segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Um raio X atual do bairro de Campo Grande

 

O bairro de Campo Grande, conhecido por sua história envolvendo a época dos laranjais, dos cafezais, dos bondes e trens, da Igreja de Nossa Senhora do Desterro, do comércio e muito mais, surgiu como uma Freguesia, fez parte do chamado Sertão Carioca, Zona Rural, tornou-se propriamente bairro, e hoje "comanda" a Região Administrativa de Campo Grande, com os bairros de Vasconcelos, Santíssimo, Cosmos e Inhoaíba.

A partir da segunda metade do século XX, a região começou a passar de uma realidade de predomínio rural para uma cada vez mais urbana, principalmente com a chegada e consolidação do comércio e das indústrias, e mais tarde dos empreendimentos. Hoje, o bairro apresenta-se como um Centro de periferia, distante cerca de 50 Km do centro da cidade do Rio de Janeiro, sendo o bairro mais populoso do Rio de Janeiro, e também (segundo algumas pesquisas) do Brasil.

Abaixo, os bairros mais populosos do Brasil, segundo Censo 2022


BAIRRO                                                                                       POPULAÇÃO

Campo Grande - Rio de Janeiro (RJ)                                            367.160

Santa Cruz - Rio de Janeiro (RJ)                                                   238.932

Cocaia - São Paulo (SP)                                                                218.789

Bangu - Rio de Janeiro (RJ)                                                          216.942

Jacarepaguá - Rio de Janeiro (RJ)                                                 214.674

Cidade Ariston (COHAB) - Carapicuíba (SP)                              207.208

Copacabana - Rio de Janeiro (RJ)                                                 206.791

Cidade Tiradentes - São Paulo (SP)                                              200.860

Barra da Tijuca - Rio de janeiro (RJ)                                            199.426

Tijuca - Rio de Janeiro (RJ)                                                          180.038


A seguir, alguns outros relevantes dados atuais do bairro de Campo Grande:

° FAIXA ETÁRIA: A faixa etária predominante é entre 35 a 49 anos, representando cerca de 26% da população campograndense;

º GÊNERO: As mulheres representam a maioria, com um total de 197.902 habitantes, cerca de quase 54% da população;

º FAIXA DE RENDA DOMICILIAR: A faixa domiciliar mensal mais presente fica entre R$4.458 a R$8.255, representando 22,3% da renda mensal de Campo Grande;

º NÍVEL DE INSTRUÇÃO: Representando 38,11%, está a maior parte dos habitantes do bairro, sem o ensino fundamental completo. Em segundo lugar, com 34,64%, está a população com ensino médio completo e superior incompleto;

º Domicílios: Com um percentual de 84,69%, a maior parte da população vive em casas, com 26,03% da população morando em domicílios com 3 moradores.

Na questão ambiental, a Região Administrativa de Campo Grande apresenta 7 grandes unidades de Conservação: Parque Estadual do Mendanha; Área de Proteção Ambiental (APA) Gericinó-Mendanha; Parque Estadual da Perda Branca; Área de Proteção Ambiental da Perda Branca; Parque Natural Municipal do Mendanha; Área de Proteção Ambiental da Serra de Inhoaíba, Cantagalo e Santa Eugênia; e Área Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Floresta da Posse.

Devido à reestruturação territorial, com o aumento populacional, Campo Grande apresenta uma configuração com uma área central (o centro do bairro, com o calçadão e áreas próximas), cercado de periferias e zonas centrais, incluindo os já citados bairros componentes da Região Administrativa de Campo Grande, sub-bairros e periferias.

abaixo, um mapa do bairro de renda média por setores censitários. Campo Grande, Rio de Janeiro, RJ - 2022


 Na imagem, a cor verde, em alguns pontos do bairro, representando a população de maior renda, rodeada pela cor vermelha, de menor renda, nas chamadas "periferias" do bairro.

