terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O melhor cariocão do Campusca

    O campeonato carioca de futebol é considerado o mais "charmoso" dos estaduais do Brasil. Com início datando o começo do século XX, o estadual do Rio possui muitas histórias, recordes de público, grandes decisões, entre outros atributos. Clubes como América e Bangu já foram grandes protagonistas, conquistando títulos, inclusive, além do simpático São Cristóvão e o extinto Paysandu também erguendo troféu de campeão.
    Numa história recente, alguns considerados pequenos chegaram perto do título, como o Americano de Campos, em 2002, o Volta Redonda, em 2005, e o Madureira, em 2006, ambos ficando com o vice-campeonato. Atualmente, praticamente só os considerados "grandes" é que revezam conquistas locais.
    Já o Galo da Zona Oeste nunca chegou à uma decisão de carioca. O clube que se orgulha do título da Taça de Prata de 1982 obteve sua melhor campanha no cariocão de 1991. Nesse ano, o clube contou com jogadores experientes e famosos como Elói, Claudio Adão, Roberto Dinamite, além do goleiro Paulo Cesar, o PC Gusmão, hoje técnico de futebol.

Roberto Dinamite com a camisa do Campo Grande, em 1991.
Foto. Fonte: Face Campusca Cgac

    O clube estreou perdendo para o Vasco da Gama, no dia 04 de agosto. Porém, com o desenrolar do campeonato, o Campo Grande obteve bons resultados, incluindo empates com Botafogo, Fluminense e Flamengo (que seria o campeão), todos por 1x1; uma vitória contra o Bangu, por 2x0, no antigo "clássico rural", de muita rivalidade; e uma vitória sobre o Vasco, no segundo turno, por 1x0.
    O Galo da Zona Oeste terminou os dois turnos (Taça Guanabara e Taça Rio) em 5º lugar, sempre atrás apenas dos quatro grandes, ficando também com esta colocação geral do campeonato, atrás apenas também de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco.
    
    Abaixo todos os resultados do clube em sua melhor participação no campeonato carioca
    
    PRIMEIRO TURNO

    04/08/1991 - Campo Grande 0x1 Vasco da Gama
    07/08/1991 - Campo Grande 1x1 Americano
    14/08/1991 - Campo Grande 2x2 Volta Redonda
    18/08/1991 - Campo Grande 1x1 Bangu
    24/08/1991 - Campo Grande 1x3 Fluminense
    01/09/1991 - Campo Grande 1x1 América-RJ
    04/09/1991 - Campo Grande 1x1 Botafogo
    08/09/1991 - Campo Grande 2x1 América de Três Rios
    15/09/1991 - Campo Grande 2x1 Portuguesa-RJ
    22/09/1991 - Campo Grande 1x1 Flamengo
    29/09/1991 - Campo Grande 1x0 Itaperuna

    SEGUNDO TURNO

    07/10/1991 - Campo Grande 1x0 Vasco da Gama
    17/10/1991 - Campo Grande 2x3 Botafogo
    20/10/1991 - Campo Grande 3x2 Americano
    27/10/1991 - Campo Grande 2x1 Goytacaz
    30/10/1991 - Campo Grande 2x0 Bangu
    04/11/1991 - Campo Grande 1x1 Fluminense
    10/11/1991 - Campo Grande 2x4 América-RJ
    17/11/1991 - Campo Grande 1x1 América de Três Rios
    24/11/1991 - Campo Grande 2x3 São Cristóvão
    02/12/1991 - Campo Grande 0x1 Flamengo
    07/12/1991 - Campo Grande 1x0 Itaperuna

     
Foto. Fonte: Almanaque histórico do Campo Grande Atlético Clube

Fontes consultadas: Blog do Marcão
                                 Almanaque histórico e estatístico do Campo Grande Atlético Clube, de Julio Bovi Diogo e Raymundo Quadros.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Cultura e arte em Guaratiba

    Situada na estrada do Mato Alto, em Guaratiba, bairro ligado a Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a Capela Magdalena guarda encantos, curiosidades e principalmente cultura e arte para os seus visitantes. Localizada em um sítio, com seus patos e pavões, a capela é palco de apresentações musicais, com um som inconfundível de um cravo, espécie de "pai" do piano, executado pelo anfitrião Roberto de Regina. O mesmo é considerado o primeiro cravista brasileiro.
    No sítio, além da Capela Magdalena, cujas paredes foram pintadas pelo próprio maestro Roberto de Regina, é possível apreciar um belo jardim com alguns animais "se apresentando", e um museu, denominado Ronaldo J. Ribeiro, com réplicas de veículos de transporte, castelos e igrejas, sendo confeccionados em papel e outros materiais, e montado pelo próprio Roberto.
Cravo pertencente à Capela Magdalena.

