domingo, 30 de abril de 2017

A festa do caqui do Rio da Prata

  Foto: Quadro da artista Carmem Paixão. https://carmempaixao.wixsite.com/arte/bio

    Campo Grande, além de ser considerado o bairro mais populoso do Rio de Janeiro, é também um dos mais prósperos do município. Depois de ser conhecido como uma área essencialmente agrícola, passando pelos "ciclos" da cana e do café, sendo também um grande produtor de laranjas, o bairro vem passando por uma transformação socioeconômica e espacial profunda, fazendo com que o local e sua paisagem deixem de ser tipicamente agrícola/rural para urbana em expansão.
    Porém, o bairro ainda apresenta certos "bolsões" agrícolas consideráveis, como no Mendanha, Serrinha e Rio da Prata. Localizada no pé da Serra da Pedra Branca, cortada pela Bacia dos rios Piraquê-Cabuçu, a localidade do Rio da Prata é conhecida por grandes produções agrícolas, rendendo 7 mil toneladas de alimentos como banana, aipim, agrião, batata doce e o caqui. Esses produtos, além de movimentar positivamente a economia da Zona Oeste, são também comercializados em feiras orgânicas de outros bairros da cidade, principalmente Zona Sul.
    E é justamente no Rio da Prata, que possui uma produção agrícola ainda muito marcante, sendo a base econômica de boa parte da população local, marcada também por suas cachoeiras, trilhas, gastronomia e boemia, com seus agitados bares localizados, em sua maioria, à frente da igreja Nossa Senhora das Dores, que ocorre um evento rural de suma importância para Campo Grande e adjacências: a Festa do Caqui.
    Enquanto Paty do Alferes é um município conhecido pela festa do tomate, o bairro de Campo Grande apresenta o caqui como sua atração, considerado o 13° salário dos agricultores do Rio da Prata. O evento, além da venda da fruta citada, oferece também aos seus visitantes feira de alimentos orgânicos, caminhada ecológica, apresentações de música, artesanato, sarau, café da manhã, palestras, exposição de fotografias, entre outras atrações.
    A festa do caqui, que começou em 2014, tem como propósitos a discussão sobre a sustentabilidade, assim como a propagação de cultura e educação, além de valorizar a parte agrícola do bairro, que já foi a marca da região, hoje ditada pela urbanização, mas que ainda contempla seu passado rural.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Meu bairro


 

Música "Meu bairro", de Adelino Moreira, compositor radicado em Campo Grande, dono de vários sucessos como "A volta do boêmio", "Negue" e "Fica comigo esta noite". A música Meu bairro é interpretada pelo saudoso Nelson Gonçalves, exaltando o bairro da Zona Oeste.

MEU BAIRRO

    Meu bairro, meu Campo Grande distante, no meu subúrbio galante,
    berço das canções de amor.
    Meu bairro, da igrejinha do Desterro, que dá perdão para o meu erro,
    erro de ser um sonhador.
    Meu bairro, velha esquina dos pecados, Dez de maio, um aliado,
    onde sorrindo  vivi.
    Meu bairro, da minha estrada do Monteiro, juro que por nenhum dinheiro,
    me afastaria de ti.
    Você não pense mulher, que me convence, a deixar meu bairro
    pelo seu olhar profundo, porque meu bairro também tem mulher bonita,
    que de veludo ou de chita, é a mais linda do mundo.
    Você não pense mulher, que eu deixaria Campo Grande,
    Rosita, Sofia, Cosmos do meu coração, onde eu curti minha primeira dor.
    onde nasceu meu verdadeiro amor,
    e a minha primeira canção.

   

terça-feira, 21 de março de 2017

O curioso caso da igreja de Cosmos

    Durante séculos, o Brasil foi vinculado à igreja católica em várias esferas (políticas, econômicas, sociais) ecoando até os dias atuais. Assim, a história de nosso país possui vários capítulos ligados à igreja de Roma. No Rio de Janeiro existem várias igrejas com histórias importantes, algumas com séculos de idade, que fizeram parte de capítulos importantes dentro da construção do Brasil e de nossa memória.
    Praticamente todo carioca conhece ou já ouviu falar na Igreja da Penha, com seus 382 degraus, localizada no alto da cidade, propiciando uma visão de 360º do Rio. Porém, poucos já devem ter ouvido falar na homônima menos famosa, a Igreja de Nossa Senhora da Penha, no bairro de Cosmos, vizinho ao bairro de Campo Grande, numa região que poderia ser considerada como a "Grande Campo Grande", na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A Penha menos famosa possui uma semelhança com a mais conhecida, pois esta também se localiza no alto de um morro. Porém, o que mais chama a atenção na igreja de Cosmos é o fato de, durante muito tempo, o templo ter se apresentado em ruínas, abandonado, em total procedimento de deterioração. Devido à curiosidade em saber o porquê do estado daquela igreja no alto de um morro e praticamente isolada, surgiram algumas versões que tentaram explicar o motivo do abandono da igreja e de sua história.


