segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O bonde de Campo Grande

    Abaixo encontra-se um vídeo raro, mostrando a época em que os bondes ainda "desfilavam" pela Zona Oeste do Rio de Janeiro. O filme, com narração em inglês, foi restaurado por Mauricio Dancinger, com produção de Vanessa Dancinger. Acervo: Luiz Damasio.


 


    Abaixo, um trecho de uma tradução aproximada sobre as principais partes narrativas do filme:
   
   "Rio de Janeiro, uma vez capital do Brasil e centro de uma rede de linhas de bonde complexa e ricamente diversificada...o resquício dos quais tinha ficado sob o controle da Companhia de Transporte Público do Rio, de propriedade do estado...incluído notável sistema de Campo Grande.
    Situado a mais ou menos 25 milhas a oeste do Rio, este tinha 3 linhas servindo uma área com uma 'espaçada' população predominantemente rural...o '361', recentemente transferido do Rio, ainda carregava seu número de frota original...
    Em meados de 1964, alguns dos carros, servindo a longo tempo, com todos tendo sido adquiridos de "segunda mão", estavam a serviço da nova Companhia 'Prata e Azul'. 
    Os bondes abertos de Bombay datavam do final da década de 1890. A rota padrão de 10 milhas, eletrificada em 1917, foi parcialmente substituída por uma estreita linha de mulas, construída em 1894, para transportar feno, que era enviado para alimentar os animais, os quais puxavam os bondes do Rio.
    Uma linha ainda mais longa para a Ilha havia seguido em 1920. A velocidade era 'irritadamente' lenta. Exemplo: o tempo de jornada para a viagem de 12 milhas e meia para a Ilha era de 2 horas, igual a pouco mais de 6 milhas por hora.
    Por volta de 1964, os trilhos estavam em condições precárias. O condutor usava o registro de passagens, pondo um procedimento na maioria dos 'carros' abertos brasileiros..." 

Tradução: Professora Maria

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Samba de Campo Grande

    O Grêmio Recreativo Escola de Samba União de Campo Grande, ou simplesmente União de Campo Grande, é uma das escolas de samba do bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Fundada em 20/04/2015, a "tricolor" da Zona Oeste estreou no carnaval de 2018 na Série E, na Intendente Magalhães. 
    Suas sede e quadra encontram-se na Avenida Maria Tereza, ao lado do Viaduto Alim Pedro.
    Abaixo, um link com a história, seus componentes e o samba-enredo (letra e áudio) de 2019, exaltando o bairro de Campo Grande e contando sua bela história.




terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O melhor cariocão do Campusca

    O campeonato carioca de futebol é considerado o mais "charmoso" dos estaduais do Brasil. Com início datando o começo do século XX, o estadual do Rio possui muitas histórias, recordes de público, grandes decisões, entre outros atributos. Clubes como América e Bangu já foram grandes protagonistas, conquistando títulos, inclusive, além do simpático São Cristóvão e o extinto Paysandu também erguendo troféu de campeão.
    Numa história recente, alguns considerados pequenos chegaram perto do título, como o Americano de Campos, em 2002, o Volta Redonda, em 2005, e o Madureira, em 2006, ambos ficando com o vice-campeonato. Atualmente, praticamente só os considerados "grandes" é que revezam conquistas locais.
    Já o Galo da Zona Oeste nunca chegou à uma decisão de carioca. O clube que se orgulha do título da Taça de Prata de 1982 obteve sua melhor campanha no cariocão de 1991. Nesse ano, o clube contou com jogadores experientes e famosos como Elói, Claudio Adão, Roberto Dinamite, além do goleiro Paulo Cesar, o PC Gusmão, hoje técnico de futebol.

Roberto Dinamite com a camisa do Campo Grande, em 1991.
Foto. Fonte: Face Campusca Cgac

    O clube estreou perdendo para o Vasco da Gama, no dia 04 de agosto. Porém, com o desenrolar do campeonato, o Campo Grande obteve bons resultados, incluindo empates com Botafogo, Fluminense e Flamengo (que seria o campeão), todos por 1x1; uma vitória contra o Bangu, por 2x0, no antigo "clássico rural", de muita rivalidade; e uma vitória sobre o Vasco, no segundo turno, por 1x0.
    O Galo da Zona Oeste terminou os dois turnos (Taça Guanabara e Taça Rio) em 5º lugar, sempre atrás apenas dos quatro grandes, ficando também com esta colocação geral do campeonato, atrás apenas também de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco.
    
