quarta-feira, 21 de abril de 2021

O "descobrimento" do Brasil... e de Campo Grande

 


Oficialmente, o Brasil foi descoberto (ou pré-colonizado) a 22 de abril de 1500. A esquadra comandada pelo almirante Pedro Álvares Cabral, constituída de treze (alguns estudos apontam onze) navios e com uma tripulação de aproximadamente 1.200 homens, e que deveria ter seguido a rota das Índias (ou estrategicamente, para contornar a África sem tribulações, usou uma combinação de correntes marítimas e vento que se aproxima do Brasil, e que torna o caminho mais tranquilo, para depois prosseguir seu caminho) fundeou as costas de uma região do atual estado da Bahia.

Os indígenas chamavam de Pindorama (terra das Palmeiras) a região onde habitavam. Cabral acreditou que havia descoberto, a princípio, uma ilha e denominou-a de Ilha de Vera Cruz. Depois, ante a verificação de que se tratava de um verdadeiro continente, passou a ser chamada de Terra de Santa Cruz. Mais tarde, constataram a existência de uma árvore da qual se extraía uma tinta de larga aplicação na época: o Pau-Brasil, dando nome ao nosso país, um verdadeiro Campo Grande. 

E por falar em Campo Grande, o bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro festeja seu aniversário, não em 22 de abril, mas em 17 de novembro, com base numa data das primeiras doações de sesmarias (grandes propriedades fundiárias cedidas pelos reis de Portugal a certos povoadores). Assim, o aniversário de fundação do bairro de Campo Grande segue uma manchete estampada em um periódico tradicional da região: "Senhores campograndenses, Campo Grande, a luz meridiana , teve sua fundação em 17 de novembro de 1603".

Mas o "descobrimento " de Campo Grande possui outras possíveis datas. Há fontes históricas que afirmam que o bairro começou a se formar quando, segundo documentos oficiais, em 06 de junho de 1569, João de Bastos e Gonçalo D'Aguiar receberam uma doação de um pequeno monte de Jerissinonga (Gericinó). Assim, possivelmente a partir dessa data, a região do Campo Grande (não necessariamente o bairro com os atuais limites) começou a ser habitada.

Depois, houve a criação da Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, que alguns apontam para 1673, com a construção da capela de Nossa Senhora do Desterro, em terras do atual bairro de Bangu. Mas que outras fontes indicam para 12 de janeiro de 1757 como a data do alvará, que é o título de criação de uma freguesia.

E assim Campo Grande começou sua trajetória, mesmo não tendo uma data específica de "nascimento", colonização, descobrimento ou fundação, mas com sua história vinculada a do Brasil.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Se Tiradentes tivesse passado por Campo Grande...

 


Joaquim José da Silva Xavier nasceu a 16 de agosto de 1746, na Fazenda do Pombal, Minas Gerais. Personagem de um capítulo muito relevante em nossa história, a Inconfidência mineira, no período de dominação portuguesa, o mesmo fez parte de um grupo de intelectuais que pretendiam prepararam  um movimento de libertação, quando ocorresse a cobrança de impostos atrasados (a derrama) anunciada pelo governo. 

Porém, descoberta a conjuração, os insurretos foram presos. Tiradentes enforcado  a 21 de abril de 1792.

Todavia, os fatos históricos são rodeados de versões, teorias e hipóteses que, comprovados ou não, permeiam o imaginário e se reproduzem através dos tempos. E com Tiradentes não foi diferente.

Segundo o escritor e jornalista André Luis Mansur, há uma especulação que envolve o inconfidente, o qual poderia ter fugido da condenação, tendo passado pelas terras de Campo Grande. Isso mesmo! Tiradentes poderia ter visitado o bairro da Zona Oeste!

