sexta-feira, 29 de julho de 2016

Música de Campo Grande

    O bairro de Campo Grande orgulha-se quando o assunto é música. Nascido em Portugal e radicado no bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, o compositor Adelino Moreira, autor de alguns sucessos como a "A volta do boêmio", "Negue" e "Fica comigo esta noite", é homenageado com uma escultura na Rua Barcelos Domingos, como mostra a figura acima.
    Grande parte de sua obra foi gravada por Nélson Gonçalves, além de outros cantores. A música "Negue", em parceria com Enzo de Almeida Passos, foi sua composição que teve mais regravações.
    Adelino e sua família residiram na Estrada do Monteiro (o local hoje é conhecido como sub-bairro Adelino) assim que chegaram de Portugal, e no mesmo bairro, em 2002, faleceu de um infarto enquanto dormia em sua casa.

domingo, 10 de julho de 2016

Do "profano" ao "sagrado": o fim do Cine Palácio

    Inaugurado em 1962, o Cine Palácio Campo Grande, que fechou suas atividades em 1990, significou durante esse período uma grande opção de lazer para a população do bairro  e adjacências. Localizado na Rua Augusto Vasconcelos, próximo ao calçadão e à estação ferroviária, o cinema ficava em um ponto geográfico estratégico no bairro, contribuindo para o acesso da população de áreas vizinhas, como Cosmos, Inhoaíba, Santíssimo, entre outras.
    Durante décadas, o cinema, que foi considerado o maior do Rio, exibiu muitos filmes de variados gêneros, como os dos Trapalhões e Uma Linda Mulher, último filme exibido no Cine.
    Tombado como patrimônio cultural do município, o prédio manteve a sua forma, mas mudou sua função, passando a funcionar como Igreja Universal do Reino de Deus, após o fechamento do cinema. Essa foi uma tendência no Rio de Janeiro a partir das décadas de 1980 e 1990: o fim de muitos cinemas de rua, dando espaço para os cinemas localizados nos shoppings-centers.

sábado, 25 de junho de 2016

Torneio Campo Grande

Foto Fonte: Face Campusca Cgac

    A foto acima remonta à época que era disputado o Torneio Campo Grande, com participações de clubes que faziam parte da série rural (Zona Oeste). O torneio tinha o patrocínio do Departamento autônomo, e contava com alguns dos seguintes clubes: Campo Grande A C, Oriente Atlético Clube (Santa Cruz), Clube Oiti, Distinta Atlético Clube, entre outros.
    O Departamento autônomo foi criado em 1949, sendo um departamento de futebol do Rio de Janeiro, que substituiu a Federação Atlética Suburbana. Os clubes eram amadores e assim disputavam competições à parte.
    O Oriente, clube de Santa Cruz, foi o maior conquistador de títulos do Departamento autônomo da Federação de Futebol, com sete taças. O Campo Grande Atlético Clube, antes de se inscrever na Federação Estadual de futebol do Rio de Janeiro, disputou o departamento autônomo, faturando os títulos de 1953 e 1959.
    Um confronto que chamou a atenção ocorreu em 1957, entre o Oriente e o Campo Grande, com as duas equipes formadas por grandes jogadores. Foram três partidas decisivas, disputadas no campo do Bangu. As duas primeiras terminaram empatadas: 1x1 e 2x2, respectivamente. A terceira foi vencida pelo Oriente que se sagrou campeão daquele ano.

terça-feira, 14 de junho de 2016

A pista de skate de Campo Grande

FOTO DA PISTA DE SKATE DE CAMPO GRANDE NOS ANOS 1980
 Fonte: Reprodução da Revista Overall - Adrenanews - Portal de todas as tribos.

    Inaugurada em 1979, a pista de skate de Campo Grande, localizada na Praça Marechal Edgard do Amaral, já foi considerada uma das maiores e mais modernas pistas da modalidade da América Latina. A pista já recebeu nomes renomados do esporte, campeonatos, como a Copa Nescau, etapas do circuito nacional de skate, além de bandas alternativas e outras de certo renome.
    Infelizmente, o local, por muito tempo, se encontrou  com pouca iluminação, sujo, com pouquíssima infraestrutura para a prática do esporte, além, segundo moradores da região, apresentando índices relevantes de assalto.
 
    Porém, em 2016, a Pista de Skate, que foi testemunha do surgimento do movimento punk rock no Rio de Janeiro, com a banda Coquetel Molotov, foi reinaugurada e revitalizada, com aspecto renovado. A Pista abriga uma feira de artesanato em determinados sábados, além de ser possível presenciar uma certa colaboração com iniciativas ambientais por parte de moradores e frequentadores. 
    Depois da reinauguração, o local voltou a ser mais frequentado, mais procurado, tentando voltar aos seus dias de glória.
    

