quinta-feira, 12 de março de 2020

Campo Grande nos dias atuais desde 1980

   A imagem acima pertence ao Jornal Patropi, sendo uma charge, criticando os problemas encontrados no centro de Campo Grande, mais especificamente a Rua Campo Grande, como trânsito, buracos, vendedores quase invadindo as ruas, entre outros. 
     Nenhuma grande novidade para os moradores do bairro, certo? A questão é que a imagem é de 1980. Ou seja, naquele ano, os problemas que o bairro enfrenta hoje já eram comuns. 
     Constata-se então que os problemas tipicamente urbanos de Campo Grande são de longa data, ficando mais intensos com o passar do tempo, com o aumento da população, do comércio e do número de automóveis.
     Assim, desde que começou a perder atmosferas rurais, em meados do século XX, o bairro da Zona Oeste começou a presenciar as características do progresso. Mas sem ordem, até porque: "Desde quando poluição é progresso? Desde quando progresso é melhor? Acho melhor começar tudo de novo do que acabar pela primeira vez."
     Então, Campo Grande passa por uma evolução, revolução ou involução? Eis a questão.

Fonte da imagem: Jornal Patropi, 1980.
Trecho da música "Desde quando", dos Engenheiros do Hawaii. 

terça-feira, 10 de março de 2020

Os "nativos" do Maciço da Pedra Branca

     Abaixo uma reportagem exibida no Programa Domingo espetacular, da TV Record, mostrando a vida isolada dos agricultores do Rio da Prata, no Maciço da Pedra Branca. 
     Trata-se de famílias descendentes de indígenas (principalmente Picinguabas), de escravos e até portugueses que vivem na localidade, sem luz elétrica, num ambiente que lembra o século XIX.



     Confiram:

segunda-feira, 9 de março de 2020

Antes do West Shopping

    Abaixo, um trecho de meu livro "A criação de um subcentro em Campo Grande": "Com a criação do West Shopping, em 1997, começou a ter uma saída do foco comercial e econômico do centro de Campo Grande, que continua exercendo poder sobre o bairro. O local onde hoje se encontra o Shopping foi um loteamento vazio, em frente à Estrada do Mendanha, no qual a ECIA concretizou seu próposito de construção em 1997".
     Além de ter sido um loteamento vazio, como aponta o livro, o local onde hoje se encontra o primeiro shopping de Campo Grande, segundo moradores, era um certo "pântano", mas que de vez em quando recebia parques e circos. Num desses, integrantes dos Trapalhões, que fizeram muito sucesso nos anos 1980, marcaram presença no local, agraciando o público presente daquele terreno que mais tarde seria o West Shopping.
   Na foto, pertencente a José Luciano Silva, é possível perceber o saudoso Mussum e seu companheiro Dedé Santana. Eram os Trapalhões no futuro West Shopping.

Foto: gentilmente cedida por José Luciano Silva.
     

domingo, 8 de março de 2020

A inclusão feminina do Campusca

    Oito de março. Dia Internacional da mulher. Ainda nos dias de hoje, a mulher luta incessantemente por direitos básicos, respeito, salários justos, inclusão, em todas as esferas da sociedade, inclusive no esporte. E no futebol não é diferente.
     Felizmente, hoje já acompanhamos mais as meninas nos gramados, mas o futebol feminino no Brasil ainda engatinha. Vale lembrar que o esporte foi proibido para as moças durante décadas. 
     E o Campo Grande Atlético Clube, o Galo da Zona Oeste, se orgulha por ter sido um dos pioneiros a abrir as portas e incentivar a prática do futebol feminino no clube. 
     Abaixo, uma reportagem do Jornal Patropi, de 1983, constata o fato:

