sexta-feira, 17 de abril de 2020

As passagens do Campusca pela elite do futebol brasileiro

    Campeão da Taça de Prata em 1982, o Campo Grande ganhou uma vaga para disputar a elite do futebol brasileiro, a chamada Taça de Ouro (primeira divisão), no ano seguinte, tendo Vanderlei Luxemburgo como técnico, chegando a vencer o Vasco da Gama por 2x1 no Ítalo Del Cima, terminando na 24° colocação. 
     O Jornal Patropi, de Janeiro de 1983, destacava a preparação do Campo Grande para a disputa da competição, como podemos ver na imagem a seguir:


    A reportagem trazia no título " 'Campusca' inicia preparação na base do 'full-time' ". A mesma também comentava sobre o técnico Vanderlei Luxemburgo e as datas das primeiras partidas do clube no campeonato.
     Mas o primeiro campeonato da primeira divisão disputado pelo Galo da Zona Oeste foi um pouco antes, no ano de 1979. Nessa edição, houve a participação de 94 clubes, com o Inter de Porto Alegre se sagrando campeão, e o Campo Grande ficando na 27° colocação. 
     Abaixo, as campanhas do Campo Grande nos brasileiros de 1979 e 1983:

  CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1979

  30/09/1979 - Campo Grande 1x0 América Mineiro.
   03/10/1979 -  Campo Grande 2x1 Paysandu
  06/10/1979 - Campo Grande 3x0 Tuna Luso.
  13/10/1979 - Campo Grande 0x0 Rio Negro (AM).
 17/10/1979 - Campo Grande 1x0 Campinense (PB).
  21/10/1979 - Campo Grande 0x2 Treze (PB)
  03/11/1979 - Campo Grande 0x0 Fast (AM)
 08/11/1979 - Campo Grande 1x1 Fluminense.
  11/11/1979 - Campo Grande 5x0 Maranhão.
  15/11/1979 - Campo Grande 1x2 Uberlândia. 
  18/11/1979 - Campo Grande 2x1 Itabaiana (SE).
  21/11/1979 - Campo Grande 0x0 Vila Nova (GO).
  25/11/1979 - Campo Grande 1x2 XV de Jaú (SP).
  28/11/1979 - Campo Grande 0x1 Vitória (BA).

  CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1983

  23/01/1983 - Campo Grande 0x1 Ponte Preta. 
  29/01/1983 - Campo Grande 3x1 Joinville.
  02/02/1983 - Campo Grande 0x0 Atlético Paranaense.
  05/02/1983 - Campo Grande 0x4 Grêmio.
  19/02/1983 - Campo Grande 1x0 Joinville.
  23/02/1983 - Campo Grande 0x0 Grêmio.
  27/02/1983 - Campo Grande 0x2 Ponte Preta. 
  06/03/1983 - Campo Grande 1x1 Atlético Paranaense.
  09/03/1983 - Campo Grande 3x1 Paysandu.
  13/03/1983 - Campo Grande 0x0 Bahia.
  16/03/1983 - Campo Grande 1x3 Vasco da Gama. 
  22/03/1983 - Campo Grande 1x1 Corinthians.
  26/03/1983 - Campo Grande 2x1 Vasco da Gama. 
  30/03/1983 - Campo Grande 0x2 Bahia.
  03/04/1983 - Campo Grande 1x3 Corinthians.

Fontes consultadas:
Jornal Patropi. Janeiro de 1983.
Almanaque Histórico do Campo Grande Atlético Clube, Raymundo Quadros e Julio Bovi Diogo. Renova.
     Obs: Algumas poucas datas dos jogos apresentam um dia de diferença de uma fonte para outra.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

O Campusca nas Arábias

    Imagem. Fonte: Freepik.