No livro "O Velho Oeste Carioca, volume II", no capítulo intitulado "Tiradentes em Campo Grande?", Mansur cita: 

"Tiradentes tinha uma carta de apresentação para entrar em São Paulo, de onde pretendia voltar a Minas e se juntar aos demais inconfidentes. Para chegar a São Paulo sem passar pelo movimentado Caminho Novo da Serra da Mantiqueira, principal comunicação entre as duas capitanias, o único caminho seria pela Zona Rural, atravessando a Estrada Real de Santa Cruz, ou seguir por outra via, como especulado nos arrazoados oficiais dos Autos da Devassa, processo que reuniu todos os documentos de investigação e julgamento dos inconfidentes. 'Tiradentes devia escapar na noite de 10 de maio, contornando a baía por terra através de Campo Grande ' (Autos da Devassa da Inconfidência mineira, vol. VIII, Herculano Gomes Mathias - sup. da edição ".

O que teria acontecido se Tiradentes tivesse passado por Campo Grande? Teria o bairro da Zona Oeste mudado os rumos da história?

E assim o inconfidente, acusado de traição, inimigo do Brasil colônia de Portugal, herói, mártir e feriado nacional no Brasil República, de uma forma ou de outra, acabou despertando o imaginário da antiga Zona Rural, um dia Sertão Carioca. 

Fontes consultadas:

Mansur, André Luis. "O Velho Oeste Carioca, volume II. 2011, Rio de Janeiro. 

Meu Livro de pesquisas - Edições Castor.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

A Dormideira

 


A DORMIDEIRA 


"Mimosa Pudica, a Dormideira

Sensitiva, rasteira 

Dorme-dorme, não-me-toques

Se me tocou, não me acordes.


Lembra minha infância 

de quando tocá-la quando era criança

Cresci e não a vi mais em abundância 

devido às constantes mudanças.


Mesmo com o progresso, ainda sobrevive 

Com sorte, ainda encontra-se na superfície 

No andar do transeunte, no pisar do distraído 

Se encolhe, se retrai. És delicada até no nome científico."


Carlos Eduardo de Souza. 

quinta-feira, 25 de março de 2021

E-book "Reflexões em desenvolvimento territorial ", sobre a Zona Oeste.

 E-book "Reflexões em desenvolvimento territorial " disponível. A obra debate assuntos e temáticas relevantes sobre a Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. A mesma é fruto do V Fórum PPGDT e I Seminário Oeste Metropolitano do Rio de Janeiro. 

https://morula.com.br/produto/reflexoes-em-desenvolvimento-territorial-limites-vivencias-e-politicas-no-oeste-metropolitano-rio-de-janeiro/





segunda-feira, 22 de março de 2021

Merci, Colegio Belisário dos Santos

 

Acima encontra-se um precioso registro: uma prova de francês do saudoso Colégio Belisário dos Santos. A tradicional instituição de ensino do bairro de Campo Grande foi fundada em 1941, e por muitas décadas foi um dos colégios mais relevantes da região. Foi também um dos últimos a permanecer com o ensino da elegante língua francesa (o ano da prova não deixa dúvidas: 2010), idioma que foi muito ensinado nas escolas até aproximadamente a década de 1990.

O Colégio Belisário dos Santos, que localizava-se na Rua Augusto Vasconcelos, em frente à Igreja Matriz do bairro, Nossa Senhora do Desterro, homenageava o Vigário do bairro no século XIX (1847 - 1891), que morou na casa ao lado da Igreja. Belisário dos Santos foi um dos grandes responsáveis pela restauração da já citada Igreja de Nossa Senhora do Desterro, depois desta ter sofrido um incêndio em 1882 e praticamente ter sido destruída.

O Colégio Belisário dos Santos fechou suas portas em 2012 e foi demolido em 2014, dando lugar a um estacionamento, seguindo o fluxo do, muitas vezes, implacável "progresso".


quinta-feira, 18 de março de 2021

Adelino Moreira e Algodão: personagens históricos de Campo Grande

 

Acima está destacada uma matéria do Caderno Zona Oeste, do O Globo/Extra, de 20 de abril de 2008. 