    A reportagem cita a preparação para o primeiro campeonato carioca feminino, com o Campo Grande "recrutando" jogadoras interessadas na novidade.  Segundo a reportagem, "Todas as jogadoras são federadas mas nenhuma contratada. 'O futebol feminino é amador..."
     Ainda segundo as informações do Jornal, a rotina das jogadoras era a seguinte: "As meninas, de idade oscilante entre 15 e 27 anos, treinam diariamente assistidas pelo técnico José Carlos e pelo preparador físico Ubiratan da Silva. Na segunda-feira é dia de exercícios na piscina, na terça e quarta coletivo no campo do Oiti, na quinta física e na sexta-feira treino-apronto (recreação)". 
    E quando indagadas sobre o que poderia mudar na vida delas: "E as suas vidas particulares: namorados, escolas, trabalhos, como ficam? Todas respondem categoricamente que nada mudou, que o fato delas praticarem um esporte até há pouco tempo considerado apenas para homens não as tornaram marginalizadas perante aos outros".
     Ainda no Jornal, uma charge brincando com o momento de início de mudança da inclusão das mulheres no futebol:

     E assim o Campo Grande contribuiu para a inclusão das mulheres no futebol, numa época em que esse tipo de atitude era pouquíssimo aceito pela sociedade machista. E para coroar essa iniciativa do Campusca, o clube, bem mais tarde, sagrou-se campeão carioca feminino por duas vezes, em 2004 e 2008. Mais uma grande conquista do Campo Grande Atlético Clube. 

Fonte consultada: Jornal Patropi, 1983.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Marcelo Yuka: filho eterno de Campo Grande

   " No fim da tarde, as mulheres começavam a varrer a calçada, repetindo o que já haviam feito pela manhã. Depois se concentravam nos portões, botavam as cadeiras na calçada e ficavam de papo, vendo as crianças brincando na rua. Era uma forma de receber os maridos que voltavam do trabalho. Eu via essa ciranda e adorava: a chegada dos pais. Não para mim, que só ia vê-los às dez da noite. Mas a maioria sentia essa energia, o que acabava juntando todo mundo".
     A cena descrita acima é de Marcelo Yuka, músico que fez sucesso no grupo O Rappa, presente no livro "Não se preocupe comigo - Marcelo Yuka", por Bruno Levinson.
     Na obra citada é abordada, além de outros fatos, a infância do baterista em Campo Grande, o qual descreve-o com ares quase "bucólicos", familiar, com pessoas conversando e crianças brincando nas calçadas, típico como ele mesmo relata, um "subúrbio dos sonhos".
     A Rua Vitor Alves é mencionada da seguinte forma: "Minha tia mora no mesmo lugar até hoje: Rua Vítor Alves". E também ressalta as mudanças pelo qual o bairro estava passando naquele momento, final dos anos 1960 e início dos anos 1970: "Mas naquele momento, aquela área de Campo Grande passou a ter outra opção de vida, além do campo e do comércio local: começou a virar uma cidade-dormitório, os pais saindo cedo para trabalhar e voltando para casa à noite". Além disso, "Nessa época, na comunidade em que viviam, o máximo para a mulher era ser normalista. Estudar significava ter que sair de Campo Grande rumo ao centro da cidade, fazer uma prova de admissão e pegar trem. Era uma coisa de poder feminino", ressaltava o músico.
     E o restante do livro continua contando a trajetória e a vivência do (como ele mesmo se definia) tímido músico, de letras reflexivas, que abordavam temas sociais, políticos e afins, que, infelizmente, foi mais uma vítima da violência urbana em novembro de 2000, o deixando, como ele mesmo afirmara: "Sonho de ninguém comporta a realidade de ter virado um aleijado".
     De Campo Grande, Yuka saiu para o "mundo", como Angra dos Reis, Baixada Fluminense, os grupos O Rappa e o F.U.R.T.O., até infelizmente vir a falecer em 18 de janeiro de 2019, sendo enterrado no cemitério de Campo Grande, seu bairro de origem. 
     Sem dúvida alguma, mais um ilustre cidadão do bairro da Zona Oeste que deixou seus nome e obra gravados nessa vida passageira. "A minha alma tá armada e apontada para a cara do sossego".