     O Campo Grande, entre outros grandes jogadores, já contou com um importante artilheiro conhecido como Luizinho das Arábias, denominação esta devido ao fato do mesmo ter atuado no Al Nassr, da Arábia Saudita. Artilheiro pelos clubes que passou, Luizinho das Arábias deixou seu nome no galo da Zona Oeste ao fazer parte da grande conquista do clube, a Taça de Prata de 1982.
     Mas o que poucos sabem é que além do Luizinho do Campo Grande ter jogado no país do petróleo, o próprio clube já visitou a terra dos sheiks.
     Isso aconteceu no ano de 1992, quando o Campo Grande disputou dois amistosos contra a seleção local. No dia 05 de agosto, houve um empate em 0x0 entre o Campusca e a seleção da Arábia Saudita de juniores. No dia 08 de agosto, vitória da seleção da Arábia Saudita de novos por 1x0. Os dois jogos foram disputados na cidade de Taif.
     E a visita campograndense parece que deu sorte para os sauditas, pois dois anos depois, em 1994, o país fazia sua estreia em Copas do mundo, e não fazendo feio, sendo eliminada nas oitavas-de-final, incluindo uma vitória em cima da Bélgica na primeira fase.
     Assim, mesmo não marcando gol, o galo marcou território no deserto da Arábia, sendo mais um legado do clube da Zona Oeste.

Fonte consultada: Almanaque histórico do Campo Grande Atlético Clube.  Julio Bovi Diogo e Raymundo Quadros. Renova.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Campo Grande 2x1 Vasco da Gama

   Pela Taça de Ouro de 1983 (campeonato brasileiro da primeira divisão), num Ítalo Del Cima lotado, o Campo Grande derrotou o Vasco da Gama por 2x1, com gols de Sergio Ramirez Davila e Luisinho das Arábias.
     Assista aos gols da partida:
     Fonte: Face Campo Grande Atlético Clube.



quarta-feira, 8 de abril de 2020

O cinema de Vila Nova

   Até a década de 1990, era muito comum o hábito de se frequentar os cinemas de rua. Com o advento e expansão dos shopping centers pela cidade do Rio , inclusive chegando à Zona Oeste, os tradicionais cinemas foram sendo "substituídos" pelos que se encontram nos interiores dos shoppings.
     O bairro de Campo Grande já sediou alguns desses tradicionais cinemas de rua. Um foi o Cine Progresso, fundado em 30 de julho de 1928, localizado na Rua Campo Grande. Este encerrou suas atividades em 1966.
     Ainda na Rua Campo Grande funcionou um outro cinema, inaugurado em 1938. Trata-se do Cine Theatro Campo Grande, também conhecido como Cine Campo Grande, que possuía 1.463 lugares, funcionando até 1994. A partir do ano seguinte, o mesmo passou a se chamar Cine Star Campo Grande, fechando em 2001, sendo hoje um restaurante popular. 
     Outro cinema existente no bairro foi o Cine Palácio Campo Grande. Localizado na Rua Augusto Vasconcelos, foi inaugurado em 09 de agosto de 1962, sendo considerado o maior do Rio de Janeiro, encerrando suas atividades com 1.749 lugares. Em 1990 fechou suas portas, mudando de função, porém mantendo a forma, dando lugar à Igreja Universal do Reino de Deus.
     Porém, pouco se sabe de outro cinema que funcionou em Campo Grande, longe do centro do bairro: trata-se do cinema de Vila Nova, ou cineminha de Vila Nova, presente na Estrada do Campinho, onde hoje se encontra a padaria/confeitaria Craque do Pão. 
     Com 236 poltronas, o mesmo operou com um aparelho de 16 mm. O senhor Hermínio O. Rodrigues respondia pela programação, que funcionou de 1956 a 1959, exibindo em média 210 sessões.
     Após encerrar as atividades, o local passou a funcionar como fábrica de tecidos, chegando a ter um açougue e uma serralheria também, até a atual atividade.
     Um fato curioso é que, praticamente cinquenta anos depois, mais especificamente entre 2005 e 2010, funcionou uma locadora em frente ao local do antigo cinema, chamada Cinéfila. A mesma se destacava por oferecer filmes denominados "cult", não encontrados com facilidade nas outras locadoras. Além disso, a mesma proporcionava alguns eventos, como apresentações musicais e exibições de filmes, denominado Cine Show.
     Voltando ao Cine Vila Nova, um frequentador do mesmo, Leu Lima, afirma que as imagens não eram de boa qualidade, e que lembra de alguns filmes exibidos no cinema, como "Sangue e areia" e o "Filho do sheik".
     E assim é a história de mais um cinema de rua de Campo Grande. Ficaram para trás a poeira e o lanterninha.
     The End.



