terça-feira, 17 de julho de 2018

Viaduto Oscar Brito ou Viaduto dos Cabritos?

 Imagem. Fonte: Saiba História blog

   Se tem um fato que é comum na cidade do Rio de Janeiro é a questão da origem de nomes de certos lugares na cidade, como praças, ruas, bairros e inclusive viadutos. Podemos citar como exemplo o bairro de Realengo, que muitos atribuem o nome ao fato da existência de uma abreviação de Real engenho (Real engo.). Porém existe uma outra versão, que explica que o nome origina-se da denominação da região no período imperial, chamadas de terras realengas de Campo Grande, sendo a nomeação de tudo que estava longe do poder real.
    Um outro exemplo é a Ilha de Guaratiba, que nem ilha é, mas que segundo uma versão muito divulgada, viveu no local um oficial inglês, chamado William. As pessoas o chamavam constantemente de "Seu William de Guaratiba". Falando rápido, ficou "Ilha de Guaratiba". Mas uma outra versão baseia-se num documento de 1806, antes da chegada do "Seu William", que provavelmente veio junto à Corte Portuguesa, com D. João VI, em 1808. Nesse documento já era citado um Engenho da Ilha na localidade, pois mesmo não se tratando propriamente de uma ilha, o local apresentava canais e valas, que em dias de chuva faziam a população usar canoas nessas ocasiões.
    Localizado na Antiga Estrada Rio-São Paulo, próximo à AMBEV, existe mais um local que é palco dessas curiosidades e controvérsias cariocas: O Viaduto Oscar Brito, ou Viaduto dos Cabritos. Popularmente mais conhecido e divulgado pelo segundo nome citado acima, o viaduto sempre gerou essa dúvida na população da região. No local a placa anuncia "Viaduto Engenheiro Oscar Brito". Existe uma versão, bem aceita e divulgada pela população, que afirma que o nome sempre foi Viaduto Engenheiro Oscar Brito, mas devido ao fato das pessoas falarem de forma rápida, o nome começou a soar como Viaduto dos Cabritos.
    Porém, segundo registro no Decreto número 723, de 21 de janeiro de 1965, consta: "Viaduto dos Cabritos, viaduto da Antiga Estrada Rio-São Paulo, situado sobre a Avenida Brasil, com 95.0 metros de extensão".
    Inclusive, segundo uma reportagem do Jornal O Globo, de maio de 1966, o nome, antes de ser oficial, foi sim um apelido popular, surgido após uma visita às obras de construção do viaduto, feita por Carlos Lacerda. Abaixo, trecho da reportagem:
    "O apelido apareceu quando de uma visita do Sr. Carlos Lacerda à obra, na sua fase de construção, ocasião em que comentou com o engenheiro a pouca serventia de um viaduto naquele local e lamentou também, a verba que ali estava sendo aplicada, em detrimento de outras obras mais urgentes. Foi quando avistou, então, vários cabritos passando sobre o viaduto ainda em concretagem, momento em que afirmou que, pelo menos, ele já estava sendo usado. Seria um viaduto para cabritos - concluiu.".
    Até foi sugerida a troca do nome, mas não para Oscar Brito, e sim para "Engenheiro Manuel dos Santos Dias", antigo funcionário do estado, segundo mesma reportagem.
    Então, de onde vem o nome Oscar Brito? Qual nome está valendo? Esse é mais um dos mistérios dos nomes de locais na cidade do Rio de Janeiro.

    Fontes consultadas: Face Rio de Coração Tour
                                     Face Santa Paciência / texto "A Ilha do "Seu William", por André  Luis Mansur.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Campo Grande: terra dos laranjais ou da avicultura?

    Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, já possuiu uma paisagem essencialmente agrícola. Um grande período rural do bairro foi o dos laranjais, entre as décadas de 1920 e 1940, principalmente. Nesse período, Campo Grande era um dos maiores produtores de laranjas do estado do Rio de Janeiro, exportando principalmente para a Inglaterra. Porém, devido a alguns fatores, como pragas e prejuízos com exportações, devido ao fato dos países compradores da laranja estarem envolvidos na 2° Guerra Mundial, o "ciclo" dos laranjais entrou em declínio até desaparecer de vez.
    Só que além dos laranjais, Campo Grande já foi destaque também na criação de galinhas, num período relevante da avicultura no bairro, como mostra a imagem abaixo do jornal O Carioca - BN - 1944.
Imagem. Fonte de pesquisa: Guaraci Rosa

    À época, a matéria deixava claro que o bairro da Zona Oeste ficava "longe demais das capitais", como o repórter constatara: "Um verdadeiro suplício chegar em Campo Grande, trem lotado, baldeação em Bangu para sair do trem elétrico e passar para um trem puxado à máquinas".
    Atualmente, Campo Grande mantém viva a lembrança do período rural. Uma escultura de uma laranja localiza-se na Avenida Cesário de Melo, próxima ao Hospital Rocha Faria; já no Calçadão do bairro, mesmo passando despercebidas da maioria dos transeuntes, é possível notar figuras de galo no chão, feitas de pedras portuguesas, remetendo à época do auge da avicultura na região.

