sexta-feira, 7 de junho de 2019

Campo Grande através dos tempos

    Mapa Campo Grande (anos 1960).
     Fonte: Livro Campo Grande, de Moacyr Sreder Bastos. 

    O atual bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, já fez parte da então Zona Rural e do chamado Sertão Carioca. Quando começaram os primeiros povoados, já datando século XVI, segundo alguns pesquisadores, a extensão da localidade era muito maior, com a região sendo chamada de "O Campo Grande ", indo muito além dos limites do atual bairro. 
      Após, veio a criação da Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, com a data divergindo entre pesquisadores, em que alguns apontam 1673, e outros, 1755 ou 1757. Com o passar do tempo, houve outros desmembramentos feitos na freguesia do Campo Grande, sendo criadas duas novas: a de São Sebastião e Santa Cecília (Bangu) e de Nossa Senhora da Conceição de Realengo. Assim, o então prefeito Amaro Cavalcanti estabeleceu em 1917 os limites do "povoado" de Campo Grande:
          " Pela Estrada da Caroba, a partir da Estrada das Capoeiras, Estrada do Rio do A, - Estrada de Santa Cruz até a Estrada do Juary, por esta estrada até o denominado "Caminho dos Defuntos", por este caminho até a Estrada de Santa Cruz; por esta estrada até a do Monteiro, por esta última até o Kilômetro 2 da Ferro Carril, existente nesta estrada... pelo denominado caminho do Cemitério até a Estrada de Santa Cruz, ainda por esta estrada até a do Rio do A, por esta última estrada até a das Capoeiras, por esta última até o ponto de partida acima mencionado ".
        (Boletim da prefeitura (de julho a dezembro) - Poder Executivo, n°2, pg. 286/287).

         Já nos anos 1960, Campo Grande passa a ter a configuração do mapa acima, limitando -se a leste, com Jacarepaguá e Bangu; ao norte, com o Estado do Rio de Janeiro (Lembrando que à época, Campo Grande pertencia ao Estado da Guanabara); Oeste, com Santa Cruz; e ao sul, com o Ocenano Atlântico.
       Percebe-se algumas localidades que hoje são bairros, à época pertencentes a Campo Grande, o que explica o contato com o oceano, incluindo a Praia da Barra de Guaratiba, Praia do Grumary e a Praia de Pedra de Guaratiba. A foto abaixo constata o fato citado:

  Imagem. Fonte: Livro Campo Grande, de Moacyr Sreder Bastos. 
      
      Com o passar das décadas, Campo Grande seguiu sua evolução, reduzindo seu espaço, apresentando uma nova configuração territorial, mas continuando como um dos principais bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

Fontes consultadas: 
Nossa Senhora do Desterro. A história de uma freguesia do Arcebispado do Rio de Janeiro revista e documentada. José Nazareth de Souza Fróes. 2006.
Campo Grande, Moacyr Sreder Bastos. Segunda edição. Editora Campo Grande Ltda.

       

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Poema sobre Campo Grande


Acima, texto poético sobre o bairro de Campo Grande, de minha autoria, chamado "Campo tempo Grande ", recitado em Paciência, num evento denominado "A banca dá poesia".


