quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

As marcas do tempo no Calçadão

Foto: Calçadão de Campo Grande, aproximadamente anos 30. Fonte: face Antigo Campo Grande.

    Localizado próximo à estação de trem de Campo Grande, o Calçadão de Campo Grande, na Rua Coronel Agostinho, com o passar do tempo transformou-se num ponto de referência para o bairro, já que se trata do centro comercial da região. Com aproximadamente 500 metros de extensão, o Calçadão foi inaugurado em 1976, devido ao crescente número de firmas comerciais que haviam se instalado na Rua Coronel Agostinho (um negociante que foi muito respeitado e que nesta rua residiu por muitos anos), sendo um projeto do paisagista Burle Marx.
   
Foto: Rua Coronel Agostinho na década de 1950
Fonte: Jornal Zona Oeste, edição especial, 1998.

    Acompanhando a evolução do bairro, o centro comercial de Campo Grande seguiu o desenvolvimento, passando por uma reforma, com a retirada do excesso de camelôs do Calçadão, sendo presenciada uma mudança também no aspecto visual, com obras sendo realizadas e até esculturas sendo postas.
    Abaixo, uma imagem do Calçadão de Campo Grande em duas fases distintas: Uma de 1988, com intensa movimentação e muitas barracas no meio da rua; a outra, depois da reforma do Rio Cidade, com o movimento de sempre.

Fonte: Jornal O Globo - Zona Oeste 21/11/2004.

Abaixo, duas fotos que caracterizam as marcas do tempo no local onde hoje fica a loja Superlar, no Calçadão, em fases distintas. 

 Foto posto de gasolina. Fonte: www.campogranderj.com.br
Foto atual. Fonte: Carlos Eduardo de Souza

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Legião em Campo Grande

    No dia 18 de novembro de 1990, o estádio Ítalo Del Cima, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, recebeu um show histórico da lendária e inesquecível banda Legião Urbana. A apresentação fez parte da turnê do álbum "As quatro estações".
    Pessoas que foram ao show contam com nostalgia cada detalhe deste, com o estádio praticamente lotado e a Legião tocando seus maiores sucessos da época, além de começar com uma música internacional, a qual o vocalista Renato Russo chamou de "surpresa".
    Abaixo uma foto de uma fã com o guitarrista do grupo, Dado Villa Lobos, no local do show.

Foto: Fonte: Face Antigo Campo Grande.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Artigo "Trens e bondes em Campo Grande" no Jornal Portal Zona Oeste

Abaixo está um artigo meu publicado na edição de janeiro no jornal Portal Zona Oeste

Quem puder e quiser conferir, a distribuição do jornal é gratuita, disponível em alguns pontos específicos de Campo Grande

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

As "árvores gêmeas" do Rosário

    Localizadas na Avenida Cesário de Melo, em frente ao Colégio Nossa Senhora do Rosário, tradicional do bairro de Campo Grande, duas árvores centenárias da espécie ficus chamam a atenção e despertam curiosidades dos que passam pelo local. Alguns afirmam de se tratar de um caso de árvores gêmeas, interligadas por um tronco. Outros acham que são apenas duas árvores próximas umas das outras.
    Indagações à parte, o fato é que as árvores já estiveram no alvo de uma discussão de uma obra de construção do corredor de ônibus BRT. Havia uma ameaça do corte das árvores centenárias, por estarem no traçado da via.
    Porém, moradores do bairro mobilizaram-se com o intuito de impedir o corte das árvores, organizando um protesto em 15 de agosto de 2012 contra a retirada das chamadas "Gêmeas do Rosário", como ficaram conhecidas. Alguns moradores mais antigos afirmam que antes mesmo da construção do Colégio elas já estavam lá.
    Assim, foi feito um abaixo-assinado encaminhado para a Subprefeitura,e, devido à força da população local, as árvores siamesas continuam fazendo parte da história viva do bairro.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

As andanças de Melhoral

 FOTO: Acervo: Chopp da Villa

    Entre tantas curiosidades sobre o bairro de Campo Grande, destaca-se a figura de Melhoral, um andejo que ficou muito conhecido na região. Segundo Ernesto Domingos Pires, "Melhoral não era um morador de rua, e sim um pedinte, que inclusive residia em uma casa.".
Antônio dos Santos Paiva, o Melhoral, filho de João dos Santos e Adelaide Ferreira Borges (nome de uma rua de Campo Grande), foi primo em segundo grau de um político, segundo alguns relatos. Nasceu no Rio da Prata, em 1921, no bairro de Campo Grande, e segundo informações, estudou na escola Municipal Venezuela, no centro de Campo Grande. 