Imagem de dentro da Capela Magdalena, com seus desenhos e pinturas nas paredes e no teto.

Museu Ronaldo J. Ribeiro

    Para quem visita o local, estão à disposição: uma passagem iluminada por tochas em direção à capela (se a visita for à noite); uma apreciação da própria Capela Magdalena, um ambiente em tom barroco e com música antiga, porém sem ligação com religião; assinatura no livro de visitas com caneta de pena; um concerto de cravo apresentado pelo maestro Roberto de Regina, devidamente vestido com gibão, calção, colete e lenço; e uma visita ao museu já citado, onde o "passageiro" pode desfrutar de réplicas de carros antigos, trens, veículos de bombeiro, aviões, catedrais e castelos, feitos de papel, plástico e madeira, num "mundo" encantador do museu que leva o nome de seu sócio.

Réplica de um dos primeiros trens, apelidado de "o foguete". Curiosamente esse trem é representado por um personagem na série infantil "Thomas e seus amigos".

O Barão Vermelho, utilizado na Primeira Guerra Mundial.


Uma das reproduções de cidades, castelos e ferrovias

 

Réplica de carros

    Embarcação

Dirigível considerado maior que o Zeppelin.

    Além de músico, Roberto de Regina também é médico, pintor e artesão. Durante a semana de Campo Grande, evento que tradicionalmente ocorre no mês de aniversário do bairro, novembro, Roberto de Regina costuma se apresentar com seu cravo na Paróquia Nossa Senhora do Desterro, no centro de Campo Grande, considerada o marco inicial do bairro.

Fotos. Créditos: Carlos Eduardo de Souza. Todas devidamente autorizadas por Roberto de Regina.
Texto baseado em informações coletadas no próprio local.

     






segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

No caminho das pedras

    Pra quem passa pela antiga estrada Rio-São Paulo, na altura do bairro de Campo Grande, indo em direção à Avenida Brasil, próximo ao viaduto Oscar Brito (ou dos Cabritos), é possível já ter avistado uma paisagem composta por grandes pedras (ou rochas, geologicamente mais correto) no alto de um morro. Trata-se do Morro Carapucu.

    Segundo relato de um morador, o local já foi utilizado para treinamentos militares, praticados, segundo o mesmo, numa fenda, conhecida como "Garganta do Diabo". No meio do Morro do Carapucu, na parte de baixo, localiza-se uma rua denominada Dona Elisa, a qual os moradores chamavam de Rua do Buraco, que passou a existir por iniciativa dos mesmos, com o propósito de se conectarem com a antiga estrada Rio-São Paulo.
    O que mais chama a atenção quando se depara com o morro são as pedras (rochas), com algumas dando a impressão que foram colocadas à mão, e outras parecendo que estão por um fio pra deslizar, em mais um espetáculo da natureza.
    Tomara que elas continuem lá no alto dando show, e não se tornando "Rolling Stones", (não estou falando da banda, que por sinal gosto muito), mas sim da tradução livre, "pedras rolantes", porém que continuem cantarolando como Fagner em "Pedras que cantam", quando diz: "...mas no dia que a poesia se arrebenta, é que as pedras vão cantar...". 