Imagem da escultura da laranja. Fonte: www.pcg.com
Imagem do galo. Fonte: Carlos Eduardo de Souza.

Fonte de pesquisa do artigo: Face Santa Paciência

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Um título nacional da Zona Oeste

    A Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, que um dia já foi a Zona Rural, orgulha-se por possuir um título nacional no futebol: a Taça de Prata de 1982, equivalente à atual Série B do futebol brasileiro. O título foi conquistado pelo Campo Grande Atlético Clube, até hoje muito lembrado e comemorado pelos torcedores e moradores do bairro. 
    O título do campusca, como é conhecido na região, foi tema, inclusive, de uma reportagem exibida no programa Globo Esporte, em 6 de novembro de 2015. A conquista da Taça de Prata é muito importante não só para o Campo Grande, mas para toda a Zona Oeste, pois é o único título brasileiro conquistado por um clube da região, já que o Bangu, outro clube tradicional da antiga Zona Rural, e de certa forma rival do galo alvinegro, bateu na trave em 1985, quando foi vice-campeão brasileiro da Série A, perdendo a final para o Coritiba no Maracanã.
   
Imagem. Fonte: Edição dos campeões blogger

    Abaixo, a campanha vitorioso do galo campeão

    Campo Grande 2-0 Americano (Campos-RJ) / Data:23 de janeiro de 1982. Local: Rio de Janeiro - RJ.
    Campo Grande 3-0 Portuguesa (São Paulo) / Data: 28 de janeiro de 1982. Local: Rio de Janeiro - RJ.
    Campo Grande 1-1 Uberaba (MG) / Data: 31 de janeiro de 1982 / Local: Uberaba - MG.
    Campo Grande 2-0 América Mineiro / Data: 03 de fevereiro de 1982. Local: Belo Horizonte (MG)
    Campo Grande 3-1 Comercial (MS) / Data: 07 de fevereiro de 1982. Local: Rio de Janeiro - RJ.
    Campo Grande 2-2 Volta Redonda (RJ) / Data: 17 de fevereiro de 1982. Local: Rio de Janeiro - RJ
    Campo Grande 1-2 Atlético Paranaense / Data: 20 de fevereiro de 1982. Local: Curitiba - PR
    Campo Grande 0-0 Goiás / Data: 27 de fevereiro de 1982. Local: Goiânia - GO
    Campo Grande 4-0 Goiás / Data: 06 de março de 1982. Local: Rio de Janeiro - RJ
    Campo Grande 3-2 River (PI) / Data: 14 de março de 1982. Local: Teresina - PI
    Campo Grande 4-0 River (PI) / Data: 20 de março de 1982. Local: Rio de Janeiro - RJ
    Campo Grande 4-0 Uberaba (MG) / Data: 28 de março de 1982.  Local: Rio de Janeiro - RJ
    Campo Grande 2-0 Uberaba (MG) / Data: 04 de abril de 1982. Local: Uberaba - MG
    Campo Grande 3-4 CSA (AL) / Data: 11 de abril de 1982. Local: Maceió - AL
    Campo Grande 2-1 CSA (AL) / Data: 18 de abril de 1982. Local: Rio de Janeiro - RJ
    Campo Grande 3-0 CSA (AL) / Data: 20 de abril de 1982. Local: Rio de Janeiro - RJ

Bibliografia consultada: Almanaque Histórico do Campo Grande Atlético Clube. Raymundo Quadros e Julio Bovi Diogo.


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Jubileu de ouro do bairro-cidade de Campo Grande



Foto: Carlos Eduardo de Souza



  • Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, destaca-se pela sua grande extensão, por sua influência na região e por ser o mais populoso do município. Porém, no mês de junho de 2018, o bairro completa um jubileu de ouro de um fato muito importante e curioso: o título de bairro-cidade. Segundo a Lei n° 1627, de 14 de junho de 1968, sendo um projeto do deputado Frederico Trotta, sob a gestão do então governador da Guanabara, Negrão de Lima, dizia-se no Art. 1° - “É reconhecida como “Cidade” a localidade de Campo Grande, passando a denominar-se Cidade de Campo Grande”.   Assim, há 50 anos, o bairro de Campo Grande, ou a localidade, era reconhecido como “Cidade honorária”.
  •  Devido a isso e a outros fatos, surgiram alguns movimentos em prol da emancipação, com, a princípio, o propósito de combater os problemas e realizar uma melhor administração. Mas, mesmo possuindo um título de bairro-cidade, ou de cidade honorária, Campo Grande continua sendo oficialmente um bairro, com uma estrutura de uma cidade, é verdade, influenciando bairros próximos e atraindo população desses e até de municípios, principalmente por ser, entre outros atributos, um polo comercial da região.
  • Afinal, Campo Grande pode ser considerado um sub centro regional, com um suporte que supera muitas cidades, já que não é qualquer bairro que possui três shoppings e uma população de aproximadamente 350 mil habitantes. É realmente um bairro-cidade.