    O mais famoso dos andarilhos de Campo Grande passava os dias pedindo moedas. O curioso é que, se alguém desse uma nota de valor mais alto, não aceitava. Só moedas. Querido por boa parte dos moradores do bairro, geralmente galanteava as moças, com um "pedido" de casamento. Também fazia pequenos biscates para os comerciantes locais, como por exemplo, anunciando novas lojas. 



    Além disso, segundo ainda moradores do bairro, quando chamavam "Melhoral!", ele respondia: "Já morreu!. Outros contam que de vez em quando ele "atuava" como se fosse um guarda de trânsito.
    Mesmo causando certo receio em alguns moradores, Melhoral era visto pela maioria da população como uma pessoa muito querida, sendo visto inclusive, em uma certa ocasião, sentado na primeira fila da Igreja Nossa Senhora do Desterro, ao lado do professor Moacyr Bastos, figura de grande destaque e relevância do bairro.
Melhoral também foi tema de livro, "Na terra do Melhoral ", de Odir Ramos da Costa, no qual o autor descreve uma curiosa história a respeito:
" Lá, com sua idade indefinida e a cara invadida por milhares de cravos pretos, ele aprimora o catolicismo, corrige o Sinal da Cruz. No gesto que o mundo cristão consagrou como definitivo através dos séculos, Melhoral descobriu lamentável falha, consertou-a... Todo mundo repete: Em nome do Pai (ou Padre, depende da espécie da fé), e leva o polegar direito à testa; do Filho, ao peito; do Espírito Santo, à esquerda; Amém, à direita... Pois bem. Melhoral, ao contrário dos que, encerrando a sinalização, beijam o dedo... acabando o benzinento, Melhoral oferece, endereça, estrojeta... revelando bondade e grande intimidade com o Pai, ele executa o sinal, coloca a mão debaixo da boca e dá um assoprozinho delicado no Sinal, remetendo-o no rumo de Deus e ainda ajuda com ligeiro impulso com a mão pro Sinal subir na trajetória certa..."



E assim, entre outras histórias, foi Melhoral, um dos grandes personagens do bairro de Campo Grande. 

Fontes e imagem do jornal: Damazio. 
Na terra do Melhoral, Odir Ramos da Costa.  Segunda edição ampliada. 2013. Edital. Rio de Janeiro. 

sábado, 12 de novembro de 2016

Campo Grande de Freire Alemão

    


Francisco Freire Alemão e Cisneiro é um dos orgulhos do bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Médico, naturalista botânico brasileiro e zoólogo, Freire Alemão nasceu na Serra do Mendanha, antiga Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, em 24 de julho de 1797.
    Ao longo de sua trajetória, Freire Alemão já foi de militar a suplente de deputado. Mas foi na área científica e de medicina que seu nome mais teve destaque. Entre muitas contribuições, descreveu muitas plantas, com muitas destas conservando o nome dado por ele; contribuiu para a notável obra de raridade de Von Martius, naturalista alemão; formou-se médico pela Academia Médico - Cirúrgica do Rio de Janeiro e doutorou-se em medicina pela Universidade de Paris; foi professor de botânica médica e zoologia em instituições de ensino superior como a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e a Escola Central Militar, entre outras.
    Freire Alemão, no início de sua carreira, costumava desenhar e estudar plantas que observava em suas caminhadas por alguns locais do Rio de Janeiro, inclusive Gericinó e Serra do Mendanha. Em 1866 ainda organizaria o rico acervo do Museu Nacional, o qual tornou-se diretor. Dirigiu um trabalho que realizou para o governo do Império sobre os diversos tipos de cana-de-açúcar plantadas no Brasil, com destaque para a adaptação e à produtividade da cana Otaiti, ou Taiti, introduzida em solos brasileiros entre 1790 e 1803. Essa cana ficou conhecida como "cana caiana", caindo rapidamente no gosto popular.
Freire Alemão também deixou muitas informações importantes sobre seu bairro natal, Campo Grande, como estudos da arquitetura da Casa do Mendanha; surto de bexiga ocorrido no bairro, assim também como a presença de cólera na região; derrubada das matas; desenho a lápis de parte da Freguesia de Campo Grande, entre outras.
    Depois de uma vida repleta de contribuições, principalmente no ramo da medicina e da botânica, Freire Alemão falece em 11 de novembro de 1874, aos 77 anos (segundo relatos, na Serra do Mendanha, mesmo local onde nascera). Até bem pouco tempo, o bairro de Campo Grande homenageava seu ilustre filho com um monumento localizado na Avenida Cesário de Melo, como mostra a imagem abaixo, antes da reforma na localidade. 