Contribuição para o artigo: Alan Rocha de Oliveira
   

domingo, 6 de janeiro de 2019

A façanha do Campusca na Copinha

    A tradicional Copa São Paulo de futebol júnior, já há algum tempo abre a temporada do futebol brasileiro. Grande reveladora de craques, a Copinha, como é carinhosamente chamada, começou em 1969 e no ano de 2019 completa 50 edições. Mas o que poucas pessoas sabem é que o Campo Grande, o galo da Zona Oeste, já disputou a competição e, diga-se de passagem, foi muito bem.
    A edição em questão foi a de 1974, mas que começou a ser disputada no ano de 1973. Uma outra curiosidade é que as partidas disputadas dessa edição tinham duração de dois tempos de 40 minutos. 
    O Campusca estreou em 20 de outubro de 1973, no campo do Nacional de São Paulo, derrotando o Grêmio de Porto Alegre por 1x0. Depois, enfrentou outro adversário, infelizmente desconhecido. Na fase seguinte, nas quartas-de-final, o clube da Zona Oeste do Rio bateu a tradicional Ponte Preta por 1x0, no Parque Antártica, no dia 07 de janeiro de 1974, e dois dias depois, voltou a vencer pelo mesmo placar, nada mais, nada menos, o Cruzeiro, também no Parque Antártica.
    Classificado para a semifinal do torneio, o alvinegro da antiga Zona Rural enfrentou mais um tradicional time do Brasil. Dessa vez o clube enfrentou o Internacional do Rio Grande do Sul, no Pacaembu. No entanto, o Campusca não conseguiu repetir os bons resultados anteriores, perdendo por 3x1, e não conseguindo chegar à tão sonhada final, vencida pelo próprio Inter, contra a Portuguesa de Desportos.
    Porém, a campanha do Campo Grande na Copa São Paulo de futebol Júnior de 1974 ficou marcada para o clube carioca. Aliás, o galo conseguiu chegar à uma semifinal, depois de derrotar grandes times do cenário brasileiro, sendo eliminado pelo clube que seria o campeão da competição.  Com certeza, uma grande façanha!

Fonte consultada: Blog do Marcão




   

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

E assim era antigamente...

    Durante séculos, o Brasil ficou sob forte influência da Igreja Católica, refletindo nos costumes, comportamentos e inclusive na arquitetura. Tudo girava em torno do catolicismo, atingindo praticamente todo o território nacional, não ficando de fora, é claro, o bairro de Campo Grande. O próprio surgimento do bairro é vinculado à criação da capela do Desterro, ainda em terras do atual bairro de Bangu, mais tarde "transferida" para as terras do atual Campo Grande. Daí criou-se a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, hoje resumida à uma Paróquia localizada no centro do bairro.
    O vínculo entre a Igreja Romana e o Estado brasileiro foi quebrado com o fim do Império e a Proclamação da República em 1889, quando o catolicismo deixou de ser a religião oficial do Brasil, ficando instituído um Estado laico.
    Porém, mesmo após o fim desse elo, a influência católica ficaria relevante por muitas décadas seguintes, marcando as tradicionais festas de igrejas que se estendiam para as ruas próximas aos templos, atraindo multidões, como a festa da Curva, da capela de Santo Antônio, na Avenida Cesário de Melo, a festa de Sant'Ana, na Estrada do Mendanha, entre outras, além de ditar outros aspectos na vida da população não só de Campo Grande, mas de todo o Brasil, como por exemplo boa parte dos feriados ainda sendo católicos; com Nossa Senhora Aparecida sendo a Padroeira do Brasil; nomes de lugares vinculados aos santos, entre outros.
    Um outro ponto importante da marca do catolicismo ficou estampado nas residências. Era muito comum em bairros do subúrbio ou em áreas rurais, afastadas do centro, como Campo Grande, as casas possuírem, principalmente na parte da frente, uma imagem de um santo católico ou de Nossa Senhora exposta na parede, geralmente feita de azulejo ou algum material parecido, numa mistura de ostentação, tradição, respeito e reverência. Não à toa um dos santos mais à mostra nas tais residências era São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro.
   
    Abaixo, uma foto atual de uma casa, em Campo Grande, localidade denominada Corcundinha, que ainda conserva essa época.
 Foto. Fonte: Carlos Eduardo de Souza.

