terça-feira, 7 de agosto de 2018

Campo Grande é Punk

Imagem. SKBPunk Label - Full Album

    O movimento Punk Rock chega ao Brasil praticamente entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, influenciado por bandas inglesas consideradas gêneses do estilo, como The Clash, Sex Pistols, entre outras, surgidas na metade dos anos 1970. Caracterizado por expressões de contracultura, rebeldia, calças rasgadas e visual "afrontador", esse estilo musical e de comportamento influenciou o movimento Rock Brasil 80, como o Aborto Elétrico, de Renato Russo, que mais tarde daria origem a duas bandas: Legião Urbana e Capital Inicial.
    Com um som mais "cru" e "seco", sem se preocupar com acordes e melodias bem elaboradas, o Punk Rock brasileiro teve representatividade em algumas bandas como Inocentes, Cólera, Garotos Podres, entre outras, e no repertório de outras não consideradas punks, como a música "Polícia", do Titãs, "Veraneio Vascaína", do Capital Inicial (música que fora do Aborto Elétrico), algumas do álbum "Que País é este", do Legião, entre outras.
   Localizada no bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, a tradicional Pista de Skate de Campo Grande é considerada um dos locais que deram início ao movimento Punk Rock no Rio de Janeiro, por volta dos anos 1981 e 1982.
    Em entrevista a um documentário sobre o movimento Punk Rock no Brasil, o antropólogo e pesquisador musical Hermano Vianna cita que a Pista de Skate de Campo Grande teve uma importantíssima participação no tal movimento, já que a praça reunia alguns "meninos" ligados ao estilo musical e ao esporte radical citado. Um deles, conhecido como Lúcio "Punk" Flávio, era baterista da banda de Punk Rock Coquetel Molotov, e se tornou um dos principais skatistas do Brasil, ao lado de Tatu, que também pertenceu à banda. Os dois, inclusive, conquistaram os campeonatos nacional e internacional de skate. A banda chegou a impressionar até o já citado vocalista da Legião Urbana, Renato Russo, que tornou-se amigo dos integrantes do Coquetel Molotov.
    Depois da dissolução da formação original, em 1984, a banda se reestruturou baseada em uma outra banda, chamada Diário de Bordo, do Méier, e por lá se apresentaram por muitas vezes, principalmente num local denominado Dancy Méier. A banda chegou também a se apresentar no famoso Circo Voador.
    Porém, por ser considerada uma banda underground, e por isso ser mal vista pelas gravadoras, o Coquetel Molotov não chegou a gravar LP ou CD, existindo apenas reproduções de fitas cassetes/rolo convertidos para CDs, nas mãos de alguns poucos colecionadores.
    A Pista de Skate de Campo Grande, inaugurada em 1979, já foi considerada uma das mais modernas da América Latina, sendo palco de competições do esporte e apresentações de bandas alternativas. Entretanto, o local passou por um período de abandono, com aparência ruim, com poucos atrativos, sendo revitalizada e reinaugurada em 2016, com aspecto e visual renovados, feira artesanal e participação da população com atividades ambientais no entorno da pista.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Campo Grande na vertical


  • O bairro mais populoso do Rio de Janeiro deixou sua paisagem tipicamente rural para trás. A urbanização chegou, e com ela o tal progresso (não necessariamente somente algo positivo). Com isso vieram o comércio, as indústrias, os engarrafamentos e os empreendimentos.
  • Nos últimos anos, os diversos investimentos na área industrial transformaram a Zona Oeste num grande atrativo para construtoras e imobiliárias. Há dez anos, Campo Grande já era o bairro da região que registrava mais investimentos, fechando o ano de 2007 como quinto colocado no ranking de lançamentos de novas unidades na cidade.
  •  Com razoável infraestrutura e muitos terrenos, Campo Grande, nos dias atuais, é considerado a menina dos olhos do mercado imobiliário do Rio. Lembrando que o bairro possui um título honorário de cidade, fazendo com que alguns, inclusive, comparem o bairro a uma verdadeira cidade do interior paulista, ou seja, próspero, com economia forte, vida própria e pessoas com renda elevada.
  •  Boa parte de alguns desses empreendimentos no bairro, os condomínios, possui grandes áreas de lazer e estruturas típicas (ou perto disso) dos condomínios da Barra da Tijuca e da Zona Sul, com o objetivo de atender as necessidades de uma classe emergente, ou média alta do bairro e adjacências, exigente de imóveis desse tipo.
  • Além desses investimentos, há também em número considerável, os edifícios comerciais, mudando a paisagem do bairro, principalmente em áreas próximas ao chamado centro de Campo Grande, como mostram as imagens abaixo do mesmo ponto do bairro, próximo ao monumento em homenagem ao prefeito Alim Pedro, na subida do viaduto de mesmo nome. A primeira é do ano de 1959; a segunda, de 2017.
  • Foto. Crédito: Blog as histórias dos monumentos do Rio.
  • F                Foto. Crédito: Carlos Eduardo de Souza.         
     
    • É bom lembrar também dos investimentos voltados para classes um pouco abaixo, espalhados pelos diversos terrenos de Campo Grande, que um dia já foram grandes laranjais, e dos laranjais, só restou monumento.