     Infelizmente, o monumento foi furtado, e por um tempo, o ilustre morador de Campo Grande ficou sem sua homenagem, sendo reposta depois.
Além disso, há uma agência bancária, localizada também na Avenida Cesário de Melo, em frente ao hospital Rocha Faria, que leva o seu nome.
    Sua casa foi demolida e um fato curioso é que, na serra da qual ele tanto gostava, tempos depois, houve descobertas, por parte de Alberto Lamego, de vestígios de um extinto vulcão na região.

Desenho de Freire Alemão: Abreu, 1957, p.278.
Referência: Rumo ao Campo Grande por trilhas e caminhos, Fróes, José Nazareth Souza e Gelabert, Odaléa Ranauro Enseñat. Rio de Janeiro - 2005.

sábado, 15 de outubro de 2016

Se essa rua fosse minha...

    Mas, o que é a rua? A rua ouve, enxerga, respira, é praticamente um ser vivente, pois, através dos séculos, ela presencia manifestações, shows, brigas, amores, queda de governante, troca de governo, enfim, ela participa da história. Como dizia João do Rio, em a alma encantadora das ruas: "Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma!."
    Ainda segundo João do Rio, "as ruas são perecíveis como os homens". Sim, as ruas também envelhecem, transformam-se e em alguns casos morrem.
    As ruas têm seus próprios nomes, suas identidades, Campo Grande, Olinda Ellis, Amaral Costa, Coronel Agostinho, Viúva Dantas, Engenheiro Trindade...cada uma leva um nome de uma pessoa importante, comerciante, empreendedor, prefeito, músico ou de outras "categorias", como lugares e animais. Porém, pouca gente lembra de como chamá-las, prefere usar um ponto de referência, porque o nome pouca gente sabe. "aquela rua que tem um mercado x", ou "o cartório fica na rua da padaria y" e assim vão outras situações em que o nome da rua não é tão importante.
    Mas elas estão sempre lá, pulsando junto à população, vendo o vai-e-vem dos automóveis, as construções sendo erguidas...passamos por elas e não percebemos sua importância, sua relevância ligada às nossas vidas.
    Em algumas situações tornam-se até curiosas. É o caso do quarteirão Enriqueta, na estrada do Tingui, no bairro de Campo Grande. Todas as ruas dessa localidade possuem nomes de pássaros: Rua Canário, Rua Águia, Rua Falcão, Rua Cotovia, Rua Asa Branca, Rua Macuco e Rua Ave Maria. Ave Maria? Será que a pessoa responsável pelos nomes achou que se tratava de um pássaro e não de uma saudação cristã. Ou confundiu Ave Maria com ave-fria, que se trata realmente de um pássaro. Ou existe pássaro com nome de ave maria e eu não sei? Garanto que pesquisei e não achei. Os católicos acreditam que não é coincidência, e sim providência divina. O certo é que se trata de mais um caso curioso envolvendo nomes de ruas.
    Enfim, a rua é onde ocorre a expressão dos sentimentos e fatos de todo um bairro, ou uma cidade. Dar vida à uma rua é mais do que uma personificação, é constatar que a rua é o homem, e o homem é a rua.