 

Fontes consultadas: Geofusion.com.br/blog/bairros-mais-populosos-do-brasil/acesso em 23.set.2024

Agenda Campo Grande 2030. Organização: Edivan de O. Fulgencio, Ingrid Nascimento, Thiago Mathias. Rio de Janeiro: Associação Casa Fluminense, 2024.


quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Samba no antigo Sertão Carioca

 

Antes de ser o atual bairro de Campo Grande, com características mais urbanas/suburbanas, a região já foi conhecida como parte do Sertão Carioca, aquele espaço longínquo dos holofotes, distante dos grandes acontecimentos da então capital do Brasil, a atual cidade do Rio de Janeiro. 
E essa imagem ficava clara na reportagem acima, de muitas décadas atrás, a qual descreve o local da seguinte forma:

"... quando a reportagem de A Manhã surgiu em Campo Grande na noite de quarta-feira, em seus giros pelas Escolas de Samba. A escolhida que tivemos por parte dos mentores da Escola de Samba 'Unidos' de Campo Grande e dos políticos locais, onde sobressaiu a figura simpática do grande Caldeira de Alvarenga... Quando fomos convidados para ir a Campo Grande, não deixamos de sorrir. Nunca ouvíramos mencionar a existência de uma Escola de Samba naquele longínquo subúrbio do ramal de Mangaratiba, muito embora mereça de nós a atenção devida... Entretanto, quem se lembra de ter visto desfilar na cidade da inesquecível Praça Onze uma escola de samba que representasse aqueles suburbanos?"

Fica claro na descrição como as atividades em Campo Grande eram vistas como "um ponto fora da curva", não fazendo parte do circuito da então capital da República. Mas o Samba do Sertão Carioca já existia, com a Unidos de Campo Grande representando a região, quando o ramal ainda era o de Mangaratiba, e quando Campo Grande ainda estava "Longe demais das Capitais". 

Fonte: reportagem A Manhã, Revista da Semana
 Década de 1930
Informações: Otávio Hugo Frota.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

O posto de saúde Belizário Penna

 


Localizado no sub bairro São Claudio, no bairro de Campo Grande, situa-se o Centro Municipal de Saúde Belizário Penna, mais conhecido como Posto de Saúde. Inaugurado em 19 de setembro de 1969 - pelo então governador do estado da Guanabara, Francisco Negrão de Lima, com o secretário do estado de saúde Dr. Hildebrando Monteiro Marinho - o hoje Centro de saúde começou como um posto sanitário, e não possuía nome, com os médicos cuidando apenas de doenças transmissíveis. 

Mais tarde, o governo transformou o local em Posto de Saúde,  incluindo novos atendimentos, com clínica médica e pediatria. Segundo fontes, o primeiro médico a atender no local foi Murilo Niemayer.

Nesse período, os centros municipais eram uma referência para a saúde pública local, significando para muitos (principalmente para as populações mais carentes  e afastadas dos centros) um refúgio para  as condições mínimas de saúde.



O Posto de saúde recebe o nome do médico sanitarista Belizário Penna,  figura muito relevante na história da saúde pública do Brasil. 

Atualmente, a unidade é uma referência epidemiológica, tendo como característica principal o controle, a prevenção e o acompanhamento dos casos de notificação, objetivando o controle das endemias e pandemias que possam acometer a região, atendendo cerca de mil pessoas por dia.



Fontes consultadas:

cmsbelizariopenna.blogspot

paulacmcs.blogspot.



sábado, 24 de agosto de 2024

História do bairro de Santíssimo

 

Localizado no meio do Parque Estadual da Pedra Branca, entre a Serra do Lameirão e a Avenida Brasil, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, encontra-se o bairro de Santíssimo. Pertencente à Região Administrativa de Campo Grande, criado por um decreto em 1981, a região tem, na verdade, seu início atrelado a séculos anteriores. 

