sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A "fundação" de Campo Grande

    O bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, festeja seu aniversário no mês de novembro, com base numa data das primeiras doações de sesmarias (grandes propriedades fundiárias, cedidas pelos reis de Portugal a certos povoadores). Com isso, o aniversário de fundação do bairro de Campo Grande segue uma manchete estampada em um periódico tradicional da região: "Senhores campograndenses, Campo Grande, a luz meridiana, teve sua fundação em 17 de novembro de 1603".
    Mas Campo Grande foi realmente fundado? Há fontes históricas que afirmam que não, pois estas constam que o bairro foi se formando, constituindo, por um longo período, terras de algumas sesmarias da região, até tornar-se o bairro atual, com seus devidos limites.
    Segundo documentos oficiais, em dia 06 de junho de 1569, João de Bastos e Gonçalo D'Aguiar receberam uma doação de um pequeno monte de Jerissinonga (Gericinó). Assim, possivelmente a partir dessa data, a região do Campo Grande começou a ser habitada. Mais tarde, devido à crescente expansão territorial e o aumento da população do Rio de Janeiro, surgiram novas freguesias (divisão territorial predominante no Brasil durante os períodos colonial e do império, consistindo em uma área vinculada à uma paróquia e adjacências), com a de Campo Grande sendo criada em 1673, com a construção da Capela do Desterro em terras do atual bairro de Bangu.
    Ainda assim, com relação à data da criação da Freguesia de Campo Grande, a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande (resumida hoje a uma Paróquia localizada no centro comercial e econômico do bairro), existem algumas divergências entre os historiadores e pesquisadores. Alguns afirmam que na época não havia paróquia no local, e que somente em 12 de janeiro de 1757 é que foi concedido o alvará, que é o título de criação de uma freguesia.
    Seguindo estes raciocínios, realmente não dá para afirmar que Campo Grande foi "fundado" em 17 de novembro de 1603, já que vê-se no texto outros fundamentos que podem comprovar também o "nascimento" do bairro, como a construção da Capela do Desterro em 1673 e o alvará da criação de uma freguesia em 1757. Porém, ter uma data para comemorar um aniversário não traz nenhum problema, pelo contrário, só constata que o bairro celebra mais um ano de história, com suas transformações atingindo diretamente sua população. Então: "PARABÉNS, CAMPO GRANDE!"

Imagem. Fonte: Cartão Postal, Edições Ambrosiana.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Os impactos de um supermercado em Campo Grande

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  Foto: Aline Xavier
     
     É fato que o espaço em que vivemos sofre modificações com o passar do tempo. E com as modificações, alguns impactos (positivos e negativos) surgem, transformando paisagens, trânsito, modo de viver da população, entre outros.
    Um exemplo recente no bairro de Campo Grande diz respeito a inauguração de outro Supermercado Guanabara na região (o mais antigo localiza-se no centro do bairro). O mais novo, inaugurado este ano, encontra-se entre a estrada Rio do A e a Rua Victor Alves. Com a construção e posteriormente inauguração do supermercado, algumas alterações relevantes foram presenciadas nesse trecho de Campo Grande, como por exemplo, modificações no  sentido do trânsito da já citada Victor Alves; abertura em um ponto da estrada Rio do A, "atravessando-a"; placas indicando, além do Guanabara, outros locais de acesso do bairro a outras localidades; colocação de semáforos, além de todo um trânsito controlado por agentes em torno do supermercado. Ou seja, toda uma estrutura foi articulada devido à presença desse novo estabelecimento.
    Parte disso impacta diretamente no já caótico trânsito do bairro, principalmente na estrada Rio do A, que há tempos recebe um grande fluxo de veículos, oriundos, em boa parte, da estrada do Mendanha (onde localiza-se um dos shoppings do bairro, o West Shopping) em direção ao Viaduto Alim Pedro.
   Com relação à Rua Victor Alves, uma considerável retenção já é notada após a inauguração do supermercado, indo até à antiga estrada Rio-São Paulo, a qual é atravessada pela já citada rua. É bom salientar que a rua tem uma importância geográfica por “começar” no centro de Campo Grande e “ir” para outra parte do bairro. Além de abrigar o tradicional teatro Arthur Azevedo, a mesma tem a presença de uma diversidade religiosa, abrigando, em seu percurso, uma igreja evangélica, a Paróquia Bom Pastor e o Centro Espírita Luz e verdade.
     Uma curiosidade sobre a Rua Victor Alves é que a mesma homenageia o advogado, escritor e jornalista de nome citado, membro da academia carioca de letras. Nascido em Guaratiba, em 1894, filho de lavradores, este era maçom e seguia o pensamento positivista (ordem e progresso), além de escrever para alguns jornais e revistas (destacando “O Triângulo”, jornal que fazia referência a uma região formada por três bairros importantes do então sertão carioca: Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba), vindo a falecer com apenas 39 anos, em 1934, vítima de tifo. 
    E assim, Campo Grande continua seu caminho de evolução (não necessariamente positivo ou negativo, e nem sempre com ordem, mas com relativo progresso), testemunhando modificações importantes em seu espaço abrangente.