    Abaixo todos os resultados do clube em sua melhor participação no campeonato carioca
    
    PRIMEIRO TURNO

    04/08/1991 - Campo Grande 0x1 Vasco da Gama
    07/08/1991 - Campo Grande 1x1 Americano
    14/08/1991 - Campo Grande 2x2 Volta Redonda
    18/08/1991 - Campo Grande 1x1 Bangu
    24/08/1991 - Campo Grande 1x3 Fluminense
    01/09/1991 - Campo Grande 1x1 América-RJ
    04/09/1991 - Campo Grande 1x1 Botafogo
    08/09/1991 - Campo Grande 2x1 América de Três Rios
    15/09/1991 - Campo Grande 2x1 Portuguesa-RJ
    22/09/1991 - Campo Grande 1x1 Flamengo
    29/09/1991 - Campo Grande 1x0 Itaperuna

    SEGUNDO TURNO

    07/10/1991 - Campo Grande 1x0 Vasco da Gama
    17/10/1991 - Campo Grande 2x3 Botafogo
    20/10/1991 - Campo Grande 3x2 Americano
    27/10/1991 - Campo Grande 2x1 Goytacaz
    30/10/1991 - Campo Grande 2x0 Bangu
    04/11/1991 - Campo Grande 1x1 Fluminense
    10/11/1991 - Campo Grande 2x4 América-RJ
    17/11/1991 - Campo Grande 1x1 América de Três Rios
    24/11/1991 - Campo Grande 2x3 São Cristóvão
    02/12/1991 - Campo Grande 0x1 Flamengo
    07/12/1991 - Campo Grande 1x0 Itaperuna

     
Foto. Fonte: Almanaque histórico do Campo Grande Atlético Clube

Fontes consultadas: Blog do Marcão
                                 Almanaque histórico e estatístico do Campo Grande Atlético Clube, de Julio Bovi Diogo e Raymundo Quadros.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Cultura e arte em Guaratiba

    Situada na estrada do Mato Alto, em Guaratiba, bairro ligado a Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a Capela Magdalena guarda encantos, curiosidades e principalmente cultura e arte para os seus visitantes. Localizada em um sítio, com seus patos e pavões, a capela é palco de apresentações musicais, com um som inconfundível de um cravo, espécie de "pai" do piano, executado pelo anfitrião Roberto de Regina. O mesmo é considerado o primeiro cravista brasileiro.
    No sítio, além da Capela Magdalena, cujas paredes foram pintadas pelo próprio maestro Roberto de Regina, é possível apreciar um belo jardim com alguns animais "se apresentando", e um museu, denominado Ronaldo J. Ribeiro, com réplicas de veículos de transporte, castelos e igrejas, sendo confeccionados em papel e outros materiais, e montado pelo próprio Roberto.
Cravo pertencente à Capela Magdalena.

Imagem de dentro da Capela Magdalena, com seus desenhos e pinturas nas paredes e no teto.

Museu Ronaldo J. Ribeiro

    Para quem visita o local, estão à disposição: uma passagem iluminada por tochas em direção à capela (se a visita for à noite); uma apreciação da própria Capela Magdalena, um ambiente em tom barroco e com música antiga, porém sem ligação com religião; assinatura no livro de visitas com caneta de pena; um concerto de cravo apresentado pelo maestro Roberto de Regina, devidamente vestido com gibão, calção, colete e lenço; e uma visita ao museu já citado, onde o "passageiro" pode desfrutar de réplicas de carros antigos, trens, veículos de bombeiro, aviões, catedrais e castelos, feitos de papel, plástico e madeira, num "mundo" encantador do museu que leva o nome de seu sócio.

Réplica de um dos primeiros trens, apelidado de "o foguete". Curiosamente esse trem é representado por um personagem na série infantil "Thomas e seus amigos".

O Barão Vermelho, utilizado na Primeira Guerra Mundial.


Uma das reproduções de cidades, castelos e ferrovias

 

Réplica de carros

    Embarcação

Dirigível considerado maior que o Zeppelin.

    Além de músico, Roberto de Regina também é médico, pintor e artesão. Durante a semana de Campo Grande, evento que tradicionalmente ocorre no mês de aniversário do bairro, novembro, Roberto de Regina costuma se apresentar com seu cravo na Paróquia Nossa Senhora do Desterro, no centro de Campo Grande, considerada o marco inicial do bairro.

Fotos. Créditos: Carlos Eduardo de Souza. Todas devidamente autorizadas por Roberto de Regina.
Texto baseado em informações coletadas no próprio local.

     






segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

No caminho das pedras

    Pra quem passa pela antiga estrada Rio-São Paulo, na altura do bairro de Campo Grande, indo em direção à Avenida Brasil, próximo ao viaduto Oscar Brito (ou dos Cabritos), é possível já ter avistado uma paisagem composta por grandes pedras (ou rochas, geologicamente mais correto) no alto de um morro. Trata-se do Morro Carapucu.

    Segundo relato de um morador, o local já foi utilizado para treinamentos militares, praticados, segundo o mesmo, numa fenda, conhecida como "Garganta do Diabo". No meio do Morro do Carapucu, na parte de baixo, localiza-se uma rua denominada Dona Elisa, a qual os moradores chamavam de Rua do Buraco, que passou a existir por iniciativa dos mesmos, com o propósito de se conectarem com a antiga estrada Rio-São Paulo.
    O que mais chama a atenção quando se depara com o morro são as pedras (rochas), com algumas dando a impressão que foram colocadas à mão, e outras parecendo que estão por um fio pra deslizar, em mais um espetáculo da natureza.
    Tomara que elas continuem lá no alto dando show, e não se tornando "Rolling Stones", (não estou falando da banda, que por sinal gosto muito), mas sim da tradução livre, "pedras rolantes", porém que continuem cantarolando como Fagner em "Pedras que cantam", quando diz: "...mas no dia que a poesia se arrebenta, é que as pedras vão cantar...". 

