sexta-feira, 17 de maio de 2019

Catolicismo e espiritismo: vizinhos em Campo Grande

    Quem passa pela Rua Amaral Costa, no centro de Campo Grande, tem a oportunidade de presenciar dois endereços religiosos diferentes, porém bem próximos. De um lado da rua, ocupando um terreno bem extenso, está a Matriz de Campo Grande, a igreja de Nossa Senhora do Desterro, a mesma que é um símbolo histórico do bairro, sendo considerada a "gênese" de Campo Grande. Do outro lado da rua, menor mas não menos importante, encontra-se o Centro Espírita Discípulos de Jesus, com a "casa" datando de 1927. Segundo pesquisas, o Centro Espírita data de 08 de abril de 1923, inicialmente localizado na Rua Viúva Dantas, "migrando" posteriormente, em 1927, para o atual local, após receber uma doação de terreno.
    Os espíritas não consideram o centro espírita uma igreja, mas nem por isso seria errado de afirmarmos  que temos um encontro de dois terrenos "sagrados", separados apenas por uma rua. 
   No local, assim como em outros centros espíritas, são oferecidos cursos, encontros para estudo, palestras, além da evangelização (aulas de espiritismo para as crianças), e a mocidade espírita, as quais é possível, inclusive, o transeunte observar  crianças e jovens cantando num clima muito harmonioso.
    Sendo um dos preceitos dos espíritas o amor, é sempre legal vermos diferentes religiões próximas fisicamente, mas principalmente, próximas na tolerância mútua.

Fotos: Carlos Eduardo de Souza

sábado, 11 de maio de 2019

O "município" de Campo Grande

    O estado da Guanabara, ou cidade-estado da Guanabara, foi uma unidade política que existiu de 1960 a 1975, quando houve a fusão com o antigo estado do Rio de Janeiro.
    O citado estado consistia no atual município do Rio de Janeiro, que até então era Distrito Federal, capital do Brasil. Com a transferência da capital para Brasília, a cidade do Rio transformava-se em estado da Guanabara.
    Abaixo, um mapa ilustrando um projeto para o "novo" estado da Guanabara, sendo considerado o primeiro anteprojeto de constituição do novo estado. Elaborado pelo general Delmiro de Andrade, o trabalho sugeria a Guanabara composta por 8 municípios, entre alguns, São Sebastião, que seria a sede do governo; Copacabana, abrangendo os bairros da Zona Sul; Madureira, envolvendo Realengo, Bangu e bairros próximos, e entre outros, o de número 5, Campo Grande.
    Assim, segundo o projeto, pode-se concluir que Campo Grande, antes de receber o título honorário de bairro-cidade,  em 1968, já era "considerado" um município.

    Fonte "O Jornal" de 3 de janeiro de 1960.
    Artigo baseado em informações do Face Memória Carioca Rio de Janeiro em fotos e vídeos antigos, postado por Celso Frederico Lago.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Do Havaí para Campo Grande

    O Jornal Meia Hora, data de 10/05/2019, publicou uma pequena nota, porém de grande relevância, sobre uma figura com uma história de coragem extrema: São Damião de Molokai. 


    Nascido na Bélgica em 03 de janeiro de 1840, foi batizado como Josef Van Veuster. Padre missionário, foi enviado em missão ao Havaí, onde ajudou a população local e construiu uma igreja.
    O arquipélago foi atacado por uma epidemia de lepra, com as pessoas contaminadas sendo enviadas para ficarem isoladas na ilha de Molokai, no mesmo arquipélago, a qual era uma verdadeira sentença de morte, num cenário que nada perdia para os filmes que retratam proliferação de vírus, ataques de zumbis e afins. 
    Pois foi para exatamente neste local apocalíptico, com doentes embriagados, gemidos e cães comendo cadáveres, que Damião de Molokai solicitou ser enviado. Lá, construiu uma igreja, uma enfermaria, escola e casas.
  Depois de um período, acabou acontecendo a lógica: contraiu lepra, vindo a falecer em 15 de abril de 1889. A festa litúrgica é comemorada no dia 10 de Maio. No Havaí, no dia 15 de abril.
    No bairro de Campo Grande não há igrejas dedicadas a São Damião de Molokai,  porém, no átrio da igreja Matriz do bairro,  Nossa Senhora do Desterro, há figuras dedicadas ao santo, além de mais imagens na sala devocional da Paróquia e na capela ao lado do templo.
    A ligação entre o santo e a Desterro é que ele é o único Santo da congregação dos Sagrados Corações de Jesus, entidade essa que administra a Matriz de Campo Grande, desde 1932.
    Damião foi beatificado em 1995 e canonizado em 2009.