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dos Jesuítas a Campo Grande

    Antes da Freguesia Rural de Campo Grande começar a prosperar, sua ocupação foi influenciada pela antiga Fazenda dos Jesuítas, em Santa Cruz, bairro próximo, praticamente vizinho. Nesta fazenda desenvolveu-se, inicialmente, o cultivo da cana-de-açúcar e a criação de gado bovino. O trabalho dos jesuítas foi de extrema importância para o desenvolvimento do Rio de Janeiro. Além das obras de engenharia que realizaram, como a abertura de canais e a construção de diques e pontes para a regularização do Rio Guandu, o escoamento dos produtos da Fazenda Santa Cruz, oriundos do cultivo da cana-de-açúcar e da produção de carne bovina, era feito através da Estrada Real da Fazenda de Santa Cruz, que ia até São Cristóvão e se interligava com outros caminhos e vias fluviais que chegavam até o centro da cidade.
    Fróes e Gelabert (2004:38) relatam sobre o assunto:
    "Necessitando melhorar as condições daqueles caminhos, única ligação com a sua grande fazenda estabelecida em Santa Cruz, em terras recebidas na Guaratiba, os jesuítas, aproveitando parte dos primitivos caminhos que por nós aqui foram delineados, abriram uma estrada que, depois da vinda da família Real para o Brasil, em 1808, recebeu o nome de Estrada Real de Santa Cruz."
    Assim, a Estrada Real de Santa Cruz foi uma boa opção de penetração do sertão, sendo a atual Avenida Cesário de Melo, parte integrante da antiga estrada.
    Um dos símbolos dessa época é a Ponte dos Jesuítas, localizada no bairro de Santa Cruz. Esta foi construída com a finalidade de regular o volume das águas das enchentes, além de facilitar a ligação do bairro com outras fazendas, sendo uma ponte-represa.
    Concluída em 1752, a ponte possui quatro arcos, pelos quais passavam as águas do Rio Guandu. Por meio de comportas, essas eram controladas, sendo retidas ou liberadas conforme a ocasião.
    A ponte é constituída por colunas de granito, com esculturas barrocas, apresentando um tipo de brasão com o símbolo da Companhia de Jesus (IHS) e a data de 1752 com uma inscrição em latim clássico: "Flecte genu, tanto sub nomine, flecte viator Hic etiam reflua flectitur amnis aqua". "Dobra o joelho sob tão grande nome, viajante. Aqui também se dobra o rio em água fluente".


quarta-feira, 18 de maio de 2016

O teatro Arthur Azevedo

    Localizado na Rua Victor Alves, em Campo Grande, o teatro Arthur Azevedo foi inaugurado em 18 de agosto de 1956, quando o Rio de Janeiro ainda era capital federal, com a presidência de Juscelino Kubitschek, e a prefeitura do então Distrito federal administrada por Francisco Negrão de Lima, que mais tarde seria governador da Guanabara.
    O nome do teatro é uma homenagem ao jornalista e escritor que dominou o cenário teatral do país no fim do século XIX.
    Arthur Azevedo (1855-1908) foi um dos responsáveis pela construção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, inaugurado logo após sua morte, em 1908.
    Atualmente, o espaço pertence à secretaria de Estado de Cultura, oferecendo espetáculos e cursos de teatro e música.

terça-feira, 3 de maio de 2016

A igreja de Santo Antônio e a festa da Curva


Fonte imagem: Memórias do Subúrbio carioca 



Localizada na Avenida Cesário de Melo, em Campo Grande, a igreja de Santo Antônio dos Pobres possui o título de segunda mais antiga do bairro, perdendo o posto de primeira apenas para a igreja símbolo de Campo Grande, Nossa Senhora do Desterro. Com seu início datando o século XVIII (segundo pesquisas, em 1725, na Fazenda de Inhoaíba), a mesma esteve situada por muito tempo na localidade à época chamada Juary. A igreja de Santo Antônio, edificada por Francisco Gomes, segundo Monsenhor Pizarro, já sediou as atividades de Nossa Senhora do Desterro, quando esta sofrera um incêndio, no século XIX. Com a construção do novo cemitério de Campo Grande, já que à época o cemitério do bairro localizava-se à frente da Matriz Nossa Senhora do Desterro, houve a demolição da capela original de Santo Antônio, para aumentar a área do cemitério. 

Fonte: Correio da Manhã - RJ

Porém, em 1931, foi erguido o novo templo, com a pedra fundamental sendo lançada no dia 13 de junho, dia do Santo, com presença de pessoas importantes, como a do padre Felício Magaldi, Vigário de Campo Grande, outros representantes da igreja católica, além do povo da região. Situada em frente a um colégio tradicional do bairro, Nossa Senhora do Rosário, a igreja de Santo Antônio possui também uma creche.
    Entre muitas outras histórias sobre a igreja, moradores contam com nostalgia sobre a famosa "festa da curva", na qual fechavam-se as ruas ao redor da igreja, oferecendo aos que frequentavam, brinquedos, leilões, pipoca, maçã do amor, algodão doce, entre outras características típicas de festas de igreja, as conhecidas quermesses, naquele clima de cidade de interior, com fogueiras, bandeirinhas, incluindo também as paqueras (proibidas ou não). Um dos principais organizadores da festa da curva do Matoso, como era conhecida, foi Manoel Branco, figura ilustre de Campo Grande, grande incentivador das festividades esportivas, religiosas e culturais, que foi grande amigo da engenheira Elza Osborne, então chefe do distrito de obras. Hoje, ele é homenageado por um monumento no canteiro ajardinado da praça Alim Pedro. 
    Essa festa chegou a ser  incluída no calendário oficial de eventos e datas comemorativas da cidade do Rio de Janeiro, porém, atualmente, não se apresenta mais nos moldes tradicionais.

    Abaixo, uma imagem recente aproximada do local onde ocorria a festa da curva, na Avenida Cesário de melo.



Obs: algumas informações colhidas no blog Saibahistória.blogspot.com