sábado, 25 de julho de 2026

A história da Primeira Igreja Batista de Campo Grande

 Até o início do século XX havia um predomínio, na questão religiosa, do catolicismo no bairro de Campo Grande, assim como em todo o Brasil. Vale ressaltar que a igreja Romana era a religião oficial do Brasil até a proclamação da República, em 1889.

A partir dessa data, começa a tomar força o surgimento de igrejas protestantes na Zona Oeste do Rio de Janeiro e em toda cidade. Nos primeiros meses de 1900, teve começo o Ponto de pregação, pela primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro. É nesse contexto que surge a Primeira Igreja Batista de Campo Grande. Na verdade, ela surge no bairro de Santa Cruz, por volta de 1901, como Ponto de pregação do "Curato de Santa Cruz ", se transferindo para o bairro vizinho em 1919. Em agosto do mesmo ano houve um desabamento do teto da loja, levando a igreja a transferir-se para uma casa em Campo Grande, onde já se pagava aluguel para um funcionamento de um ponto de pregação. 

A transferência da Igreja para Campo Grande consolidou-se em 09/08/1919, noticiada pelo Jornal Batista em 21/08/1919:

"Devido a certas circunstâncias, a Egreja Baptista de Santa Cruz transferiu temporariamente a sua sede para Campo Grande, na Rua Aurélio Figueiredo n°1. E nessa nova sede, o missionário D. F. Crosland de Minas, está dirigindo uma série de conferências evangelísticas ".

O endereço, Rua Aurélio Figueiredo n°1, funcionou como sede em caráter provisório. No local funcionaria mais tarde a COMLURB e a Estação Rodoviária de Campo Grande.

Um dos motivos para permanecer em Campo Grande é o fato de que a compra de uma propriedade em Santa Cruz era bem improvável, já que todas as terras pertenciam à União que com a proclamação da República, tornou-se a herdeira das terras que pertenciam à Família Real. Já as terras do bairro de Campo Grande não pertencera às Famílias Real e Imperial.
Em 1922 foi adquirida uma propriedade situada na parte mais central do bairro, sendo onde é até hoje, bem próximo onde havia a casa alugada.

Primeira Sede Própria inaugurada em 14/07/1924, à Rua Ferreira Borges, 54.

Em 1946 foi registrado o Estatuto que deu personalidade jurídica à Igreja, com o nome de Igreja Batista em Campo Grande. 

Segundo templo inaugurado em 28/03/1941, na mesma ocasião da consagração do Pr. Antônio Dutra Junior. 

Em 1954 foi proposta a organização do Ginásio Batista de Campo Grande, funcionando em prédio adequado na Rua Ferreira Borges, 54.

3° templo, Prédio do Colégio Batista de Campo Grande, construído de 1952 a 1953, cujo salão nobre e salas foram usados pela Igreja desde o começo. Na década de 1960, tornou-se o templo da Igreja. 

Em 1960 houve uma reforma e o nome mudado para Igreja Batista de Campo Grande.  Em 1979 acontece a segunda reforma do Estatuto, com a Igreja passando a denominar-se Primeira Igreja Batista de Campo Grande, como é atualmente. 

O mesmo prédio acima, que passou por um processo de reforma total e ampliação, para acomodar mais de 2000 pessoas.

Imagens e fonte consultada: A inusitada Trajetória de uma Igreja Centenária. Primeira Igreja Batista de Campo Grande,  Rio de Janeiro  - RJ - 1900 a 2012. Pr Gilson do Carmo Batista. Edição 1 - Ano 2012/RJ.


quinta-feira, 23 de julho de 2026

O ponto central do bairro de Campo Grande

 

Acima está uma imagem dos anos 1960 do considerado ponto mais central do bairro de Campo Grande: A confluência da Rua Coronel Agostinho com a Praça Raul Boaventura. À época, ainda não havia sido inaugurado o Calçadão de Campo Grande. 
A questão de ponto mais central do bairro tem relação com o grande número de firmas comerciais localizados nessa parte de Campo Grande já naquela época, em grande parte devido à proximidade com a estação de trem e por abrigar as linhas de bondes, com o comércio e serviços aumentando nas décadas seguintes, fazendo desse trecho, além de ser o mais central,  também o mais movimentado da região. 
Com relação à rua Coronel Agostinho, a mesma leva o nome de um comerciante, fazendeiro e chefe da Guarda Nacional, muito respeitado e que residiu nesta rua por muitos anos. A via foi reconhecida oficialmente pelo decreto 1165 de 31 de outubro de 1917, inicialmente com o nome de Rua Tenente - Coronel Agostinho. Devido ao já citado grande número de firmas comerciais, foi inaugurado o Calçadão comercial, em 1976, um projeto do paisagista Burle Marx, consolidando o local como centro de Campo Grande. 

Imagem e fonte consultada: Campo Grande, Moacyr Sreder Bastos. 

sábado, 18 de julho de 2026

Os "dialetos " de Campo Grande

 

O bairro de Campo Grande possui muitas características, como ser o bairro mais populoso do Rio (segundo pesquisas, do Brasil), ter um passado de Zona rural, o Sertão Carioca, da produção de laranja 🍊, de cana de açúcar, de café, dos bondes 🚊, entre outras.
Porém, uma marca que também caracteriza o bairro é o linguajar próprio de seus moradores. Algumas frases são típicas da população local, e basicamente todos entendem de forma rápida. Vamos a alguns exemplos:
Quando alguém do bairro fala "Vou a Campo Grande " parece estranho, porque ele já está em Campo Grande. Na verdade ele quer dizer que vai ao centro de Campo Grande, que fica no Calçadão e adjacências. Também é comum o nativo dizer "Vou lá fora", quando está indo ao centro do bairro.

Por falar em Calçadão, quando a pessoa vai ao local, ela simplesmente fala "Vou ao Calçadão ", como se esse fosse o único existente no mundo.
Alguns moradores também costumam falar a palavra bonde pra algumas situações, como: "Me dá  um bonde aí", se referindo a uma carona; ou "Tá vindo o bonde", "Vou pegar esse bonde", se referindo a ônibus, vans ou algo parecido. Será porque no passado existiam bondes em Campo Grande?
Uma outra curiosidade do "dialeto " campograndense é com relação ao centro. Quando alguém em Campo Grande vai ao centro da cidade, por exemplo, ele pode dizer" Vou descer"; "Vou lá embaixo", ou simplesmente "Vou ao Centro". Em alguns casos, "ir ao centro" pode ser ir ao centro do bairro também. 
Uma outra questão é a "divisão " que o bairro apresenta. Me refiro a uma linha férrea que separa o bairro em duas partes. Aí é muito comum a pessoa falar "Vou do lado de lá" ou "Eu moro do lado de cá",  referindo-se aos lados separados pela linha do trem. Mas na verdade o "lado de lá " e o "lado de cá" depende do ponto de vista de quem fala.


E assim o campograndense raiz vive seu dia a dia, com todos se entendendo perfeitamente, literalmente falando a mesma língua. 
E você, cria de Campo Grande, conhece mais alguma frase típica dos moradores do bairro?
Escreva aí nos comentários.