O título da matéria é "Homenagem a quatro notáveis ", destacando quatro moradores da Zona Oeste - Adelino Moreira, Algodão, Paulinho Mocidade e Mestre Saul - que se tornaram ídolos. 

Os dois primeiros viveram e se destacaram no bairro de Campo Grande. Abaixo um trecho da reportagem destacando Adelino Moreira e Algodão:

"Adelino Moreira (1918-2002) nasceu em Porto, em Portugal, mas veio morar em Campo Grande ainda criança. Tornou-se letrista de música e um dos compositores preferidos do cantor Nélson Gonçalves, uma parceria que durou mais de 40 anos. Zenny "Algodão " de Azevedo (1925-2001), do alto de seus 1,88m, foi jogador de basquete e ganhou esse apelido devido à leveza com que se movimentava pela quadra e ao seu senso de movimentação. Foi campeão mundial de basquete em 59 e medalha de bronze nas Olimpíadas de 48 e 60, jogando pela seleção brasileira. Um dos maiores ídolos da história do basquete nacional, nasceu em Realengo, viveu boa parte de sua vida em Campo Grande e dá nome ao ginásio do Complexo Esportivo Miécimo da Silva."

Fonte: Caderno Zona Oeste - 20 anos Especial. O Globo/Extra. Domingo, 20 de abril de 2008.

terça-feira, 2 de março de 2021

A geografia do campeonato carioca

 


A geografia do campeonato carioca

    Sexta-feira, 4 e meia da tarde, verão carioca com um sol pra cada habitante, me pego assistindo a um jogo do campeonato carioca. Claro que nesses dia e horário não se trata de clássico. O jogo é Volta Redonda e Bangu. E sou daqueles que gostam mesmo de ver esses tipos de jogos, o chamado futebol raiz. Não que não vejo Liga dos Campeões da Europa, Libertadores da América e brasileirão, mas gosto muito também de jogos de times de menor investimento, ou times pequenos (me desculpem os torcedores ofendidos), em estádios acanhados, público reduzido, mas fiel, valendo acesso ou disputando posições intermediárias, entre outros desses "estilos".
    Jogo do Voltaço contra o alvirrubro da Zona Oeste rolando e meu filho pergunta: - Pai, é jogo de quê?
    - Campeonato carioca, meu filho. Respondo.
    - Volta Redonda fica no Rio? Indaga meu filho.
    - Sim! Respondo.
    - É que quando a gente voltava de Penedo e passamos por Volta Redonda, você me disse que a gente não estava no Rio - continuou o menino de seis anos.
    - Ah, não estávamos na cidade do Rio de Janeiro, mas no estado do Rio de Janeiro- respondi.
    E ele continua: - Como se chama quem mora no Rio de Janeiro?
    - Na cidade ou no estado? - pergunto.
    - Na cidade - ele completa.
    - Carioca - eu  digo.
    Aí ele pensa e me manda outra:
    - Bangu fica na cidade do Rio?
     Respondo que sim.
    - Então, como os dois disputam o campeonato carioca, se o Volta Redonda não fica na cidade do Rio? - pergunta o moleque.
    Aí, depois de pensar um pouco pra dar uma resposta mais simples possível, tento esclarecer:
    - É que o campeonato carioca de futebol, apesar do nome, reúne clubes além da cidade do Rio, englobando clubes do estado do Rio também.
    E ele contuna: - Pai, e quem mora no estado do Rio de Janeiro? Como se chama?
    - Fluminense. Respondo prontamente.
    - Mas, pai. Fluminense não é o nome de um time que disputa o campeonato carioca, que deveria ser campeonato fluminense? - finaliza.
    Perplexo com a colocação e concordando plenamente, apenas acenei  com um sinal de positivo.
    Enfim, a federação de futebol do Rio de Janeiro não combina com geografia. Até meu filho de seis anos sabe disso. Ah, federação do estado do Rio, pra ficar claro!