sábado, 5 de março de 2016

Campo tempo Grande

O tempo inteiro andamos com o tempo.
Tempo pra chegarmos à casa a tempo,
tempo pra estudar, pra dormir, pra comprar...
Afinal, tempo é dinheiro.

O fluxo dos automóveis, o vai e vém das pessoas,
o tic-tac do relógio marcando o compassso,
o progresso que chega...
e vai-se o tempo.

Antigamente,
no horizonte se via o bonde,
agora é de ônibus, trem e BRT
que se anda em Campo Grande.

Foi-se o tempo que Campo Grande era uma ilha
"a milhas e milhas de qualquer lugar".
Já não é mais tempo de acreditar que Campo Grande
está "longe demais das capitais".

O tempo é passageiro,
a memória é permanente,
que guarda pra gente,
o futuro, passado e presente.

A população cresce com o tempo,
que fica quase sem tempo pra tudo.
Tudo fica mais rápido...
Estradas, túnel, viaduto.

Da Serrinha
ainda se vê um pouco do passado,
mesmo com o avanço
e o passa-passa dos "mata-sapos*".

Da Desterro a Santana,
se gasta um tempo (que não volta mais),
e do tempo dos laranjais
restou apenas monumento.

Movimento que não para com o tempo,
tempo que não para de passar.
O tempo não para nem no centro,
no Calçadão, nem no Rio da Prata.

As marcas dos trilhos
já não estão mais aqui.
Agora a ordem é o progresso,
Cabuçu, Vila Nova, Tingui...

Da estrada velha e empoeirada
só ficaram as marcas do passado.

O avanço abre passagem para a Brasil,
avenida que assim continua seu caminho
rápido para uns,
necessariamente lento e viril para mim...

Você e outros passageiros da lembrança,
desde a infância até algum dia que virá
das cinzas das indústrias,
ou do verde do Mendanha,
de lá pra cá em um instante,
com o tempo em Campo Grande.

*Termo utilizado por antigos habitantes das áreas rurais de Campo Grande para designar os ônibus, que ao circularem por essas áreas, atropelavam animais típicos dessas regiões, entre outros, sapos.

Texto de Carlos Eduardo de Souza


6 comentários:

  1. Lindo texto...
    E o tempo não pára, e corre, e avança, e que nos trás lembranças de um tempo que só existe em nossas memórias. Te Amo, meu irmão!!!

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  2. Obrigado, minha irmã. "O tempo passa e nem tudo fica a obra inteira de uma vida". Eu te amo você também.

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  3. Boa noite, professor Carlos Eduardo!

    Parabéns pelo blog! Excelente!

    Como posso adquirir um exemplar do seu livro sobre Campo Grande?

    Abraço,

    Professor Clarindo
    São João de Meriti, RJ
    pauloclarindo@gmail.com

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  4. Muito obrigado, professor. É bom saber que de alguma forma conseguimos manter viva a história de nossos bairros, cidades, entre outros. Com relação ao livro, infelizmente, foram publicados apenas 30 exemplares (todos vendidos), e a editora de meu livro fechou. Desde então estou procurando uma nova editora para produzir mais. Assim que conseguir, te aviso. Mais uma vez, muito obrigado.

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  5. Uma boa reflexão sobre o Tempo e a história do bairro de Campo Grande. Já estou divulgando lá no Saiba História. Parabéns pelo texto!

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    1. Obrigado, meu amigo. Como sempre, você me ajudando em divulgar meus artigos. Um grande abraço.

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