segunda-feira, 3 de junho de 2019

As meninas do Campo Grande

    O mês de junho de 2019 foi mais uma data em que tivemos a oportunidade de acompanharmos  a seleção brasileira de futebol, dessa vez na Copa América, aqui no Brasil. Mas foi só isso? Claro que não! Nessa mesma época, tivemos também  a oportunidade de vermos a nossa seleção feminina na Copa do Mundo de futebol, realizada na França.
       É notório a visibilidade que o futebol feminino vem ganhando nas últimas décadas, inclusive no Brasil,  mesmo que por aqui ainda esteja longe do ideal. Mas mudanças já aconteceram, a começar que a prática já foi algo proibido no país, no período de 1941 a 1983.
           No Rio de Janeiro, o campeonato carioca feminino começou a ser disputado justamente em 1983. No decorrer dos anos houve algumas interrupções e organizadores diferentes, mostrando os desafios que a categoria enfrenta até hoje, como pouco patrocínio, falta de visibilidade, entre outros. 
           Porém, um ponto de orgulho da Zona Oeste aparece nessa história: o Campo Grande Atlético Clube. No futebol masculino, o galo da Zona Oeste se glorifica até hoje pelo título da Taça de Prata, conquistado em 1982. Entretanto, pouca gente sabe que o Campusca possui outro orgulho no futebol: o clube foi campeão carioca feminino por 2 vezes. A primeira em 2004, e a segunda em 2008, batendo o Volta Redonda (1x1 e 3x1), sendo vice-campeão em 1996. Além disso, o futebol feminino do Campo Grande levantou a Taça Cidade de Nova Iguaçu em 2012. É com certeza um motivo de honra, de brio para torcedores do Campo Grande e moradores do bairro, mesmo que, infelizmente, para  alguns, as conquistas citadas não sejam relevantes. 

Abaixo, algumas fotos de conquistas do futebol feminino do Campo Grande Atlético Clube. Fotos cedidas gentilmente por uma ex-jogadorora do clube, Val Valserpa. 




      Isso constata que o Campo Grande segue a evolução do empoderamento feminino, resistindo às adversidades, representadas também no futebol.

sábado, 1 de junho de 2019

Em nome da memória de Campo Grande

    Mais de dois anos se passaram e a homenagem a uma das figuras mais importantes do bairro de Campo Grande continua sem reposição: Freire Alemão.
      O vídeo abaixo, gravado pelo Coletivo Ideias no início de 2018, continua querendo respostas das autoridades em busca de uma solução para o fato, que no caso seria uma reposição de um monumento que homenageia o botânico e médico que nasceu e morreu em Campo Grande. 
        Não se trata somente da perda de um monumento, mas sim da identidade e da memória do cidadão campograndense e de toda Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Minha velha infância

Foto: Arquivo pessoal 

    A foto acima remete aos anos 1980, rua Taufik Dib, sub bairro Corcundinha, em Campo Grande. A casa em questão é de minha família, na qual residi por 27 anos.
    Percebe-se à época a rua ainda de terra, com o asfalto chegando entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Lembro-me que autoridades visitaram a localidade para organizar o asfaltamento e manilhamento, sendo um "evento" para os moradores.
    Ainda está bem fresco em minha memória algumas brincadeiras em que praticava nesse cenário,  como os jogos de bola de gude e as "corridas de chapinhas", as quais desenhávamos a pista no chão de terra batida e conduzíamos as mesmas com petelecos.
    Após o asfalto, um outro benefício chegou: linhas de ônibus começaram a circular no local, dando enfim novos ares ao sub bairro.
     Uma outra lembrança dessa época de transformação em meu lugar também tem ligação com a chegada do asfalto: como minha casa ficava em uma pequena elevação,  assim que foi implantado o asfalto, o mesmo foi palco de "desfiles" dos tradicionais carrinhos de rolimã, com um barulho provocado pelas rodas que durava boa parte da noite.
       E assim foi um momento de minha infância, que ainda guardo muito vivo em minha memória. E a localidade continua seguindo seu rumo, os ônibus não circulam mais, porém o asfalto continua, sendo palco das idas e vindas, da passagem de um transeunte que está sempre entre nós: o tempo.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Quem foi Manoel Mendes Branco?

