domingo, 21 de agosto de 2016

Campo Grande nas Olimpíadas

   FOTO (Fonte): Face Centro de futebol Valdir Bigode

   O bairro de Campo Grande inscreveu seu nome na história ao protagonizar a passagem da Tocha Olímpica da Rio 2016. O símbolo dos Jogos Olímpicos foi conduzido por ruas do bairro, partindo do Centro Esportivo Miécimo da Silva, passando pela Estrada do Cabuçu, seguindo até a Esquina do Pecado, partindo para a Avenida Arthur Rios, indo em direção ao bairro de Bangu.
    O fogo simbólico foi conduzido por pessoas ligadas ao Centro Esportivo, (considerado o maior Complexo da América Latina), como a coordenadora de atletismo e uma aluna de ginástica rítmica e artística, além de personalidades da região, como o ex-jogador Valdir, formado no Campo Grande Atlético Clube.
    Devido à passagem da Tocha, um esquema de segurança foi organizado, com interdições de vias, policiais posicionados e um comboio de apoio. Porém, mesmo com protestos, os quais são válidos, prevaleceu o clima olímpico, que pôs o bairro no centro das atenções do mundo.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Campo Grande em reflexão

    Quem passa por Campo Grande, na altura das Estradas das Capoeiras e Mendanha, próxima ao West Shopping, provavelmente já se deparou com algumas placas e dizeres curiosos, assinados por João Menecê. Este é um artista plástico que faz placas e as divulga no Largo das Capoeiras, no bairro da Zona Oeste do Rio. Suas placas e artes tem como características mensagens críticas, reflexivas e até sarcásticas, direcionadas à ética, comportamento, política, atualidade, entre outras.
    Normalmente, as placas são trocadas em um determinado período, sempre de cunho social, com o custo de suas obras saindo de seu próprio bolso.
    Segundo o próprio, "deveria haver nas favelas uma invasão de tropas de médicos e professores, e não de policiais".
    Assim, o crítico artista plástico faz de seus painés uma verdadeira tribuna livre, expondo suas preocupações, indagações, críticas, alertando o cidadão sobre seus compromissos com a comunidade e o meio onde vive.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Música de Campo Grande

    O bairro de Campo Grande orgulha-se quando o assunto é música. Nascido em Portugal e radicado no bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, o compositor Adelino Moreira, autor de alguns sucessos como a "A volta do boêmio", "Negue" e "Fica comigo esta noite", é homenageado com uma escultura na Rua Barcelos Domingos, como mostra a figura acima.
    Grande parte de sua obra foi gravada por Nélson Gonçalves, além de outros cantores. A música "Negue", em parceria com Enzo de Almeida Passos, foi sua composição que teve mais regravações.
    Adelino e sua família residiram na Estrada do Monteiro (o local hoje é conhecido como sub-bairro Adelino) assim que chegaram de Portugal, e no mesmo bairro, em 2002, faleceu de um infarto enquanto dormia em sua casa.

domingo, 10 de julho de 2016

Do "profano" ao "sagrado": o fim do Cine Palácio

    Inaugurado em 1962, o Cine Palácio Campo Grande, que fechou suas atividades em 1990, significou durante esse período uma grande opção de lazer para a população do bairro  e adjacências. Localizado na Rua Augusto Vasconcelos, próximo ao calçadão e à estação ferroviária, o cinema ficava em um ponto geográfico estratégico no bairro, contribuindo para o acesso da população de áreas vizinhas, como Cosmos, Inhoaíba, Santíssimo, entre outras.
    Durante décadas, o cinema, que foi considerado o maior do Rio, exibiu muitos filmes de variados gêneros, como os dos Trapalhões e Uma Linda Mulher, último filme exibido no Cine.
    Tombado como patrimônio cultural do município, o prédio manteve a sua forma, mas mudou sua função, passando a funcionar como Igreja Universal do Reino de Deus, após o fechamento do cinema. Essa foi uma tendência no Rio de Janeiro a partir das décadas de 1980 e 1990: o fim de muitos cinemas de rua, dando espaço para os cinemas localizados nos shoppings-centers.