    Imagem que encontra-se no templo de Nossa Senhora do Desterro, próxima à entrada.
    Foto: Carlos Eduardo de Souza. 

    Contribuição para o artigo: Deca Serejo. 
    

quarta-feira, 8 de maio de 2019

"E o futuro não é mais como era antigamente"

    As terras do atual bairro de Campo Grande foram no passado um grande conjunto de fazendas. A Fazenda das Capoeiras, por exemplo, segundo relatórios dos séculos XVIII e XIX, era considerada como uma das mais prósperas do então Sertão carioca. 
    Essas terras foram sendo adquiridas por meio de compras de datas de terra, pertencentes a sesmeiros. Era comum, dentro  dos limites dessas fazendas, como a das Capoeiras, os filhos e outros herdeiros criarem, para cada um, uma fazenda particular. Com isso, dentro dos limites da Fazenda das Capoeiras, existiam outras menores, como a Fazenda de Sant'Anna, Fazenda do Corcundinha, entre outras.
    Assim, aglutinando outras fazendas e sítios administrados por herdeiros e outros familiares, a Fazenda das Capoeiras acabou se transformando em uma verdadeira grande área de domínio ou propriedade em comum, mas com um detalhe: sem os devidos cuidados legais dos proprietários iniciais. Com o passar do tempo, isso acabou gerando grandes questões fundiárias, que se estendem até os dias atuais, principalmente com a especulação imobiliária.
    Abaixo, duas imagens, praticamente do mesmo local, em épocas distintas, retratam a passagem do tempo na região:
    A primeira, a mais antiga, refere-se à antiga venda do "Pau Picado", localizada na Fazenda de Sant'Ana do Tingui, no Largo das Capoeiras. Após ser vendida, foi demolida e erguido em seu lugar um depósito de material de construção. 
    Na segunda foto, atual, o local abriga uma lanchonete que se destaca na produção de quibes e esfirras, o Habib's.

Imagem cedida pela professora Maria José Diogo Moreira, nascida ali, neta do último proprietário do local, Senhor José Martins Diogo Júnior. Fonte da imagem: "Rumo ao Campo Grande por trilhas e caminhos", de José Nazareth de Souza Fróes e Odaléa Ranauro Enseñat Gelabert.

 Foto: Carlos Eduardo de Souza.

"O tempo passa e nem tudo fica a obra inteira de uma vida".


sábado, 4 de maio de 2019

Campo Grande também do café

    O bairro de Campo Grande normalmente é lembrado pelo seu áureo período da laranja, em meados do século XX. Porém, é bom destacar que a região, acompanhando o que ocorria no Brasil, presenciou, anteriormente às laranjas, outros "ciclos" econômicos importantes. Um deles foi a cultura do café.
    O café foi introduzido no Brasil por Francisco de Melo Palheta, com o antigo Distrito Federal sendo o primeiro à exportá-lo, no ano de 1791. As primeiras mudas foram trazidas para a cidade do Rio de Janeiro entre os anos de 1760 e 1762, por iniciativa do Desembargador João Alberto Castelo Branco. Poucas vingaram, e, mais tarde, de uma nova safra de mudas, algumas foram oferecidas a D. José Joaquim Justiniano de Mascarenhas Castelo Branco, Bispo dirigente da Diocese entre os anos de 1774 e 1804. 
    Esse mesmo bispo forneceu algumas mudas ao Padre Antônio do Couto da Fonseca, então proprietário da Fazenda do Mendanha. E foi exatamente dessa fazenda que saíram mudas e sementes que acabaram se alastrando pelo Vale do Paraíba, depois de iniciarem em Resende.
    Ainda com relação à fazenda do Mendanha, vale ressaltar que quando as mudas de café chegaram ao local, havia ali uma relevante plantação de anil e toda uma estrutura para seu beneficiamento. O Padre Antônio do Couto da Fonseca simplesmente deixou de lado essa cultura para dedicar-se às plantações de café.
    A Fazenda do Mendanha ficava nas encostas da serra, próxima ao largo do Mendanha, com a antiga casa do local pertencendo posteriormente a Francisco Freire Alemão.
    Abaixo, os fazendeiros com plantações de café em Campo Grande, datando o ano de 1883:

    FAZENDEIROS                                                 LOCALIZAÇÃO
    Maria Teixeira de Souza Alves                          Mendanha
    Manoel Fernandes Barata                                  Inhoaíba
    
    Fonte: Almanaque Laemmert. ano 1883.

