quinta-feira, 11 de junho de 2020

Corpus Christi, Santa Juliana e o bairro de Campo Grande




   O Corpus Christi é uma data muito aguardada pelos católicos, pois é considerada a homenagem ao sacramento da Eucaristia, o corpo e sangue de Cristo. Para os católicos não praticantes (se é que essa definição possa existir) trata-se de uma respeitada tradição; e para o restante, mais um belo feriado para ser aproveitado.
    Ocorrendo numa quinta-feira (referência à quinta-feira da semana santa, quando Jesus fez a última ceia e instituiu a Eucaristia), podendo ser entre maio e junho, sempre após a festa da Santíssima Trindade, 60 dias após a Páscoa, o dia de Corpus Christi é lembrado também por fiéis que decoram as ruas com os tradicionais tapetes de Corpus Christi, sendo muito comuns em várias cidades do Brasil, confeccionados com serragens, borra de café, areia, flores, entre outros, representando cenas bíblicas, objetos devocionais, figura de Cristo, do pão e do cálice.
     A origem remonta ao século XIII, quando o Papa Urbano IV, após receber uma confidência (antes de tornar-se Papa) de Juliana de Mont Cornillon, instituiu a solenidade do Corpus Christi.  Santa Juliana (à época Juliana de Mont Cornillon) passara a ter visões que solicitavam à igreja uma festa na qual os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a fé e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento. 
     Devido a isso, pode-se atribuir a existência da celebração de Corpus Christi à iniciativa de Santa Juliana.
     No bairro de Campo Grande encontra-se uma rua denominada Santa Juliana, próxima à localidade São Basílio. Até aí, nada demais. Porém, colada à essa rua, localiza-se a rua São Basílio. Segundo a tradição, há muitos séculos, um dos monges de São Basílio, que duvidava da presença do Cristo na Eucaristia, espantou-se quando a hóstia consagrada se transformou em carne, e o vinho, também consagrado, em sangue.
     Assim, uma rua leva o nome da santa que deu a ideia de celebrar a festa em que o corpo de Cristo sai às ruas; enquanto a rua ao lado leva o nome de um santo que possuiu um monge que duvidou da presença do Cristo na Eucaristia. Coincidência?
     E nesse mesmo local encontram-se ainda outras ruas, umas "ao lado" das outras, com nomes de santos. São as ruas São Gervásio, Santo Irineu e São Cirilo. Quer mais coincidência? Os três santos são do mês de junho, o qual Corpus Christi mais ocorre: São Gervásio, dia 19; Santo Irineu, 28; e São Cirilo, 09 (sendo que este último possui outra data da Igreja Católica em outro mês).
      É o mistério da Eucaristia.