Na verdade, o bairro pode ser considerado o mais antigo da Zona Oeste, levando em conta que o próprio possui uma data de criação, em 3 de dezembro de 1750. Essa criação de "Santíssimo " é lembrada por Monsenhor Pizarro, ao citar fatos de grande relevância que ocorreram na capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, erigida por Manoel Antunes Suzano, na Fazenda do Lameirão.
Nessas terras situadas nas proximidades da igreja, nasceu o bairro. A igreja guardava em sacrário o Santíssimo Sacramento. Daí o nome "Santíssimo ". Em 03 de dezembro de 1750, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, situada no Lameirão, servia de igreja matriz do ainda curato de Campo Grande, sendo elevada à Freguesia em 1755. Mais tarde a matriz de Campo Grande foi "transferida " para o atual local, onde localiza-se a igreja de Nossa Senhora do Desterro, centro de Campo Grande. 
Abaixo, um registro de terras de Santíssimo, dos proprietários (Fl. 44 do Livro de Registro das Terras Paroquiais).
    "Nossa Senhora é Senhora, é possuidora de sessenta braças de terras com quarenta de largo  no lugar denominado Santíssimo, que as houve por Escritura de doação que lhe fez o Capitão Francisco Telles Barreto  em 1716..."


Imagem: Terras Realengas, de José Nazareth de Souza Fróes  - 2004.

À época, Santíssimo era um importante ponto de passagem para aqueles que se destinavam à Fazenda de Santa Cruz, Itaguaí e litoral da Baixada de Sepetiba, além para as províncias de São Paulo e Minas Gerais, com os viajantes desfrutando de uma venda e um barracão de pouso.
Em 1890, nasceu em Santíssimo, Oscar Clemente Marques, que foi proprietário de uma farmácia localizada próxima à estação. Formado em medicina, ficou conhecido por prestar atendimento médico e fornecer medicamentos grátis a todos os que procuravam.
Em 23 de novembro de 1890, é inaugurada a estação ferroviária de Santíssimo, à época denominada estação "Coqueiro", nome de uma fazenda local. Mais tarde foi rebatizada como Estação Santíssimo. 
Atualmente, o bairro faz limite com Senador Vasconcelos, Senador Camará, Bangu e Campo Grande, sendo cortado por duas grandes avenidas: Avenida Santa Cruz (antigo caminho imperial de Santa Cruz) e a Avenida Brasil, a mais importante da cidade. No bairro também localiza-se a famosa Estrada da Posse, mencionada num grande hit de funk nos anos 1990, no rap dos MCs Coiote e Raposão, a até hoje conhecida "É que eu moro na estrada da Posse...". Além delas, destacam-se as estradas dos Coqueiros e de Sete Riachos.
Com uma população de aproximadamente 42 mil habitantes, Santíssimo hoje é uma espécie de bairro satélite de Campo Grande, sendo uma região de passagem na Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

Fonte consultada: Fróes, José Nazareth de Souza, 1928 - Terras Realengas. Rio de Janeiro  - 2004.

sábado, 17 de agosto de 2024

Jogador do Campo Grande Campeão mundial pela seleção

 


Em 1983, o Brasil sagrou-se campeão mundial sub 20, à época chamado de campeonato mundial Júnior (ou campeonato mundial de juniores). A equipe venceu a rival Argentina na final por 1x0, com gol de Geovani, então jogador do Vasco da Gama. 
E o Campo Grande, clube da Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi representando nessa competição. No elenco um jogador do clube, formado nas categorias de base do Campusca: Demétrio, o último abaixado à esquerda da imagem.
Demétrio  nasceu no Rio de Janeiro em 28 de novembro de 1963, começando a jogar no Campo Grande aos 9 anos. Com 15 já estava no time profissional. Na sua carreira, passou por Botafogo, America RJ, Operário MS, entre outros brasileiros, além de jogar na Espanha. 
Porém, foi no ano de 1983 que o jogador do Galo da Zona Oeste ficou marcado, ganhando pela seleção o título mundial sub 20, além do Sul americano da categoria também, representando o bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

Fonte consultada: terceirotempo.uol.com.br

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

"Causos" de minha avó

 


"CAUSOS" DE MINHA AVÓ


Ah, que saudade de sentar e ouvir minha saudosa avó Julia contar seus "causos "! Mesmo assustadores, aqueles contos me atraiam como um ímã, me despertando, ao mesmo tempo, medo e fascínio. 