    Atualmente, com o avanço de outras religiões, principalmente do protestantismo, não é mais comum encontrar essas imagens nas residências, principalmente em novas habitações, sobrando apenas algumas resistentes e fiéis ao passado.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A gênese do atual Campo Grande

    Com algumas prováveis datas de fundação ou surgimento, o bairro de Campo Grande passou de uma área tipicamente rural, até meados do século XX, para uma região marcada por um comércio forte, variedade de serviços, empreendimentos, construções e, consequentemente, trânsito caótico.
    Alguns apontam o ano de 1603 como o de "fundação" do bairro, devido a distribuições de sesmarias; outros, o ano de 1673, devido à criação da capela do Desterro, ainda em terras do atual bairro de Bangu; e outros apontam 1757 como o ano de criação da Freguesia de Nossa senhora do Desterro de Campo Grande, dando início ao bairro. Não se tem uma conclusão sobre o assunto.
    Em 1878, a estação de trem de Campo Grande foi inaugurada, passando a ligar o bairro a outras partes da cidade. Logo em seguida vieram os bondes. Em 1894, foram instaladas linhas de bondes de tração animal, ligando Campo Grande a Guaratiba, com, a princípio, a finalidade de transportar capim para os burros da empresa que recebera concessão para a instalação das linhas de bondes. Devido à solicitação de moradores, o transporte se estendeu aos passageiros. Em 1915, a tração animal foi substituída pela elétrica. Ainda em termos de transporte, mais tarde Campo Grande  presenciaria o surgimento das chamadas Lotações.




                     

    Acima, primeira imagem. Vagão remanescente dos bondes. Fonte: Jornal Zona Oeste Especial, 1998)
    Segunda foto. Lotação do sub bairro Magali, em Campo Grande. Fonte: Face Malu Ravagnani.

    Voltando um pouco, em 1883 foi inaugurado o abastecimento de água em Campo Grande. O mesmo melhorou com a inauguração do reservatório Victor Konder, no Morro do Barata, em 1928. É bom lembrar que antes, a população da região se abastecia no "Arraial da Matriz", o poço Nossa Senhora do Desterro, junto à igreja principal. Já a luz elétrica foi fornecida às casas campograndenses por volta de 1917, com a iluminação pública sendo inaugurada em 1919.
    Percebe-se que entre o final do século XIX e início do século XX, a região começa a receber melhorias e transformações em vários aspectos, que alteram o perfil da localidade e de sua população. Só pra ressaltar, Campo Grande, até aproximadamente 1908, era um povoado simples, com alguns caminhos e estradas de terras batidas, com os principais caminhos só sendo reconhecidos pelo município a partir de 30 de outubro de 1917.
    Abaixo encontra-se uma planta do bairro do ano de 1906, com Campo Grande começando a buscar uma estruturação que atendesse o aumento de sua população e do comércio.
Fonte: prefeitura do Distrito Federal, Censo, 1906.

Números da planta: 1: Estação ferroviária Central do Brasil.
                                 2: Rua Coronel Agostinho (atual calçadão de Campo Grande)
                                 3: Estrada de Santa Cruz (mais tarde Avenida Cesário de Melo)
                                 4: Rua Marcolina
                                 5: Estrada Rio do A
                                 6: Igreja Matriz Nossa Senhora do Desterro

    Abaixo, primeira estação de trem de Campo Grande, construída logo que foi criado o ramal para o Curato de Santa Cruz, inaugurada em 2 de dezembro de 1878. Se observarmos bem, é possível perceber, à esquerda, a antiga passagem de nível que ligava a Rua Barcelos Domingos à Praça 3 de Maio, atual Praça Raul Boaventura.
Fonte: Jornal Zona Oeste, Edição Especial, n°857, 1992. Retirada do livro "Rumo ao campo Grande por trilhas e caminhos", de José Nazareth de Souza Fróes e Odaléa Ranauro Enseñat Gelabert. Rio de Janeiro - 2005.