Fotos. Fonte: Face um coração suburbano

    Uma das versões, contada por um membro da igreja, afirma que no século passado, as pessoas frequentavam as missas lá em cima, e que com o passar do tempo, após o falecimento do padre, os próprios membros faziam celebrações entre eles. Entretanto, os fundadores foram ficando com idade avançada, com pouca saúde, e não conseguiam mais subir até o local para assistir as celebrações. Além disso, alguns faleceram, não houve renovação de fiéis e com o passar do tempo a igreja foi alvo de vandalismo, ficou abandonada e se deteriorando.
    Porém, há uma outra versão mais macabra, em que conta que um padre responsável foi morto e enterrado no terreno da igreja, e que logo após foi incendiada. Com o passar do tempo ficou abandonada, pois fica no alto de um morro e assim, difícil para os mais idosos chegarem até lá.
    Todavia, a versão oficial da igreja é que consta que no ano de 1917, quando nessa região cultivava-se alguns produtos agrícolas e uma diversificada criação de animais, uma imagem de Nossa Senhora da Penha foi encontrada por dois trabalhadores rurais, filhos de escravos de nomes de Francelina e Adão, ao pé de um coqueiro existente na fazenda do Senhor Délio Guaraná de Barros, bem no alto (cerca de 400 metros) do morro. A imagem foi levada para um casebre de Francelina e Adão, distante do local uns 300 metros. Com o passar dos dias, a imagem, de forma inexplicável, desapareceu do casebre. Os dois procuraram em vão. Logo depois voltaram ao morro onde haviam encontrado a imagem. Para surpresa, a imagem estava lá. Espantados, comunicaram o fato ao dono da terra, que não deu muita importância. Os irmãos tornaram a levar a imagem para casa. Dias depois, outro desaparecimento. Certos de que a encontrariam de novo no alto do morro, foram em direção ao cume e lá estava ela de novo. Então, o senhor Guaraná resolveu levar a imagem para a igreja do Campinho. Dias depois a imagem sumiu, reaparecendo ao pé do coqueiro existente no monte.
    No local foi construída, provisoriamente, uma capela na qual introduziu a imagem de Nossa Senhora da Penha. Com o decorrer do tempo e diante de tantos milagres, foi doado o terreno e no local, erguida a igreja. Em fevereiro de 1972, a imagem foi saqueada e a igreja destruída por vândalos que frequentavam o local para a prática de jogos proibidos, consumo de bebidas alcoólicas e entorpecentes.
    Entretanto, no ano de 2015, a igreja começou  uma fase de restauração do templo e de seu entorno. Membros da igreja contam que durante escavações feitas no terreno, foram encontradas algumas importantes peças, que estavam enterradas, relacionadas às missas que eram celebradas antes da destruição. Abaixo fotos da igreja em sua fase atual, depois de iniciada a restauração.
    O processo de resgate da igreja do morro de Cosmos ainda está em andamento, com celebrações, encontros, entre outros eventos, com a perspectiva de cada vez mais resgatar aquela que já foi um dia conhecida apenas como ruínas, "as ruínas da igreja de Cosmos".
    Abaixo, uma visão panorâmica da Zona Oeste do Rio de Janeiro à frente da Igreja da Penha de Cosmos.

    Na fase de revitalização, a igreja recebe uma iluminação à noite, em seu entorno, que pode ser vista a uma grande distância, inclusive de outros bairros. As imagens abaixo são de um ângulo visto de Campo Grande, numa distância considerável da igreja. Obs: A igreja é o ponto iluminado mais ao alto.

Colaboração para o artigo: Felipe Cardoso.

terça-feira, 14 de março de 2017

É dia de feira

    As feiras livres existem desde a antiguidade, quando estas tinham o objetivo de promover trocas de mercadorias entre as pessoas. A partir do século XI, com o impulso do comércio, estimulado pelo aumento da população, da produção agrícola e das atividades artesanais, mercadores do norte e do sul da Europa atravessavam o continente, com o objetivo de negociar seus produtos nas feiras, que duravam de três a seis semanas, onde negociavam-se mercadorias de todo tipo.
  Imagem representando as feiras antigas. Fonte: História em documentos / imagem e texto