terça-feira, 2 de junho de 2020

O futebol de rua de ontem e de hoje

   Luís Fernando Veríssimo, em sua crônica "Futebol de rua", define muito bem o que significa esse "tipo de esporte" muito praticado através dos tempos. Como o próprio autor diz, existe o futebol profissional; a "pelada", que é o futebol praticado em campinho ou terreno baldio; e existe o futebol de rua, mais simples que a própria pelada.
     E eu pratiquei muito esse "esporte radical", o qual tem suas regras próprias (em muitos casos ausência de regras mesmo). Por exemplo: os gols podem ser  representados com chinelos, tijolos, mochila, roupa embolada ou qualquer outra coisa que marque onde a bola vai passar (em casos mais modernos pequenas traves de madeira ou de ferro. Mas em casos raros!). Se não tiver bola, qualquer outra coisa esférica serve (ou nem tão esférica assim).
     No futebol de rua, o primo pobre da pelada, tem até gandula. Os que ficam esperando a próxima partida para jogarem são "acionados" para ficarem pegando a bola quando for preciso. No meu caso, os "próximas", como a gente chamava quem ficava aguardando, tinham mais trabalho, pois o nosso futebol de rua era praticado numa rua que ficava no alto, a Taufik Dib, no simpático local chamado Corcundinha,  no bairro de Campo Grande, onde morei com minha família por 27 anos. Nessa pequena elevação (não sei se o nome Corcundinha é mera coincidência) qualquer chute mais forte em direção ao gol, se o "próxima" não tivesse atento, a bola ia parar lá embaixo. Aproveitando a geografia do lugar, marcávamos os famosos "time contra", quando jogávamos contra  o "time de baixo" de um lado do morro, e o "time de baixo" da outra descida. E quando dois jogadores de times opostos chutavam juntos a bola e a mesma ia pra lateral? Ah, aí era fácil: "Bola estourada é da defesa!". Não podemos esquecer dos uniformes. No futebol de rua mais sofisticado, até existe algumas camisas de times. Mas nos mais tradicionais, é "time de camisa contra time sem camisa".
     A falta? Só se machucar o adversário, e mesmo assim se pede a falta com voz de brabo. Quem intimidar mais decide sobre a infração. O tempo pode ser "dez minutos ou dois gols", ou até a mãe de alguém arrastar um pra casa e um time ficar com menos um.
     E o grande problema é a reposição do tempo, pois  constantemente  a partida é paralisada para os automóveis e pedestres passarem (no caso de pedestres, só para os mais idosos. Os outros a gente pede pra subirem a calçada). 
     É comum também os inúmeros machucados no dedão do pé, pois a pelota rola no asfalto ou em terra batida, com os jogadores sempre descalços.
      Dentro do futebol de rua também já pratiquei "Futebol de calçada", fazendo muro do vizinho de gol, e até "torneios", no "um contra um", com o goleiro neutro.
     Com o passar do tempo, com o advento dos condomínios fechados e praças públicas, o clássico futebol de rua foi diminuindo (em alguns lugares quase desaparecendo), assim como a bola de gude, a "bandeirinha", o "queimado", entre outros.
     Mas, se organizássemos  um futebol de rua hoje, como seria a divisão dos times? Poderia ser "time de direita e time de esquerda?". Ah, será que poderia ser "time com máscara e sem máscara?". Quem sabe? Seria o futebol de rua moderno. 

Ilustração: Elder Veríssimo 

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O Salim de Campo Grande

    De origem árabe, o nome Salim, segundo fontes, significa algo como "paz", um "homem com energia para transformar boas ideias em trabalho lucrativo".
     No bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, existe uma localidade (ou sub-bairro), na estrada do Tingui, denominado Salim. Segundo moradores mais antigos, o nome faz referência a um proprietário de terras chamado Salim, que viveu por essas bandas há muitas décadas. Alguns afirmam que o mesmo se tratava de um turco. Porém, era comum na região, descendentes de árabes/sírio-libaneses serem chamados de "turcos". Fica a questão no ar.
     Ainda é possível encontrar na localidade um casarão antigo que, segundo "Seu Eno", um simpático morador da residência em questão, pertenceu ao "Seu Salim". No local, de grande extensão, indo até quase a Avenida Brasil, há plantações, criação de animais e produção de queijo. E é muito comum avistar o "Seu Eno" com sua carroça saindo para seu trabalho, numa cena que remonta muito ao século passado.
Foto casarão antigo: Carlos Eduardo de Souza

    O Sub-bairro Salim também já foi palco de uma conhecida "corrida de cavalos" que, segundo Seu Eno e outros moradores, agitava a localidade, atraindo pessoas de várias partes da cidade.
     Um outro morador antigo do local, mas que hoje não mora mais no Salim, Leu Lima, afirma que no local havia um morro conhecido como "Morro Vermelho", destruído e atualmente dando lugar a um condomínio. Leu Lima ainda afirma que costumava brincar num campinho de futebol, próximo a laranjais, típicos da época em todo Campo Grande. Abaixo, um mapa que o antigo morador fez de como era aproximadamente a localidade do Salim no passado.

Mapa feito por Leu Lima.