    Além de Campo Grande, o cultivo do café passou por fazendas de Catumbi, Inhaúma, Tijuca, Engenho Novo, Méier, Jacarepaguá e Guaratiba, levando ao desflorestamento das encostas, deixando os morros com as consequentes erosões. 
    Mesmo assim, não se pode negar a importância das mudas e plantações de café em Campo Grande, mais tarde, como já foi citado, "levado" para o Vale do Paraíba e também para a baixada Fluminense, sendo base da riqueza e povoamento dessa região.
    Assim como os períodos da cana, da laranja e da avicultura, a cultura do café também é lembrada no brasão de Campo Grande, numa demonstração de quão importante foi o período desse produto para o bairro da Zona Oeste.


Fonte consultada: FRÓES, José Nazareth, GELABERT, Odaléa Ranauro. Rumo ao Campo Grande por trilhas e caminhos. Rio de Janeiro. 2005.
   

sábado, 13 de abril de 2019

Quem foi Barcelos Domingos?

   
    Ao passarmos pelas ruas, estradas e avenidas do bairro de Campo Grande, nos deparamos com nomes de certas pessoas das quais, na maioria das vezes, temos poucas ou nenhuma informação. E quando o assunto é como surgiu o bairro de Campo Grande, há algumas versões que buscam elucidar o caso. Uma das linhas de investigação defende que o bairro provavelmente tenha se originado com a construção da capela de Nossa Senhora do Desterro, em 1673, só que não no atual local, mas ainda em terras do bairro de Bangu. Aí entra uma figura muito importante da história de Campo Grande e da Zona Oeste: Barcelos Domingos. 
    Segundo pesquisas, a capela de Nossa Senhora do Desterro foi erguida por Manoel Barcelos Domingos, localizada nas terras de Gericinó, distante aproximadamente 2 léguas da área na qual, dois séculos mais tarde, seria construída a Matriz de Campo Grande.
    Barcelos Domingos foi um dos proprietários da primitiva sesmaria de terras do Gericinó, dono de uma terceira meia légua, numa divisão de terras como consta no auto de medição de 04 de março de 1670. Essas terras acabaram dando origem ao chamado "O Campo Grande", região bem maior que o atual bairro.
    Sobre Barcelos Domingos (ou Domingues), Francisco Klörs Werneck comenta:
    "Refere Milliet de Saint Adolphe no seu 'Dicionário Geográfico, Histórico e Descritivo do Império do Brasil' pág 214, que Campo Grande, freguesia da Província do Rio de Janeiro, deve sua origem a Manuel Barcellos Domingos, um dos habitantes daquele território no século XVII. Há engano no último nome, pois é Domingues e não Domingos. Encontrei rastos desse personagem nos livros mais antigos de Irajá e Campo Grande. Afora várias referências à sua pessoa, na falta do livro de batismo nº 1, de Campo Grande, achei o registro de casamento de dois filhos dele, respectivamente, em Campo Grande e Guaratiba...".
    Ainda sobre o assunto, Monsenhor Pizarro e Araújo, em Memórias históricas do Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1945), afirmam:
    "Na ermida sita em Bangú, e dedicada ao Destêrro da Virgem Mãe de Deus, que no meio de um campo sem abrigo fundara Manuel de Barcelos Domingues, um dos conquistadores primeiros do Rio de Janeiro, e dos povoadores também primeiros do Distrito de Campo Grande, se criou a paróquia com o mesmo título do orago da sua origem, desunindo-se o território da Freguesia de N. Senhora da Apresentação do Irajá, no ano de 1673..."
    Mesmo não sendo esta a única versão sobre a criação da Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, é incontestável a importância de Barcelos Domingos na "construção" no que é hoje o bairro de Campo Grande, contribuindo de forma relevante na evolução da região, sendo uma figura histórica impregnada e sempre presente no bairro da Zona Oeste.

Fontes consultadas:
FRÓES, José Nazareth, GELABERT, Odaléa Ranauro. Rumo ao Campo Grande por trilhas e caminhos. Rio de Janeiro. 2004.
SOUZA, Carlos Eduardo de. A evolução econômica e populacional de Campo Grande - Século XX. Rio de Janeiro, Editora Edital, 2015.
WERNECK, Francisco Klörs. Hiostória e Genealogia Fluminense, Rio de Janeiro, Edição do autor, 1947.

terça-feira, 9 de abril de 2019

A narração da conquista do Campusca

     Abaixo, uma narração histórica da conquista da Taça de Prata de 1982 pelo Campo Grande, o galo da Zona Oeste. A narração é de Edson Mauro, locutor que tem alguns bordões marcantes, como "Foi ele que botou lá dentro", "Eu vi, eu vi, eu vi", "E agora tá lá", "é o pai da criança", com comentários de Luis Carlos Silva. 
    O Campo Grande venceu o jogo por 3x0 e sagrou-se campeão da Taça de Prata.




https://www.youtube.com/watch?v=rl9nEtsuOng