    Já na década de 1920, o bairro entraria no "período" das laranjas, sendo uma das maiores regiões produtoras da fruta em todo o estado do Rio. Porém, com o fim do ciclo das laranjas, praticamente na metade do século XX, Campo Grande inicia uma relevante metamorfose em sua estrutura. 
    Em 1963 é inaugurado o Mercado São Brás (grafia da época), atuando inicialmente como uma feira, e mais tarde tomando uma forma mais comercial. Em 1976 foi inaugurado o Calçadão de Campo Grande, na Rua Coronel Agostinho, fazendo do local o centro econômico e comercial de Campo Grande. Voltando à década de 1960, a Avenida Brasil chegaria à região, ao mesmo tempo que surgiam também grandes loteamentos no lugar das plantações, e uma certa orientação do governo em "promover" o aumento populacional da Zona Oeste, porém sem infraestrutura na mesma proporção. Isso tudo ajudou na alteração do perfil da região.
    Daí em diante vieram as indústrias, destacando-se o Distrito Industrial de Campo Grande, criado em 1975; os bancos, as faculdades, entre outros serviços e, já no século XXI, o aumento considerável dos empreendimentos, habitações e prédios comerciais e de serviços, além de um espantoso surgimento de inúmeros estacionamentos, com alguns, inclusive, substituindo importantes instituições, como é o caso do extinto Colégio Belisário dos Santos, na Rua Augusto Vasconcelos.
Fonte: Internet

     E assim Campo Grande continua seu processo de evolução (transformação) espacial, econômica e populacional, com algumas coisas indo (Luso Brasileiro, na estrada do Campinho, por exemplo) e outras chegando (condomínios, em seu lugar), concluindo que o espaço é dinâmico, tendo relação direta com a sociedade, sendo assim um produto social, resultado de ações acumuladas através dos tempos, e engendradas por agentes que produzem e consomem o espaço.

Fontes pesquisadas:
SOUZA, Carlos Eduardo. "A evolução econômica e populacional de Campo Grande - Século XX". Rio de Janeiro. Edital. 2015, 1° edição.
FRÓES, José Nazareth, GELABERT, Odaléa Ranauro. "Rumo ao Campo Grande por trilhas e caminhos. Rio de Janeiro. 2004.

               

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Um Campo Grande ainda ao longe

    Campo Grande, bairro mais populoso do Rio de Janeiro, já foi conhecido como área agrícola, Zona Rural, parte do então Sertão Carioca. O bairro já abrigou engenhos de açúcar, grandes produções de laranjas, alguns outros produtos e, segundo alguns historiadores, a região também foi gênese do famoso ciclo do café no Brasil, iniciado, segundo os mesmos, no Mendanha.
    Porém, principalmente a partir de meados do século XX, a região começou a mudar, de forma relevante, suas paisagem e dinâmica. De área tipicamente rural, o bairro da Zona Oeste transformou-se em área urbana (ou suburbana) em expansão, após o crescimento do comércio e dos serviços, e a chegada das indústrias. Atualmente, o que predominam no bairro são os prédios, construções, lojas, trânsito, ou seja, características que não remetem mais ao rural.
    Entretanto, em alguns pontos do bairro ainda é possível presenciar importantes bolsões agrícolas, como as regiões do Rio da Prata, do Mendanha e da Serrinha. Nesta última localidade, próxima ao Mendanha, e ao mesmo tempo perto da Avenida Brasil, parece que o tempo parou. A paisagem, em sua maior parte, lembra o passado agrícola do bairro, com vastas plantações e vegetação presentes. Algumas residências ainda têm como características terrenos extensos, abrigando mais de uma casa, praticamente sem (ou com fina) cerca, separando a vizinhança, com plantações e árvores variadas presentes e espalhadas pelo grande quintal.
    Pouco se vê condução, e ao mesmo tempo percebe-se alguns hábitos de certos moradores, remetendo a tempos passados, como a forma de falar e tratar as pessoas. E é claro que, como característica de "interior", não pode faltar uma igreja católica. Nesse caso, encontra-se a Igreja Nossa Senhora da Paz. Nota-se também no costume das pessoas em referir-se ao centro do bairro como "Vou ali em Campo Grande", como se só o centro representa-se o bairro. Na verdade, isso se estende para o centro do município do Rio, quando as pessoas mais afastadas, incluindo quem mora em Campo Grande, ainda dizem: "Vou lá na cidade resolver um problema", como se Campo Grande não pertencesse ao Rio de Janeiro. São como resquícios da época de Zona Rural.
    Assim, conclui-se que algumas partes de Campo Grande ainda são "ilhas", "a milhas e milhas de qualquer lugar", e estando ainda "longe demais das capitais".

    Abaixo, imagens da Serrinha, tiradas de dentro de uma residência do local
   


Fotos. Créditos: Carlos Eduardo de Souza.