Foto: Yuka brincando com os vizinhos em Campo Grande. Fonte: Acervo especial

Foto: Yuka no Colégio Augusto Vasconcelos, em Campo Grande. Fonte: Mônica Imbuzeiro. Ag. O Globo.

Foto: Yuka na Pista de Skate de Campo Grande. Fonte: Mônica Imbuzeiro. Ag. O Globo.

As duas últimas fotos pertencentes ao Caderno Zona Oeste do Jornal O Globo. 

Todas as fotos retiradas do livro "Não se preocupe comigo - Marcelo Yuka". 
Artigo baseado no mesmo livro.



quinta-feira, 5 de março de 2020

Entrevista da Capela Magdalena em Guaratiba

    Abaixo um programa exibido no RJ TV sobre a Capela Magdalena, localizada em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. 
      O programa mostra os atrativos do local pertencente ao músico Roberto de Regina, grande cravista brasileiro, como a paisagem, um museu de miniaturas de carros, castelos e outros, música tocada num cravo pelo próprio Roberto, entre outras atrações.




domingo, 1 de março de 2020

O Vasquinho do Tingui

   Desde pequeno já era um ser apaixonado por futebol. Além de gostar de ver os jogos pela TV, também era viciado em jogar minhas "peladas", "altinhos", "chute a gol", no campo, na rua, na varanda de minha casa, nos fundos do quintal de algum amigo e onde mais tivesse espaço (ou não). Até no muro de vizinhos era comum eu e meus colegas ficarmos incomodando com nossos chutes. 
     Nessa época acompanhava muitos jogos também pelo rádio, já que não existia essa facilidade de ver vários jogos televisionados como hoje em dia. Ah, que saudade da narração do José Carlos Araújo dizendo "Atirou...entrou", com a voz saindo de um rádio de pilha de meu saudoso pai!
     Vascaíno igual meu pai, possuía algumas camisas de meu time de coração, e foi aí que comecei a ter uma ideia de montar um time com os amigos de minha rua para marcarmos um "time contra" com os meninos das outras ruas. E aí batizamos nosso time carinhosamente de "Vasquinho", devido ao jogo de camisas ser do time da Cruz de Malta, mesmo com muitos flamenguistas fazendo parte. Lembrando que não era com onze jogadores, mas no máximo de seis ou sete, com numerações aleatórias e algumas camisas tendo o número pintado por canetinha. Não precisava nem dizer que depois dos jogos o número não existia mais, né?
     Porém, sem saber, na localidade do Tingui à época de minha infância (entre as  décadas 1980/1990), existia um time de pelada conhecido como "Vasquinho do Tingui". Era comum naquele tempo ocorrer torneios nos chamados sub bairros de Campo Grande, com muita rivalidade e jogos acirrados, no Tingui, no Corcundinha, em Vila Nova e em vários outros pontos.
     

Foto: Internet

   A imagem acima mostra o Vasquinho do Tingui, apresentando um jogador que despontou no cenário do futebol brasileiro: o atacante Guga. É o segundo em pé da direita para a esquerda.
     O jogador, que morou nas localidades do Tingui e Oiticica, começou carreira na década de 1980, atuando em clubes como Atlético Mineiro, Flamengo, Internacional de Porto Alegre, Inter de Limeira, Goiás, Botafogo, entre outros, se destacando no Santos, pelo qual foi artilheiro do campeonato brasileiro de 1993. Também atuou em clubes fora do Brasil, no Japão e na Arábia Saudita, encerrando carreira na década de 2000.
     Ah, e é claro, em seu currículo também está o Vasquinho do Tingui, mesmo que de forma amadora, e mesmo que não tenha sido o meu Vasquinho.

Informações sobre o Vasquinho do Tingui: Professor Absai Leite.