    Adorava ouvir aquelas histórias que, sendo verdade ou não, me introduziam para um cenário bem real, principalmente porque a narração de minha avó materna era de um roteiro impecável. 

    E as histórias eram diversificadas. Tinham as tradicionais sobre Lobisomem, em suas noites de lua cheia; as de Mula sem cabeça, a famosa "mulher do padre"; o Saci-pererê,  que me contavam (não só minha avó) que assoviava e perturbava os cavalos; entre outros relevantes personagens que permeavam o imaginário (ou realidade) dos "mais antigos ". Tinha até um ser que minha avó chamava de "Mão Pelada", o qual ela falava que ocasionalmente visitava nosso quintal, que só mais tarde soube que era um animal de verdade (mas nunca soube se ele realmente algum dia esteve em nossa casa).

    Entre tantos "causos", lembro-me até hoje de um específico. Minha avó relatou mais ou menos assim:

    "Numa certa noite, eu e um amigo vínhamos caminhando por um campo aberto, sem ninguém, com poucas casas e iluminação, voltando para casa. Entre uma conversa e outra, avistamos um homem parado perto de uma ponte onde passaríamos. Era um homem bem alto, sem movimentos, muito estranho. Pensamos em voltar, mas não havia outro caminho, e até porque era apenas um homem. Pois então, fomos ao encontro do tal ser, tentando evitar olhá-lo. Quando passamos por ele, ao darmos 'Boa noite', cometemos o erro de olharmos para ele. E... surpresa! A parte de cima dele estava coberta por uma espécie de névoa. Não dava pra ver a cabeça do homem! Corremos tanto que chegamos à casa mais rápido do que o esperado. É... meu filho, a noite tem muitos mistérios, é quando os 'bichos' ficam soltos."

    Pronto! Ali era um misto de medo e satisfação por ouvir mais uma história de assombração. E pra dormir depois? Só Deus na causa (ou no "causo"). Mas quem diz que no outro dia não estaria ali de novo pra ouvir (e me assustar) com mais um conto?

    E até hoje não duvido de todas essas histórias. E é essa que é a graça: o infinito imaginário, sem certeza, cem por cento de nada. A inocência da dúvida.

    Como diria Zé Ramalho: "Mistérios da meia-noite que voam longe, que você nunca não sabe nunca..." 


Autor: Carlos Eduardo de Souza

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Emoji e Campo Grande

 

No dia 17 de julho, é comemorado o dia mundial do Emoji. Surgidos no Japão, em 1999, sendo uma junção de "e" (imagem) e "moji" (caractere), esses pequenos ícones transformaram a maneira de nos comunicarmos. Até um filme já foi lançado sobre o tema, em 2017, o "Emoji", explorando o mundo desses ícones.
A data é comemorada devido ao emoji do calendário disponível nos iPhones, marcando o dia 17 de julho. Também foi nesse dia, no ano de 2002, que o iCal, calendário da Apple, para Mac foi lançado. 

E o bairro de Campo Grande? Teria algum emoji que melhor o representaria? Só pra dar uma ideia, já fomos o bairro da laranja 🍊,  dos bondes 🚊, entre outros.

Quer concorrer a um prêmio?
Escolha um emoji que melhor representaria o bairro de Campo Grande na sua opinião, e em seguida escreva o motivo. O melhor emoji e comentário leva. Vamos lá! Vamos participar!