sexta-feira, 16 de junho de 2017

A e(re)(in)volução de Campo Grande

    A imagem acima foi feita pelo cartunista Elder, durante minha participação em um WorkShop cultural, no qual palestrei sobre o bairro de Campo Grande e meu livro, "A evolução econômica e populacional de Campo Grande". O autor da charge mostra um caos urbano no bairro, com engarrafamentos, tumulto e uma pessoa, no meio da multidão, perguntando: - O que ele quer dizer com evolução populacional?
    Considero a charge fantástica, principalmente por levantar um excelente debate sobre o assunto: O que é exatamente evolução? Evolução é essencialmente algo positivo? Pode-se responder a essas questões com outras perguntas: Desde quando evolução é essencialmente progresso? Desde quando progresso significa algo positivo?
    A respeito do assunto, o livro busca exatamente esta reflexão. A evolução a qual o livro trata é de uma transformação, não necessariamente positiva ou negativa. Trata-se de uma mudança de uma zona rural para uma urbana em expansão, com alguns pontos agrícolas importantes ainda na paisagem.
    É notório a mudança da estrutura econômica, socioespacial e populacional do bairro, considerado o mais populoso do município do Rio de Janeiro, ainda no século XIX, por exemplo, com a chegada de trens e bondes, ligando o bairro a outras áreas, aumentando assim o fluxo populacional. Já no século XX, há a consolidação do comércio (inauguração do calçadão, na Rua Coronel Agostinho, e do Mercado São Braz), a chegada das indústrias, da especulação imobiliária, entre outras. Isso também ocorre em outros bairros da Zona Oeste, que já foi a Zona Rural do Rio, ou Sertão Carioca.
    Com isso, é claro, não fugindo à regra da urbanização, surgiram também os chamados problemas urbanos, como a poluição, a violência, a questão populacional, já que houve uma opção por parte do governo do Rio, principalmente a partir da década de 1960, em orientar o crescimento populacional rumo à Zona Oeste, porém sem serviços na mesma proporção, e os engarrafamentos, constantes em alguns pontos e horários específicos do bairro. A frota de veículos em Campo Grande aumentou de forma assustadora nos últimos anos. Reflexo disso é o crescente número de estacionamentos na região, sendo de todos os tipos e tamanhos, alguns abrigando espaços que já foram referência no bairro, como o que se encontra na Rua Augusto Vasconcelos, onde existiu o tradicional Colégio Belisário dos Santos. É bom lembrar que essa mesma rua já foi conhecida, pelos moradores do bairro, como a rua do jenipapo, devido à grande quantidade desse fruto que se via nessa paisagem. Hoje restam apenas alguns poucos exemplares, entre o vai e vem incessante da população e dos veículos.
    Se isso tudo, aliado às construções de edifícios comerciais, mudando a paisagem campo-grandense, pode ser entendido como progresso, é uma outra questão. O fato é que a ordem no bairro é o progresso, mesmo que este venha acompanhado de evoluções ou involuções, de altos e baixos, de crescimento (ordenado ou desordenado), mas sempre sobressaindo a mudança. Aí, basta cada um ter o seu ponto de vista, ou encarar a ilusão de sua óptica.

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