Contribuição para o artigo: Alan Rocha de Oliveira
   

domingo, 6 de janeiro de 2019

A façanha do Campusca na Copinha

    A tradicional Copa São Paulo de futebol júnior, já há algum tempo abre a temporada do futebol brasileiro. Grande reveladora de craques, a Copinha, como é carinhosamente chamada, começou em 1969 e no ano de 2019 completou 50 edições. Mas o que poucas pessoas sabem é que o Campo Grande, o galo da Zona Oeste, já disputou a competição e, diga-se de passagem, foi muito bem.
    A edição em questão foi a de 1974, mas que começou a ser disputada no ano de 1973. Uma outra curiosidade é que as partidas disputadas dessa edição tinham duração de dois tempos de 40 minutos. 
    O Campusca estreou em 20 de outubro de 1973, no campo do Nacional de São Paulo, derrotando o Grêmio de Porto Alegre por 1x0. Depois, enfrentou o  XV de Piracicaba e venceu por 2x1. Na fase seguinte, nas quartas-de-final, o clube da Zona Oeste do Rio bateu a tradicional Ponte Preta por 1x0, no Parque Antártica, no dia 07 de janeiro de 1974, e dois dias depois, voltou a vencer pelo mesmo placar, nada mais, nada menos, o Cruzeiro, também no Parque Antártica.
    Classificado para a semifinal do torneio, o alvinegro da antiga Zona Rural enfrentou mais um tradicional time do Brasil. Dessa vez o clube enfrentou o Internacional do Rio Grande do Sul, no Pacaembu. No entanto, o Campusca não conseguiu repetir os bons resultados anteriores, perdendo por 3x1, e não conseguindo chegar à tão sonhada final, vencida pelo próprio Inter, contra a Portuguesa de Desportos.
    Porém, a campanha do Campo Grande na Copa São Paulo de futebol Júnior de 1974 ficou marcada para o clube carioca. Aliás, o galo conseguiu chegar a uma semifinal, depois de derrotar grandes times do cenário brasileiro, sendo eliminado pelo clube que seria o campeão da competição.  Com certeza, uma grande façanha!

Fonte consultada: Blog do Marcão





   

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

E assim era antigamente...

    Durante séculos, o Brasil ficou sob forte influência da Igreja Católica, refletindo nos costumes, comportamentos e inclusive na arquitetura. Tudo girava em torno do catolicismo, atingindo praticamente todo o território nacional, não ficando de fora, é claro, o bairro de Campo Grande. O próprio surgimento do bairro é vinculado à criação da capela do Desterro, ainda em terras do atual bairro de Bangu, mais tarde "transferida" para as terras do atual Campo Grande. Daí criou-se a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, hoje resumida à uma Paróquia localizada no centro do bairro.
    O vínculo entre a Igreja Romana e o Estado brasileiro foi quebrado com o fim do Império e a Proclamação da República em 1889, quando o catolicismo deixou de ser a religião oficial do Brasil, ficando instituído um Estado laico.
    Porém, mesmo após o fim desse elo, a influência católica ficaria relevante por muitas décadas seguintes, marcando as tradicionais festas de igrejas que se estendiam para as ruas próximas aos templos, atraindo multidões, como a festa da Curva, da capela de Santo Antônio, na Avenida Cesário de Melo, a festa de Sant'Ana, na Estrada do Mendanha, entre outras, além de ditar outros aspectos na vida da população não só de Campo Grande, mas de todo o Brasil, como por exemplo boa parte dos feriados ainda sendo católicos; com Nossa Senhora Aparecida sendo a Padroeira do Brasil; nomes de lugares vinculados aos santos, entre outros.
    Um outro ponto importante da marca do catolicismo ficou estampado nas residências. Era muito comum em bairros do subúrbio ou em áreas rurais, afastadas do centro, como Campo Grande, as casas possuírem, principalmente na parte da frente, uma imagem de um santo católico ou de Nossa Senhora exposta na parede, geralmente feita de azulejo ou algum material parecido, numa mistura de ostentação, tradição, respeito e reverência. Não à toa um dos santos mais à mostra nas tais residências era São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro.
   
    Abaixo, uma foto atual de uma casa, em Campo Grande, localidade denominada Corcundinha, que ainda conserva essa época.
 Foto. Fonte: Carlos Eduardo de Souza.

    Atualmente, com o avanço de outras religiões, principalmente do protestantismo, não é mais comum encontrar essas imagens nas residências, principalmente em novas habitações, sobrando apenas algumas resistentes e fiéis ao passado.