Imagens: Elder Sodré 

Fontes consultadas: O velho Oeste Carioca. Volume II. André Luis Mansur.
Cinemafalda.blogspot.com
Depoimentos de Júlio Lima, dono da locadora Cinéfila e de Leu Lima, profundo conhecedor da região.

Sapateiros: os heróis da resistência

Imagem: pocoscom.com

    Uma das profissões mais antigas ainda é encontrada em nossa sociedade do consumo e do descarte rápido das coisas. Atualmente, a profissão de sapateiro praticamente limita-se a consertar sapatos, sandálias, chinelos, botas e afins, quase não exercendo mais a fabricação artesanal, tão presente em outros tempos.
     Mesmo assim, o ofício atual de costurar, colocar etiquetas, fivelas e passar cola nos calçados ainda é bem procurado, mesmo que alguns apontem como uma profissão que caminha para a extinção. 
     Geralmente sendo transmitida de geração para geração, no passado, os sapateiros, além de consertar sapatos, também os faziam. Hoje, poucas pessoas ainda procuram o artesão para a fabricação. 
     Descrito e visto como aquele que manuseia artesanalmente sapatos, sandálias, chuteiras, chinelos e outros, o sapateiro tem a "missão" de garantir o bem-estar dos pés de seus clientes, consertando, limpando, dando arranjo e tratamento adequado.
     No bairro de Campo Grande encontram-se alguns espalhados pela região, no Tingui, outro no sub bairro Santa Rosa (este em frente a uma praça conhecida como Praça do Sapateiro), e em outros locais, mantendo a tradição.
     Abaixo, um anúncio de um sapateiro na localidade do Tingui, em Campo Grande, datando de dezembro de 1987, como mostrava o Jornal O Tal:


    Mantendo a tradição, abaixo encontra-se um sapateiro na mesma localidade, próximo ao cruzamento da estrada do Tingui com a Estrada Santa Maria.


Imagem: Internet.

    Hoje é comum a alguns sapateiros, além dos convencionais consertos, também repararem bolas, cadeira de praia, entre outros. Atravessando séculos, o sapateiro gosta e é convicto da escolha de uma profissão tão tradicional que segue "colocando as mãos onde os outros colocam os pés", mas nunca "trocando os pés pelas mãos".


  





terça-feira, 7 de abril de 2020

Do Povo de Campo Grande

   A imagem acima faz parte de uma espécie de outdoor de uma das drogarias mais tradicionais do bairro de Campo Grande. A mesma aponta a passagem do tempo, apontando o bonde, a lotação e o relógio presente no Calçadão do bairro.
    Além disso, a Drogaria do Povo, fundada por Francisco Barbosa, expõe em suas unidades em Campo Grande, fotos antigas do bairro, mostrando um pouco da história da região.


Fotos: Carlos Eduardo de Souza. 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Havia um tempo...

Imagem: Face Guarantiga

Havia um tempo.
Havia uma década.
Havia uma época.

Havia um campo...grande
aberto e distante,
porém perto de seus passantes.

Havia o bonde, os trilhos,
os caminhos e as praças,
as árvores... que graça!

Havia o canto, que encanto!
Os pássaros a voar
e a pousar nos pés de laranja.

Havia vida a conversar,
bater papo, jogar conversa fora
sem perceber o tempo passar.

Havia "bom dia", "boa tarde",
"como vai?".
Num ritmo de vida
que não existe mais.

Havia os perfumes, chapéus,
elegância e sombrinhas,
guarda-chuva que virava guarda-sol...
que nostalgia!

Havia as festas de rua
da Curva à Sant'Ana.
Havia os bailes, Aliados
contra todos os males da alma...

Depois desse tempo
ficamos sem tempo
para termos um tempinho,
um dedinho de prosa...

Sobre os tempos de roça,
sertão, Zona Rural... então...
o que restou a dizer é:
Eta, tempo bom!