, 11 de abril de 2026

Plano de paisagem de Campo Grande

 


Quando se faz uma leitura de paisagem, leva-se em conta todos os elementos presentes, geralmente dividida em partes, denominadas planos de paisagem. 
Acima, temos um recorte de paisagem de uma parte do bairro de Campo Grande, dividido em quatro planos.
No primeiro plano, é possível identificar a estação ferroviária do bairro e a Rua Campo Grande; no segundo plano, as ruas Ferreira Borges e Engenheiro Trindade, do "outro lado" do bairro, passando em frente ao Calçadão de Campo Grande, a Praça Doutor Raul Boaventura e ao Túnel que liga os dois lados; no terceiro plano, percebe-se alguns prédios e ao fundo as torres da igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro; e por último, no quarto plano, um dos morros que circundam a região. 
E assim a paisagem foi analisada de forma mais detalhada, com uma leitura mais específica de seus elementos, dos mais próximos aos mais distantes de seu observador. 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

A tradição de malhar o Judas


 Entre a Sexta-feira Santa, dia de lembrar a crucificação de Jesus, e o Domingo de Páscoa, a ressurreição de Cristo, está o Sábado de Aleluia. Mas o sábado em questão vai além da questão religiosa, sendo lembrado também por uma questão cultural e de tradição: é o dia de malhar o Judas.
Muito comum nos subúrbios do Rio de Janeiro, a tradição consiste em produzir um boneco, geralmente com roupas velhas, de pano ou de palha, representando Judas, o discípulo que traiu Jesus. O boneco é pendurado num poste, numa árvore ou num muro, na manhã do Sábado de Aleluia. Durante o dia, moradores (incluindo crianças) batem no boneco, muitas vezes com paus e pedras, como se tivessem punindo-o. Pronto: é a "Malhação de Judas ", às vezes acompanhada de xingamentos, porém num clima meio de descontração, quase numa "farra".
Apesar de ter diminuído nos últimos anos, a tradição continua, com o "Judas" em questão geralmente sendo associado a figuras públicas, políticos ou algum morador que desperte  indignação local.
E assim é mais uma tradição que, infelizmente, vai diminuindo, mas ainda muito viva em nossas memórias. 

sábado, 21 de março de 2026

Memórias de Vila Nova

 


Campo Grande, Zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, completou mais um aniversário no mês de novembro. Com mais de 400 anos de história, o bairro, o mais populoso do Rio (segundo algumas pesquisas, do Brasil), que já foi Sertão Carioca, Zona Rural, hoje é considerado um subúrbio ou um subcentro com ritmo frenético, com vai e vem incessante de pessoas e veículos, além do comércio, dos shoppings, das indústrias e do setor imobiliário, mas que ainda preserva bolsões agrícolas, como Mendanha, Rio da Prata, entre outros.
O bairro que já foi da cana de açúcar, dos cafés, da laranja, dos bondes, atualmente é atrelado às transformações socioespaciais, ditadas pelo progresso na região.
No bairro de Campo Grande, entre outros vários chamados sub bairros, está o de Vila Nova. Atravessado pela estrada Santa Maria, com saída para a Estrada do Campinho, muito movimentado, principalmente pelo comércio e pelos serviços, Vila Nova desperta muitas memórias afetivas de seus moradores, como o antigo supermercado Valente (antes, Formigão), cujo espaço, mesmo ocupado por outros estabelecimentos, ainda tem o nome lembrado pelos moradores; há também nas memórias o Armarinho do Seu Júlio, que "vendia de tudo", segundo os moradores, numa época em que existia certa dificuldade em encontrar determinados produtos; a Peixaria Central de Vila Nova, fundada em 1982, pelos senhores Joaquim, Adão e Agostinho, também ainda é uma referência, muito procurada, principalmente na Semana Santa, assim como a Confeitaria Central da Vila Nova, fundada em 1980, sendo um grande destaque do comércio local até hoje.
Vila Nova também do futebol, das "peladas " entre times locais, disputadas num campo no qual hoje encontra-se uma praça, com um coreto no centro; do tradicional Carnaval de rua, no centro da região, muito badalado nos dias de folia, com shows, desfiles de mascarados, entre outros, e que sempre atraiu muitas pessoas; do antigo Centro Pró-Melhoramentos de Vila Nova, que servia a localidade, oferecendo ensino de 1°e 2° graus, cursos técnicos, clínicas, entre outros serviços, com o local hoje sendo ocupado pela Escola Santa Bárbara. Vila Nova que já possuiu uma igreja católica brasileira (diferente da católica Romana), que localizava-se em frente à escola Embaixador Araújo Castro.
Vila Nova que já possuiu uma feirinha própria, hoje reduzida a alguns poucos vendedores. A localidade também tem como referência a sorveteria Sobel, desde 1991 sendo uma “marca” quando se lembra de Vila Nova. Segundo pesquisas, até um cinema a localidade já possuiu, na verdade uma pequena sala de projeção. 
E ultimamente, até uma Corrida de Rua vem sendo organizada com o nome do sub bairro, resgatando e mantendo o sentimento de pertencimento local.
E assim, Vila Nova se propaga na memória do bairro de Campo Grande, tendo sua própria corrida, com suas próprias histórias, seus espaços, seguindo seu caminho.


Ilustração: Elder Veríssimo Sodré. 
Algumas informações: Instagram cgmaiorbairrodoBrasil.


terça-feira, 17 de março de 2026

O Quilombo Dona Bilina

 

Espaços de resistência históricos, os quilombos foram formados por africanos e afrodescendentes no Brasil colonial e imperial. Atualmente, tratam-se de comunidades com forte identidade cultural e tradicional. 
Acima, um mapa dos roteiros do Quilombo Dona Bilina, no bairro de Campo Grande. 
O Quilombo Dona Bilina localuza-se na região conhecida como Rio da Prata, bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O local possui uma intensa relação com a comunidade situada ao sul do Maciço da Pedra Branca, devido a um grande contato comercial e social entre os moradores, formando laços parentescos.
O nome Dona Bilina homenageia uma rezadeira e parteira local, negra, lavradora, moradora do Vale da Virgem Maria. 
Desde o século XVI, a região presenciou a formação de grandes e pequenas propriedades rurais, relacionadas à agricultura de subsistência. Daí surgiu uma espécie de campesinato, de origem negra e mestiça, de relações interraciais, oriundos de condição escravizada, livre ou aforriados. Faziam parte também colonos de origem europeia e grande quantidade de indígenas. 
Através dos séculos, a comunidade foi formando uma identidade local, com ancestralidade, muito relacionada à terra e aos saberes passados de geração pra geração. 

Ilustrações: Carmen Paixão. Gibi "A aventura do jovem Apoema no futuro".

Imcentivado por esse aspecto de identidade local, a Associação de Agricultores Orgânicos da Pedra Branca (AGROPRATA) solicitou um pedido de reconhecimento do território como terra remanescente quilombola, comunidade mantedora de antigas tradições. Assim, o Quilombo Dona Bilina recebeu o certificado da Fundação Cultural Palmares, em 2017.
Famílias descendentes ainda hoje residem no território, produzindo, plantando, cuidando da terra, mantendo a cultura, sendo sinal de resistência, além de preservar a mata nativa com uma produção de base agroecológica. 

Informações, mapa e foto: Ecomuseu Quilombo Dona Bilina.