sábado, 25 de junho de 2016

Torneio Campo Grande

Foto Fonte: Face Campusca Cgac

    A foto acima remonta à época que era disputado o Torneio Campo Grande, com participações de clubes que faziam parte da série rural (Zona Oeste). O torneio tinha o patrocínio do Departamento autônomo, e contava com alguns dos seguintes clubes: Campo Grande A C, Oriente Atlético Clube (Santa Cruz), Clube Oiti, Distinta Atlético Clube, entre outros.
    O Departamento autônomo foi criado em 1949, sendo um departamento de futebol do Rio de Janeiro, que substituiu a Federação Atlética Suburbana. Os clubes eram amadores e assim disputavam competições à parte.
    O Oriente, clube de Santa Cruz, foi o maior conquistador de títulos do Departamento autônomo da Federação de Futebol, com sete taças. O Campo Grande Atlético Clube, antes de se inscrever na Federação Estadual de futebol do Rio de Janeiro, disputou o departamento autônomo, faturando os títulos de 1953 e 1959.
    Um confronto que chamou a atenção ocorreu em 1957, entre o Oriente e o Campo Grande, com as duas equipes formadas por grandes jogadores. Foram três partidas decisivas, disputadas no campo do Bangu. As duas primeiras terminaram empatadas: 1x1 e 2x2, respectivamente. A terceira foi vencida pelo Oriente que se sagrou campeão daquele ano.

terça-feira, 14 de junho de 2016

A pista de skate de Campo Grande

FOTO DA PISTA DE SKATE DE CAMPO GRANDE NOS ANOS 1980
 Fonte: Reprodução da Revista Overall - Adrenanews - Portal de todas as tribos.

    Inaugurada em 1979, a pista de skate de Campo Grande, localizada na Praça Marechal Edgard do Amaral, já foi considerada uma das maiores e mais modernas pistas da modalidade da América Latina. A pista já recebeu nomes renomados do esporte, campeonatos, como a Copa Nescau, etapas do circuito nacional de skate, além de bandas alternativas e outras de certo renome.
    Infelizmente, o local, por muito tempo, se encontrou  com pouca iluminação, sujo, com pouquíssima infraestrutura para a prática do esporte, além, segundo moradores da região, apresentando índices relevantes de assalto.
 
    Porém, em 2016, a Pista de Skate, que foi testemunha do surgimento do movimento punk rock no Rio de Janeiro, com a banda Coquetel Molotov, foi reinaugurada e revitalizada, com aspecto renovado. A Pista abriga uma feira de artesanato em determinados sábados, além de ser possível presenciar uma certa colaboração com iniciativas ambientais por parte de moradores e frequentadores. 
    Depois da reinauguração, o local voltou a ser mais frequentado, mais procurado, tentando voltar aos seus dias de glória.
    

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dos Jesuítas a Campo Grande

    Antes da Freguesia Rural de Campo Grande começar a prosperar, sua ocupação foi influenciada pela antiga Fazenda dos Jesuítas, em Santa Cruz, bairro próximo, praticamente vizinho. Nesta fazenda desenvolveu-se, inicialmente, o cultivo da cana-de-açúcar e a criação de gado bovino. O trabalho dos jesuítas foi de extrema importância para o desenvolvimento do Rio de Janeiro. Além das obras de engenharia que realizaram, como a abertura de canais e a construção de diques e pontes para a regularização do Rio Guandu, o escoamento dos produtos da Fazenda Santa Cruz, oriundos do cultivo da cana-de-açúcar e da produção de carne bovina, era feito através da Estrada Real da Fazenda de Santa Cruz, que ia até São Cristóvão e se interligava com outros caminhos e vias fluviais que chegavam até o centro da cidade.
    Fróes e Gelabert (2004:38) relatam sobre o assunto:
    "Necessitando melhorar as condições daqueles caminhos, única ligação com a sua grande fazenda estabelecida em Santa Cruz, em terras recebidas na Guaratiba, os jesuítas, aproveitando parte dos primitivos caminhos que por nós aqui foram delineados, abriram uma estrada que, depois da vinda da família Real para o Brasil, em 1808, recebeu o nome de Estrada Real de Santa Cruz."
    Assim, a Estrada Real de Santa Cruz foi uma boa opção de penetração do sertão, sendo a atual Avenida Cesário de Melo, parte integrante da antiga estrada.
    Um dos símbolos dessa época é a Ponte dos Jesuítas, localizada no bairro de Santa Cruz. Esta foi construída com a finalidade de regular o volume das águas das enchentes, além de facilitar a ligação do bairro com outras fazendas, sendo uma ponte-represa.
    Concluída em 1752, a ponte possui quatro arcos, pelos quais passavam as águas do Rio Guandu. Por meio de comportas, essas eram controladas, sendo retidas ou liberadas conforme a ocasião.
    A ponte é constituída por colunas de granito, com esculturas barrocas, apresentando um tipo de brasão com o símbolo da Companhia de Jesus (IHS) e a data de 1752 com uma inscrição em latim clássico: "Flecte genu, tanto sub nomine, flecte viator Hic etiam reflua flectitur amnis aqua". "Dobra o joelho sob tão grande nome, viajante. Aqui também se dobra o rio em água fluente".