O bairro de Campo Grande possui muitas características, como ser o bairro mais populoso do Rio (segundo pesquisas, do Brasil), ter um passado de Zona rural, o Sertão Carioca, da produção de laranja 🍊, de cana de açúcar, de café, dos bondes 🚊, entre outras.
Porém, uma marca que também caracteriza o bairro é o linguajar próprio de seus moradores. Algumas frases são típicas da população local, e principalmente todos entendem de forma rápida. Vamos a alguns exemplos:
Quando alguém do bairro fala "Vou a Campo Grande " parece estranho, porque ele já está em Campo Grande. Na verdade ele quer dizer que vai ao centro de Campo Grande, que fica no Calçadão e adjacências. Também é comum o nativo dizer "Vou lá fora", quando está indo ao centro do bairro.
Por falar em Calçadão, quando a pessoa vai ao local, ela simplesmente fala "Vou ao Calçadão ", como se esse fosse o único existente no mundo.
Alguns moradores também costumam de falar a palavra bonde pra algumas situações, como: "Me dá bonde aí", se referindo a uma carona; ou "Tá vindo o bonde", "Vou pegar esse bonde", se referindo a ónibus, vans ou algo parecido. Será porque no passado existiam bondes em Campo Grande?
Uma outra curiosidade do "dialeto " campograndense é com relação ao centro. Quando alguém em Campo Grande vai ao centro da cidade, por exemplo, ele pode dizer" Vou descer"; "Vou lá embaixo", ou simplesmente "Vou ao Centro". Em alguns casos, "ir ao centro" pode ser ir ao centro do bairro também.
Uma outra questão é a "divisão " que o bairro apresenta. Me refiro a uma linha férrea que separa o bairro em duas partes. Aí é muito comum a pessoa falar "Vou do lado de lá" ou "Eu moro do lado de cá", referindo-se aos lados separados pela linha do trem. Mas na verdade o "lado de lá " e o "lado de cá" depende do ponto de vista de quem fala.
E assim o campograndense raiz vive seu dia a dia, com todos se entendendo perfeitamente, literalmente falando a mesma língua.
E você, cria de Campo Grande, conhece mais alguma frase típica dos moradores do bairro?
Escreva aí nos comentários.



Acredito que a fala "Vou a Campo Grande", mesmo estando no bairro, seja por conta dos vários loteamentos ou residenciais que proliferaram em Campo Grande, na transição para o século XX.
ResponderExcluirNa época rural, o centro comercial de Campo Grande se resumia a algumas ruas, como Barcelos Domingos, Coronel Agostinho, Ferreira Borges, Viúva Dantas, Augusto Vasconcelos, basicamente.
Os loteamentos ficavam distantes, a partir de 1 km, numa época em que as pessoas andavam muito, mesmo em bairros longínquos, a sete km de distância do centro comercial. Talvez seja esse o motivo que perpetuou nas falas desse povo tão distinto.
Outro assunto interessante que eu sempre quis entender é esse "Vou lá embaixo", "Vou descer", para o centro do Rio de Janeiro. O saudoso Professor João Fernandes Filho afirmava que era um vício histórico, mas ele mesmo não tinha muitas referências sobre o assunto. Dizia que no século XIX, a maioria das famílias que aqui habitavam, principalmente as ricas, estabeleciam-se em casas de fazendas em encostas de morros. Quanto mais alto, mais significativo era o sobrenome de cada família, de forma que sua posição econômica era estabelecida pelo poder econômico dos produtos que cultivava, e o centro da cidade servia apenas para fazer seus negócios bancários, médicos, ou seja, usar o dinheiro que aqui conquistavam. Assim, diziam que iam 'lá embaixo' mostrar o poder que tinham.
'Cá, em cima', era para quem podia ter terras e poder.
João Fernandes, inclusive, estabelecia um paralelo entre as igrejas feitas em terrenos elevados, palacetes e, quando uma casa estava num terreno mais baixo, costumava-se construí-la com andares acima, para mostrar o poder econômico, que distinguia das famílias dos mais pobres, que moravam nas tais 'baixadas'.
Bom, de qualquer forma, cada informação que adquirimos acaba contribuindo para o nosso mosaico tão procedente de um bairro extremamente ímpar, como o nosso amado Campo Grande.
Obrigado, mais uma vez, professor e escritor Carlos Eduardo de Souza, por nos proporcionar mais conteúdo a respeito de nosso lugar de origem.
Uau! Seu comentário, como sempre, é uma aula. Muito obrigado por contribuir mais ainda com suas palavras, meu amigo. Visite sempre o blog.
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