    Quem passa próximo à subida do Viaduto Alim Pedro, em Campo Grande, ao olhar para o jardim de mesmo nome, localizado no "pé" do citado viaduto, tem a oportunidade de observar um monumento que homenageia uma figura muito importante da região: Manoel Mendes Branco.
     Filho de José Gonçalves Branco e Joaquina Mendes Branco, Manoel Branco nasceu no dia 14 de setembro de 1898, em Guimarães, Portugal, e faleceu no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro, em 23 de novembro de 1960. Chegando ao Brasil, residiu no bairro de São Cristóvão. Mais tarde, foi morar em Campo Grande, trabalhando numa carpintaria e marcenaria na Rua Coronel Agostinho, atual Calçadão de Campo Grande. 
     Manoel Branco abriu seu próprio negócio, uma casa funerária e com artigos religiosos. No mesmo bairro, conheceu Farides José Audi, uma libanesa cujos pais não aprovaram o relacionamento, fazendo, inclusive, a filha ir para a Argentina. Mas, como nos filmes de romance, depois de se comunicarem por cartas durante um certo tempo, o casamento foi contratado, sendo destaque num jornal local, ocorrendo em 25 de outubro de 1924, na Igreja de Nossa Senhora do Desterro. E o casamento saiu depois de uma ajuda providencial de outra figura conhecida no bairro, amiga do casal, que hoje dá nome à uma rua em Campo Grande: Olinda Ellis.
     Manoel Branco se destacou no bairro por tornar-se um dos principais organizadores de festas populares de grande significado,  como a de Santo Antônio, na curva do Matoso; a da igreja de Santana, nas Capoeiras, entre outras, além da questão de fogos de artifícios (pirotécnico). Conseguiu também, para seu compadre Comendador Serafim Sofia, a imagem de Santa Sofia, da qual o comendador era devoto.
      Em sua trajetória, colaborou muito também em outras esferas culturais, como na música, no esporte, na religiosidade (com destaque para a festa de Nossa Senhora de Fátima Peregrina, marcante em Campo Grande), na arte, ajudando inclusive o teatro Rural do Estudante, hoje a Lona Cultural Elza Osborne. 
      Por essas e outras, uma rua no sub bairro de Vila Nova, em Campo Grande, recebe o seu nome, e um busto (depois de reinaugurado) segue imponente na subida do Viaduto, homenageando mais um "filho" querido do bairro.

Foto: Carlos Eduardo de Souza 
Fonte consultada: As histórias dos monumentos do Rio. Blogspot.com.
Artigo baseado em informações fornecidas por Thereza Audi Branco Serra, filha de Manoel Branco. 

terça-feira, 21 de maio de 2019

A Rua Augusto de Vasconcelos

     Localizada no chamado centro de Campo Grande,  a Rua Augusto de Vasconcelos é uma das mais conhecidas do bairro da Zona Oeste. Numa extensão que chega a "cortar" a Avenida Cesário de Melo, nesta rua localizam-se importantes pontos da região, como parte da igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro, o Corpo de bombeiros, o mercado São Braz e o Hospital Rocha Faria, além de já ter "abrigado" a saudosa Silbene, o Cine Palácio (hoje Igreja Universal) e o tradicional colégio Belisário dos Santos (atualmente estacionamento).         O nome da rua é uma homenagem ao senador Augusto Vasconcelos, que nasceu em Campo Grande, no dia 05 de abril de 1853. O mesmo formou-se em medicina, sendo destaque, inclusive, no bairro. Em 1897 foi eleito deputado federal pelo então Distrito Federal, tornando-se senador em 1906, vindo a falecer em 10 de dezembro de 1915.
     Segundo moradores do bairro, o Hospital Rocha Faria, antes de ser inaugurado, foi uma casa do senador Augusto de Vasconcellos. Inclusive, terras atrás do hospital foram loteadas e vendidas por Vasconcelos. Ainda segundo moradores, Augusto de Vasconcellos chegou a morar no prédio da antiga sede do Colégio Belisário dos Santos.
       Assim como todo o bairro, a rua foi se modernizando, perdendo os ares bucólicos e rural, com seus pés de jenipapos e residências sendo substituídos por comércio e serviços, acompanhado pelo frenético ritmo dos automóveis e transeuntes.
      Abaixo, um resquício da época de casas residenciais da rua, misturado com o presente encarnado em uma agência bancária.  

Foto: Carlos Eduardo de Souza. 
Fonte consultada: Abranches, J. governos; Leite Neto, L. Catálogo biográfico.