     As mais famosas aconteciam na região de Champagne, na França atual. As feiras já eram realizadas nas cidades, destacando-se grandes feiras internacionais, como em Lyon, na França, Piacenza, na Itália e Medina del Campo, na Espanha. Esta última durava cinquenta dias, reunindo cerca de 2.500 mercadores.     Porém, foi com o advento do capitalismo que esse tipo de comércio conquistou importância econômica.
    Integrante da cultura brasileira, as feiras mantém-se até os dias atuais, mesmo com o desenvolvimento do comércio, com o conforto das compras pela internet, entre outras características do mundo moderno. Possuindo suas peculiaridades, as feiras são palco de circulação de pessoas de todos os tipos, com um variado comércio, que vai de pequenos utensílios, passando por frutas, legumes, peças diversas, entre outros.
    No bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, tem um exemplo de uma feira que já existiu dentro do atual mercado São Braz, no calçadão do bairro. O hoje diversificado "Mercadão" atuava como uma feira, escoando os produtos agrícolas cultivados na região e de outros locais. Porém, devido ao crescimento da área, o mesmo firmou-se como um pioneiro no que diz respeito ao comércio de Campo Grande, perdendo a característica de uma feira tradicional.
    Entretanto, Campo Grande, através de sua história, sempre apresentou outras feiras pelos seus sub-bairros, como a que ocorria na localidade de Vila Nova, tradicionalmente às quintas-feiras. Também destaca-se a feira da Rua Campo Maior, na Avenida Mariana, às terças-feiras.
    Na atualidade, pode-se afirmar que a feira mais conhecida e frequentada do bairro é a que se apresenta aos domingos, nas imediações do Viaduto Alim Pedro, chegando à Estrada do Campinho e à Rua Campo Grande. Atuando como uma feira livre tradicional, esta proporciona aos seus transeuntes todo o tipo de mercadoria, inclusive sendo chamada por alguns de seus vendedores de "shopping ao ar livre".
    Esta feira, antes de se apresentar na atual área já citada, ocorria na Rua Campo Grande; mais tarde se "mudou" para ruas próximas ao Colégio Sarah Kubistchek, até chegar ao ponto de hoje.

Bibliografia utilizada: Rodrigue, Joelza Ester. História em documento: imagem e texto/Joelza Ester Rodrigue.
São Paulo: FTD, 2001.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A Sereno de Campo Grande

    O carnaval é uma das festas populares mais aguardadas pelo povo brasileiro, especialmente pelos cariocas. Marcado pelas fantasias e desfiles de suas tradicionais escolas de samba, além de vários blocos espalhados pela cidade, o carnaval do Rio de Janeiro é um dos mais tradicionais do Brasil.
    A Zona Oeste da cidade também possui um carnaval expressivo, com suas conhecidas escolas de samba, blocos de rua, entre outros.
    No bairro de Campo Grande não é diferente. A região, desde o século passado, é marcada por um movimento carnavalesco intenso, com blocos de rua, festas em determinados sub-bairros (Magali, Vila Nova, entre outros), e todo um clima típico que envolve os dias de folia na cidade maravilhosa.
    Na questão Escola de Samba, o bairro já teve a Império de Campo Grande, que desfilou na década de 1970, a Unidos de Campo Grande, na década de 1950, entre outras. Atualmente, o bairro possui algumas chamadas Escolas de Samba, como a Delírio da Zona Oeste, a União de Campo Grande e a Império da Zona Oeste. Porém, a maior representante do bairro é a Sereno de Campo Grande.
    Fundada em 12 de fevereiro de 1996, a escola de samba, ou Grêmio Recreativo Escola de Samba Sereno de Campo Grande, é um dos representantes do bairro da Zona Oeste do Rio no carnaval carioca. A escola possui sua sede no sub-bairro de Vila São João, com mudanças para a Avenida Cesário de Melo e Rua Campo Grande. A agremiação, de cores azul e branca, tendo uma coruja como símbolo, surgiu por iniciativa de frequentadores do extinto Bar e Restaurante do Pepe, na já citada Avenida Cesário de Melo. Inconformados com o fato de Campo Grande, o bairro mais populoso do Rio, não ter um representante de força no carnaval carioca, enquanto outros bairros da Zona Oeste, como Bangu, Santa Cruz e Padre Miguel possuírem, houve a iniciativa da criação de uma escola de samba no bairro, já que este já possuíra diversos blocos carnavalescos, como Filhos da Pauta, Sinfonia dos Tamancos, Xavante do Tingui, entre outros.
    Em 2007, a Sereno de Campo Grande desfilou pela primeira vez na Marquês de Sapucaí, sendo um dos marcos mais importantes de sua história.



Em 2023, e Escola de Samba foi campeã  da Série Prata, desfilando na Série Ouro (Segunda divisão) no ano seguinte.




Fotos. Fonte: Acervo Chop da Villa

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O bairro-cidade Campo Grande

    Na divisão territorial do Brasil, o país é formado por estados, que por sua vez são formados por municípios ou cidades, e estes são formados por distritos ou bairros. Sendo assim, é possível um bairro ao mesmo tempo ser cidade? Pode-se dizer que sim. Isto aconteceu com o bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, considerado o mais populoso e um dos mais extensos do município do Rio. 
    Em 1968, o então governador do estado da Guanabara, (que na verdade era uma cidade-estado), Francisco Negrão de Lima, promulgou uma lei reconhecendo a localidade de Campo Grande como cidade. Assim, no ano já citado, ficava reconhecida como "Cidade honorária a localidade de Campo Grande".
    Apesar disso, Campo Grande ainda é tido como um bairro do Rio de Janeiro.
    Abaixo, um registro de nascimento de uma extinta Casa de Saúde Campo Grande, que localizava-se na rua Coronel Agostinho, no calçadão do bairro, denominando Campo Grande como cidade, logo abaixo do endereço.



domingo, 12 de fevereiro de 2017