     Obs: a rua da Bandeira hoje chama-se Estrada Carvalho Ramos, e a estrada das Bandeiras é hoje parte da Avenida Brasil, que segundo fontes, este trecho ligaria a Avenida Brasil, na estação de Lucas, com a Estrada Rio-São Paulo, em Campo Grande, passando por locais como Coelho Neto, Barros Filho, Deodoro, Gericinó e outros. Nos anos 1960, a Avenida das Bandeiras foi unificada com a Avenida Brasil.
     Ainda no mapa, Leu Lima aponta alguns detalhes do local da época, como algumas propriedades e a quem estas pertenciam.
     Abaixo, um mapa de aproximadamente anos 1950, pertencente a Leu Lima, com a Estrada do Tingui e a localidade do Salim próxima a ela.

    Hoje a localidade convive com as constantes transformações que o progresso proporciona, com elevado número de residências, comércio e serviços em expansão, construções, mas ainda mantendo sítios e paisagens que remontam ao passado rural.
Foto: Carlos Eduardo de Souza. 

Fonte consultada: saudadesdoriodoluizd.blogspot.com
Agradecimentos especiais pelas informações a Leu Lima. 


    

terça-feira, 26 de maio de 2020

"Os Paralamas do sucesso vão tocar...no Campo Grande "

Além do futebol

     Dizem que duas das grandes paixões do brasileiro são futebol e música. Pois bem, seguindo essa máxima, o Estádio Ítalo Del Cima, pertencente ao Campo Grande Atlético Clube, já foi palco tanto de jogos importantes, como de shows memoráveis. O estádio já presenciou a final da Taça de Prata de 1982, conquistada pelo clube da Zona Oeste e, inclusive, um Fla Flu, em 1992, quando o Maracanã passava por reformas.
     Mas, além do futebol, o estádio, que leva o nome de um imigrante italiano, grande empreendedor e figura muito conhecida na região, já abrigou grandes shows de grandes cantores e bandas do Brasil. Entre eles, o do Paralamas do Sucesso, no final da década de 1980, e o do Legião Urbana, em 1990. Alguns outros também se destacam, como o da irreverente Mamonas Assassinas, em 1996, e vários outros  grandes artistas.
   
  A imagem acima mostra o anúncio do show dos Paralamas do sucesso no Ítalo Del Cima, há décadas atrás. A banda, dona de vários sucessos como "Meu erro", "Lanterna dos afogados", "óculos" e outros, com certeza nesse dia afirmou, como diz a letra de "Vital e sua moto": "Os Paralamas do sucesso vão tocar..." no Campo Grande. 


 Foto: Jornal O Globo.


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Campo Grande: "ainda somos rurais?"

  

    Na última semana, o bairro de Campo Grande foi palco de uma cena curiosa: uma égua frequentando a passarela da estação ferroviária do bairro, bem no centro de Campo Grande.
 Imagem: g1.globo.com

 A região, que já foi conhecida como Zona Rural e Sertão Carioca, há tempos possui ares mais urbanizados ou/e suburbanos. Principalmente em sua área central, próxima ao Calçadão. Bolsões agrícolas ainda existem, como no Rio da Prata, Serrinha e Mendanha, e ainda é comum ver cenas de carroças dividirem espaço nas ruas com automóveis, mais nos sub-bairros afastados da área central.
     Mas ver uma égua transitar pelo centro do bairro e parar nas escadarias da estação ferroviária, bem no coração comercial de Campo Grande é meio inusitado. Ou realmente ainda temos um "quê" de rural? Ou foi apenas um fato isolado de uma área em urbanização? Ou ainda estamos longe demais das capitais?
     E aí, Campo Grande: Ainda somos rurais?


sábado, 23 de maio de 2020

Heleno de Freitas no Ítalo Del Cima

    Acima se vê um cartaz do filme "Heleno", o qual retrata a trajetória do talentoso e polêmico jogador Heleno de Freitas.
     O filme, que traz o ator Rodrigo Santoro representando o ex-jogador do Botafogo, teve partes filmadas no estádio Ítalo Del Cima, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. 
     Abaixo, um trecho do Filme rodado no estádio do Campusca.